O ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, Aldo Rebelo, confirmou nesta segunda-feira (30/12/2025) que será candidato à Presidência da República nas eleições do próximo ano. A candidatura será lançada pelo partido Democracia Cristã (DC), legenda de reduzida presença no Congresso Nacional e sem histórico recente de protagonismo eleitoral em disputas majoritárias.
A confirmação foi feita em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, na qual Rebelo apresentou como eixos centrais de sua proposta a retomada do crescimento econômico, a redução das desigualdades sociais, a revalorização da democracia e a reconstrução da agenda de defesa nacional. A informação já havia sido antecipada no início do mês por colunistas da imprensa nacional.
A decisão marca mais um movimento de transição partidária na trajetória política do ex-ministro, que deixou o MDB para se filiar à Democracia Cristã, partido atualmente presidido pelo ex-deputado João Caldas e classificado como legenda de pequeno porte no sistema político brasileiro.
Trajetória política e passagem por diferentes governos
Aldo Rebelo teve atuação destacada nos primeiros governos do Partido dos Trabalhadores. Entre 2004 e 2005, durante o primeiro mandato de Lula, ocupou o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais. Posteriormente, nos governos de Dilma Rousseff, comandou três pastas estratégicas: Esporte, Ciência e Tecnologia e Defesa.
Após romper com o PCdoB em 2017, legenda à qual esteve historicamente vinculado, Rebelo passou por uma sequência de partidos — PSB, Solidariedade, PDT e MDB — em um percurso marcado por reposicionamentos ideológicos e afastamento progressivo da esquerda tradicional.
Em 2024, exerceu o cargo de secretário municipal de Relações Internacionais na gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, então filiado ao MDB, reforçando sua aproximação com setores mais conservadores do espectro político.
Distanciamento da esquerda e aproximação do bolsonarismo
Nos últimos anos, Rebelo consolidou um discurso crítico às pautas ambientais e indigenistas e passou a se alinhar, em diversos temas, a posições associadas ao bolsonarismo. Na entrevista que confirmou sua candidatura, afirmou que o presidente Lula estaria “refém” do Supremo Tribunal Federal e dirigiu críticas a órgãos como Ibama e Funai.
Segundo o ex-ministro, essas instituições estariam “imobilizando” o desenvolvimento nacional ao impor restrições à expansão da agroindústria, da exploração mineral e do setor energético. O discurso dialoga com setores que veem a agenda ambiental como entrave ao crescimento econômico, especialmente em regiões ligadas ao agronegócio.
Rebelo também defendeu publicamente a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a todos os envolvidos na tentativa de ruptura institucional investigada após os atos golpistas. Para ele, a pacificação nacional exigiria o esquecimento dos conflitos recentes, em nome da reconstrução do país.
Desempenho eleitoral e cenário das pesquisas
O nome de Aldo Rebelo apareceu na pesquisa Genial/Quaest divulgada em dezembro, na qual registrou entre 1% e 2% das intenções de voto, a depender do cenário simulado. Os números indicam baixo grau de competitividade eleitoral neste momento, especialmente diante de candidaturas consolidadas e de estruturas partidárias mais robustas.
A Democracia Cristã, legenda escolhida para a disputa, não dispõe de bancada relevante no Congresso Nacional nem de capilaridade territorial significativa, fatores tradicionalmente considerados decisivos em campanhas presidenciais no Brasil.
Estrutura partidária limitada e candidatura personalista
Apesar da longa trajetória institucional de Aldo Rebelo, a candidatura anunciada surge desprovida de uma base partidária consistente e de uma liderança capaz de articular alianças amplas no sistema político. O partido que o abriga carece de estrutura nacional, recursos financeiros expressivos e inserção social organizada.
Nesse contexto, o projeto presidencial se apresenta mais como uma candidatura de afirmação pessoal do que como a expressão de um movimento político enraizado ou de uma representação social ampla. A ausência de uma coalizão sólida e de um programa capaz de mobilizar setores relevantes da sociedade limita o alcance prático da iniciativa.
Alcance político e limites institucionais da candidatura
A confirmação da candidatura de Aldo Rebelo ocorre em um ambiente político altamente polarizado e dominado por forças com forte estrutura partidária, acesso a recursos e presença territorial. Nesse cenário, a opção por uma legenda de pequeno porte reduz significativamente a viabilidade eleitoral do projeto.
Além disso, embora Rebelo detenha experiência administrativa e trânsito institucional, sua candidatura carece de liderança orgânica, de base social estruturada e de capacidade de articulação política em escala nacional. O discurso apresentado, fortemente ancorado em críticas institucionais e na defesa de anistias amplas, tende a dialogar com nichos específicos, sem demonstrar potencial de convergência mais ampla.
Por fim, a iniciativa se configura menos como uma alternativa programática robusta para o país e mais como uma candidatura centrada na trajetória individual do ex-ministro, sem sustentação partidária ou social capaz de conferir profundidade e competitividade ao projeto presidencial.
*Com informações do jornal O Globo.
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