O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), de 29 anos, consolidou-se como principal nome da oposição nas redes sociais e nas ruas ao liderar uma marcha de sete dias até Brasília, que culminou no domingo (25/01/2026) em uma manifestação com aproximadamente 18 mil pessoas, mesmo sob condições climáticas adversas. Com mais de 40 milhões de seguidores e vídeos que acumulam centenas de milhões de visualizações, o parlamentar ampliou sua influência política, mobilizou a militância conservadora, atraiu o apoio de lideranças do campo bolsonarista e passou a ser visto como um ativo estratégico para a direita nas eleições de 2026, movimento que gerou reações e críticas do governo federal.
Nikolas Ferreira construiu sua projeção nacional a partir de uma estratégia digital altamente eficaz, baseada em vídeos curtos, linguagem direta e temas de forte apelo popular. Entre os conteúdos de maior repercussão está o vídeo em que critica uma suposta tentativa do governo de taxar o Pix, publicação que ultrapassou 350 milhões de visualizações e impactou negativamente a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo avaliações internas do próprio governo.
O parlamentar atribui seu sucesso à credibilidade junto ao eleitorado e à escolha de pautas relacionadas ao cotidiano da população, como custo dos alimentos, denúncias envolvendo aposentadorias do INSS e críticas à atuação do Estado. Nascido em Belo Horizonte e criado até os 12 anos em uma favela da capital mineira, Nikolas frequentemente associa sua trajetória pessoal ao discurso de proximidade com as camadas populares.
Marcha até Brasília e demonstração de força nas ruas
A marcha iniciada em Paracatu (MG) e encerrada em Brasília durou sete dias e foi amplamente documentada nas redes sociais do deputado. Ao longo do percurso, Nikolas publicou 25 mensagens e 20 vídeos, que somaram cerca de 80 milhões de visualizações e interações apenas em seus perfis pessoais. A culminância do ato, em 25 de janeiro, reuniu milhares de apoiadores na capital federal, mesmo sob chuva intensa e tempestade elétrica.
Durante o discurso final, feito de forma solitária em um carro de som, o deputado direcionou críticas ao Congresso Nacional, ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal, citando nominalmente o ministro Alexandre de Moraes. Um raio atingiu a área do protesto, deixando dezenas de feridos. Após o episódio, Nikolas visitou hospitais, registrou o atendimento aos manifestantes e afirmou que o incidente foi um “evento natural fora do controle da organização”.
Apoio do núcleo bolsonarista e unificação momentânea da direita
A mobilização atraiu figuras centrais do bolsonarismo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou apoio público nas redes, enquanto Carlos Bolsonaro acompanhou parte do trajeto e elogiou a iniciativa. De fora do país, Eduardo Bolsonaro classificou o ato como sinal de que a direita não abandonou os presos do 8 de Janeiro.
O senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República, também elogiou a marcha. Analistas avaliam que o movimento contribuiu para reduzir divisões internas da direita, ainda que de forma temporária, e reforçou o papel de Nikolas como articulador político e mobilizador de base eleitoral.
Impacto nas redes e leitura do mercado político
Levantamento da consultoria Bites indicou que as menções à marcha geraram 107 milhões de interações entre os dias 19 e 25 de janeiro, superando, no mesmo período, a repercussão da indicação do filme O Agente Secreto ao Oscar. Segundo especialistas, o alcance das postagens relacionadas a Nikolas ofuscou a presença digital do presidente Lula, de partidos de esquerda e até de outros nomes da direita, como o governador paulista Tarcísio de Freitas.
Para o cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, Nikolas reúne juventude, discurso mobilizador e domínio da comunicação digital, características que podem “oxigenar a direita” e ampliar sua competitividade eleitoral em 2026.
Reação do governo e críticas institucionais
No campo governista, a orientação pública foi minimizar o impacto da manifestação, embora interlocutores tenham reconhecido, de forma reservada, surpresa com a repercussão. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, criticou a organização do ato, alegando falta de comunicação com órgãos de segurança e riscos à integridade dos participantes. O líder do governo, José Guimarães, afirmou que a mobilização colocou vidas em perigo ao ocorrer sob tempestade.
Projeções eleitorais e planos do PL
O presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, participou da recepção ao deputado em Brasília e declarou intenção de utilizar Nikolas como cabo eleitoral nacional. Internamente, o parlamentar é tratado como uma das principais apostas do partido, após ter sido o deputado federal mais votado do país em 2022. Pesquisas também o colocam entre os favoritos para uma eventual disputa ao governo de Minas Gerais, hipótese atualmente descartada em função de acordos regionais.
*Com informações da Revista Veja.











Deixe um comentário