EUA defendem na OEA que petróleo da Venezuela não fique sob controle de “adversários do Hemisfério Ocidental”

Em reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta terça-feira (06/01/2026), os Estados Unidos defenderam que o petróleo da Venezuela não pode permanecer sob controle de países e grupos considerados “adversários do Hemisfério Ocidental”. A posição foi apresentada pelo embaixador norte-americano junto à organização, Leandro Rizzuto, no contexto da operação que resultou na retirada forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, do território venezuelano e em sua condução aos Estados Unidos para responder a acusações criminais. O episódio provocou forte reação diplomática, com críticas do Brasil e de outros países, além de debates paralelos no Conselho de Segurança da ONU sobre soberania, legalidade internacional e precedentes geopolíticos.

Declarações dos Estados Unidos na OEA

Durante a sessão extraordinária, o representante dos Estados Unidos afirmou que a Venezuela não pode se transformar em um polo de operações estratégicas de países e organizações hostis aos interesses norte-americanos e regionais. Segundo Rizzuto, a existência das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo sob influência de atores como Irã, Rússia, China, Hezbollah e serviços de inteligência cubanos representaria risco direto à segurança hemisférica.

O diplomata sustentou que os lucros do setor petrolífero venezuelano não beneficiariam a população local, mas sim redes políticas e estratégicas externas. Nesse sentido, argumentou que a ação norte-americana teria como objetivo remover um obstáculo à restauração democrática no país e abrir caminho para um novo arranjo político institucional.

Rizzuto também rejeitou a caracterização da operação como invasão militar. De acordo com ele, tratou-se do cumprimento de uma ordem judicial baseada em indiciamento criminal, com apoio das Forças Armadas apenas para garantir a execução da decisão, sem intenção de ocupação territorial ou declaração de guerra.

Operação, prisão e acusações contra Maduro

Militares norte-americanos retiraram Nicolás Maduro e Cilia Flores do território venezuelano no sábado (03/01/2026). A ação resultou em confrontos armados, mortes de integrantes das forças de segurança presidencial e explosões em Caracas, segundo relatos oficiais. O casal foi levado a Nova York, onde passou por audiência de custódia em tribunal federal.

As autoridades dos EUA afirmam que Maduro responderá a acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado, em suposta associação com organizações criminosas transnacionais. O ex-presidente venezuelano declarou-se inocente, classificou-se como “prisioneiro de guerra” e negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas.

Atualmente, Maduro e sua esposa permanecem detidos em um presídio federal no bairro do Brooklyn, enquanto a Justiça norte-americana avalia os próximos passos do processo.

Posição dos Estados Unidos na ONU

Um dia antes do debate na OEA, o tema também foi levado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O embaixador norte-americano na ONU, Michael Waltz, afirmou que os Estados Unidos não estão em guerra com a Venezuela nem promovem ocupação militar.

Segundo Waltz, a operação teve natureza jurídica, caracterizando-se como aplicação da lei, ainda que viabilizada logisticamente por meios militares. A argumentação buscou afastar acusações de violação do direito internacional humanitário e de uso desproporcional da força.

Reação do Brasil na OEA

Na mesma sessão da OEA, o embaixador do Brasil junto à entidade, Benoni Belli, classificou a ação norte-americana como uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela. Para o diplomata, os bombardeios em território venezuelano e o sequestro do chefe de Estado ultrapassam limites considerados inaceitáveis no sistema internacional.

Belli afirmou que o episódio remete a práticas que se julgavam superadas na América Latina e no Caribe, advertindo para o risco de normalização da lógica segundo a qual os fins justificariam os meios. Em sua avaliação, esse entendimento fragiliza o multilateralismo e abre precedentes perigosos, nos quais os países mais fortes passam a definir unilateralmente o que é justo ou legítimo.

O representante brasileiro defendeu que a soberania nacional, o direito internacional e as instituições multilaterais são pilares essenciais para garantir a autodeterminação dos povos e a estabilidade regional.

Declarações brasileiras na ONU

A posição brasileira foi reiterada no Conselho de Segurança da ONU pelo embaixador Sérgio Danese, que também rejeitou o argumento de que a intervenção armada poderia ser justificada por objetivos políticos ou jurídicos. Segundo Danese, aceitar esse raciocínio comprometeria a previsibilidade das relações internacionais e enfraqueceria os mecanismos coletivos de resolução de conflitos.


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