A Dívida Pública Federal (DPF) poderá alcançar, ao fim de 2026, um volume situado entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões, segundo projeção oficial divulgada nesta terça-feira (28/01/2026) pelo Tesouro Nacional, durante a apresentação do Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública para o próximo ano. O patamar projetado sucede um encerramento recorde em 2025, quando a dívida ultrapassou R$ 8,6 trilhões, refletindo o impacto de juros elevados, maior necessidade de financiamento do Estado e mudanças na estratégia de composição dos títulos públicos.
O PAF estabelece diretrizes para a administração da dívida federal, definindo parâmetros de composição, prazos médios e mecanismos de segurança financeira. Assim como no planejamento anterior, o governo sinalizou a intenção de reduzir a participação de títulos prefixados e ampliar o peso de papéis atrelados à taxa Selic, movimento alinhado ao atual cenário de juros básicos em níveis elevados, os mais altos em quase dois anos, e à busca por maior atratividade junto aos investidores.
Revisões e trajetória recente da dívida
No início de 2025, o Tesouro estimava que a DPF encerraria o ano entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. Em setembro, diante da evolução do cenário fiscal e financeiro, o próprio PAF foi revisado, elevando a projeção para um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. O resultado efetivo superou o teto inicialmente previsto, consolidando um novo recorde histórico.
Esse comportamento reforçou a necessidade de ajustes na estratégia de financiamento, refletidos no plano para 2026. O Tesouro reconhece que o ambiente de juros elevados altera o custo e o risco da dívida, exigindo maior flexibilidade na composição dos títulos emitidos e atenção redobrada à gestão dos vencimentos.
Composição da Dívida Pública Federal em 2026
De acordo com o PAF, a estrutura da DPF ao final de 2026 deverá observar os seguintes intervalos:
- Títulos vinculados à taxa Selic: entre 46% e 50% do total, ante 48,3% atualmente;
- Títulos corrigidos pela inflação: entre 23% e 27%, frente a 25,9%;
- Títulos prefixados: entre 21% e 25%, atualmente em 22%;
- Títulos atrelados ao câmbio: entre 3% e 7%, hoje em 3,8%.
Os dados não consideram as operações de compra e venda de dólares realizadas pelo Banco Central no mercado futuro, que podem interferir no resultado final da dívida.
A maior presença de títulos indexados a taxas flutuantes, especialmente à Selic, aumenta a sensibilidade da dívida às decisões de política monetária. Sempre que o Comitê de Política Monetária (Copom) eleva os juros básicos, o custo da parcela da dívida corrigida pela Selic se ajusta de forma praticamente imediata, pressionando o endividamento do governo.
Risco, previsibilidade e custo da dívida
Em contrapartida, os títulos prefixados oferecem maior previsibilidade ao Tesouro Nacional, pois os juros são definidos no momento da emissão e permanecem constantes até o vencimento. Esse mecanismo permite ao governo conhecer antecipadamente o custo futuro da dívida, independentemente das oscilações da taxa básica.
Entretanto, em cenários de instabilidade econômica ou de incerteza fiscal, esses papéis costumam exigir taxas mais elevadas para atrair investidores, o que pode elevar o custo médio da dívida no longo prazo. A estratégia adotada pelo Tesouro busca, portanto, equilibrar previsibilidade, custo e risco, ajustando a composição conforme as condições do mercado.
Prazo médio e perfil de vencimentos
O prazo médio da DPF, que encerrou 2025 em 4 anos, deverá situar-se entre 3,8 e 4,2 anos ao final de dezembro de 2026. O Tesouro trabalha com estimativas anuais, sem detalhamento em meses, mantendo uma margem de flexibilidade para acomodar variações no ritmo de emissões.
Já a parcela da dívida com vencimento nos próximos 12 meses deverá ficar entre 18% e 22% ao fim de 2025, acima do nível atual de 17,5%. Esse indicador é acompanhado de perto pelo mercado, pois reflete a pressão de curto prazo sobre o caixa do governo e a necessidade de rolagem constante dos títulos.
Mecanismos de segurança financeira
Segundo o Tesouro Nacional, o governo dispõe de dois instrumentos principais de proteção para assegurar a capacidade de financiamento em cenários adversos. O primeiro são as reservas internacionais, consideradas suficientes para cobrir os vencimentos da dívida pública externa em 2026, estimados em R$ 33,3 bilhões.
O segundo é o chamado colchão de liquidez, que soma R$ 1,187 trilhão e permite cobrir aproximadamente 7,33 meses de vencimentos da dívida pública interna. Esse mecanismo funciona como uma reserva estratégica, reduzindo o risco de descontinuidade no financiamento em momentos de estresse no mercado.
Funcionamento da dívida pública
Por meio da dívida pública, o Tesouro Nacional capta recursos junto a investidores para honrar compromissos do Estado, como despesas correntes, investimentos e refinanciamento de obrigações anteriores. Em troca, o governo se compromete a devolver os valores acrescidos de correção, que pode estar atrelada à taxa Selic, à inflação, ao câmbio ou ser prefixada, conforme o tipo de título emitido.









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