Dia de Iemanjá transforma o Rio Vermelho em símbolo da fé afro-brasileira e revela um dos perfis demográficos mais singulares de Salvador

Na segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, Salvador celebra o Dia de Iemanjá, uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais do Brasil, de origem afro-brasileira. A festa, dedicada à Rainha do Mar, ocorre historicamente no Rio Vermelho, bairro que se consolidou como o principal centro simbólico da celebração, reunindo práticas do candomblé, do catolicismo popular e expressões da cultura urbana soteropolitana.

A tradição teve origem entre pescadores da região, ainda no início do século XX, e atravessou décadas mantendo-se como um dos maiores eventos religiosos populares do país. Ao longo do tempo, o Rio Vermelho deixou de ser apenas um bairro litorâneo para se tornar um espaço de forte identidade cultural, intensa valorização imobiliária e profundas transformações sociais. Os dados do Censo Demográfico 2022 permitem compreender melhor o perfil populacional e socioeconômico do território que abriga essa celebração centenária.

À época do levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Salvador contava com 170 bairros, e o Rio Vermelho possuía a 46ª maior população, com 17.526 moradores. Desse total, 7.622 eram homens e 9.904 mulheres, evidenciando um perfil populacional predominantemente feminino.

Com 56,5% de mulheres, o bairro apresentava uma proporção superior à média da capital, que já se destacava nacionalmente como a cidade mais feminina do Brasil, com 54,4% da população composta por mulheres. Esse índice colocava o Rio Vermelho como o 15º bairro mais feminino de Salvador.

Outro aspecto relevante é o envelhecimento populacional acima da média municipal. O bairro registrava 4.346 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 24,8% da população, ou 1 em cada 4 habitantes. Esse percentual posicionava o Rio Vermelho como o 21º bairro com maior proporção de idosos da capital, enquanto Salvador, no conjunto, apresentava 16,5% de moradores nessa faixa etária.

A estrutura domiciliar reflete esse perfil etário. 35,5% dos domicílios do bairro eram chefiados por pessoas com 60 anos ou mais, correspondendo a 2.765 residências. O índice colocava o Rio Vermelho na 26ª posição entre os bairros com maior presença de idosos responsáveis pelos domicílios, acima da média municipal de 27,0%.

No recorte racial, o bairro integrava um grupo restrito de apenas 13 bairros de Salvador onde a população autodeclarada branca era numericamente superior, de forma individual, às populações pretas e pardas. Os dados indicavam 7.095 pessoas brancas (40,5%), 6.906 pardas (39,4%) e 3.402 pretas (19,4%). Com essa composição, o Rio Vermelho apresentava a 14ª maior proporção de pessoas brancas, a 15ª menor de pardos e a 24ª menor de pretos entre os bairros da capital.

A dinâmica urbana do bairro é marcada pela verticalização. Foram recenseados 7.793 domicílios permanentes ocupados, dos quais 69,8% eram apartamentos (5.442 unidades) e 29,8% casas (1.147 unidades). O padrão habitacional acompanha o processo de valorização imobiliária e a consolidação do bairro como área residencial de médio e alto padrão.

O Rio Vermelho também se destaca pela alta proporção de domicílios unipessoais. 2.488 residências eram ocupadas por apenas uma pessoa, o que correspondia a 31,9% do total, quase 1 em cada 3 domicílios. O índice era o 11º maior de Salvador, significativamente acima da média municipal, que era de 24,8%.

No aspecto econômico, o bairro figurava entre os mais bem posicionados da cidade. O rendimento médio das pessoas responsáveis pelos domicílios era de R$ 7.233,56, o 16º maior entre os 170 bairros de Salvador, valor mais que o dobro da média municipal, estimada em R$ 3.160,73.

Esse conjunto de indicadores revela que o Rio Vermelho, além de símbolo religioso e cultural, é um bairro com perfil demográfico envelhecido, renda elevada e dinâmica urbana consolidada, onde tradição popular, transformação social e valorização econômica coexistem. É nesse contexto que, todos os anos, a Festa de Iemanjá reafirma seu papel como patrimônio imaterial e expressão viva da identidade baiana.


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