O esporte tem sido utilizado como instrumento de prevenção à criminalidade e promoção social em municípios do sertão da Bahia e do Piauí, por meio do projeto Sertão Esportivo, desenvolvido pelo Instituto Água Viva (IAV), com apoio do Governo Federal. A iniciativa atende 1.500 crianças e adolescentes, oferecendo atividades regulares de futebol e artes marciais como alternativa ao risco social.
O projeto está presente nos municípios de Lapão e Casa Nova, na Bahia, e Acauã, no Piauí, regiões marcadas por vulnerabilidade socioeconômica e escassez de oportunidades para jovens. A proposta é utilizar o esporte como ferramenta estruturante para reduzir a exposição à criminalidade, ao uso de drogas e à evasão social.
A atuação é contínua e organizada, com foco no desenvolvimento físico, educacional e social, buscando criar um ambiente de proteção e pertencimento para os participantes.
Esporte como política de prevenção social
O Sertão Esportivo é estruturado como uma ação preventiva, ao ocupar o tempo livre de crianças e adolescentes com atividades esportivas regulares, acompanhadas por orientação pedagógica. A iniciativa contribui para a redução da ociosidade, fator frequentemente associado à exposição a contextos de violência.
Segundo o Instituto Água Viva, o projeto busca fortalecer valores como disciplina, convivência coletiva e responsabilidade, por meio da prática esportiva orientada. O objetivo central é oferecer novas perspectivas de vida, afastando os jovens de ambientes de risco.
A proposta se insere no contexto de políticas públicas de prevenção, ao atuar diretamente em comunidades com indicadores sociais sensíveis.
Metodologia e formação cidadã
De acordo com o presidente do Instituto Água Viva, Carlinston Lima, o esporte permite uma atuação antecipada na proteção social. Ele destaca que a iniciativa busca apresentar caminhos estruturados e organizados para o desenvolvimento dos jovens atendidos.
O gestor de esportes do IAV, Felipe Abreu, explica que a metodologia aplicada vai além do condicionamento físico. Segundo ele, as atividades no gramado e no tatame trabalham aspectos como resiliência, hierarquia, cooperação e fortalecimento emocional, elementos considerados fundamentais para a formação cidadã.
A estratégia utiliza o sentimento de pertencimento a equipes e grupos como fator de proteção, contribuindo para que os participantes desenvolvam resistência a pressões externas e comportamentos de risco.
Impacto social e acompanhamento de longo prazo
Diferentemente de ações pontuais, o Sertão Esportivo possui duração prevista de dois anos, com acompanhamento técnico e pedagógico contínuo. Essa estrutura permite a observação de mudanças de comportamento, além de impactos positivos na saúde física e social dos participantes.
O projeto também oferece oportunidades para o desenvolvimento esportivo, possibilitando que alguns alunos participem de competições regionais, eventos esportivos e processos seletivos de clubes profissionais, conforme o desempenho individual.
O foco está na constância das atividades, considerada essencial para a consolidação dos resultados sociais e educacionais.
Financiamento e parcerias institucionais
Viabilizado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, o projeto é uma realização do Ministério do Esporte, em parceria com o Governo Federal, e conta com o apoio da iniciativa privada. Empresas como Grupo Fortlev, BTG Pactual, Perfilados Rio Doce, Timenow, Extrafruti, Brasil Fibras, Atacado União, Enepol, Euroamerican e RDG Aços do Brasil participam do financiamento da ação.
Segundo os organizadores, a articulação entre poder público e setor privado tem sido fundamental para garantir a sustentabilidade financeira e operacional do projeto ao longo de sua execução.
Atuação do Instituto Água Viva no semiárido
O Instituto Água Viva atua desde 2015 no sertão nordestino, com ações voltadas à educação, saúde, esporte e geração de renda. A instituição desenvolve projetos em áreas com escassez de água e infraestrutura limitada, buscando ampliar o acesso a serviços básicos e oportunidades sociais.
A atuação do IAV tem como foco a redução das desigualdades regionais, por meio de iniciativas que promovem inclusão e fortalecimento comunitário em áreas remotas do Nordeste.









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