O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, concluiu na tarde desta quinta-feira (15/01/2026) o tradicional cortejo da Lavagem do Senhor do Bonfim ao chegar ao adro da Basílica do Senhor do Bonfim, após percorrer cerca de oito quilômetros desde a Igreja da Conceição da Praia. Acompanhado do vice-governador Geraldo Júnior, secretários de Estado e autoridades, o chefe do Executivo baiano foi recepcionado pelas baianas, que realizaram o tradicional banho de cheiro, um dos ritos mais simbólicos da celebração.
Ao final do percurso, Jerônimo Rodrigues destacou o caráter coletivo e espiritual da caminhada, ressaltando pedidos por paz, saúde, emprego e combate à fome, além de prosperidade para o próximo ano. Segundo o governador, a Lavagem do Bonfim representa um momento de aproximação com a população, marcado pelo acolhimento e pela renovação da fé.
Considerada uma das mais importantes manifestações populares, culturais e religiosas da Bahia, a Lavagem do Senhor do Bonfim reuniu milhares de fiéis, baianos e turistas, reafirmando o sincretismo religioso e a centralidade da fé na identidade do povo baiano. O evento mantém, ano após ano, sua relevância simbólica e social no calendário cultural do estado.
Tradição religiosa e simbolismo histórico
Com o tema de 2026, “O Exercício do Ministério Público de Jesus, o Amado Senhor do Bonfim”, a celebração reforça sua dimensão religiosa e seu alcance social. O ritual do banho de cheiro, conduzido pelas baianas, permanece como um dos momentos mais aguardados, simbolizando purificação, proteção e renovação espiritual.
Fiéis que acompanham a Lavagem há décadas destacam a continuidade da tradição como elemento fundamental da celebração. Para muitos, o Senhor do Bonfim representa esperança e força diante das dificuldades, funcionando como um ponto de convergência entre devoção católica e referências das religiões de matriz africana.
A presença das autoridades públicas no cortejo, embora institucional, ocorre dentro de um rito que preserva seu caráter popular. O percurso a pé, a participação espontânea dos fiéis e a centralidade dos símbolos religiosos mantêm a Lavagem do Bonfim como um evento que transcende agendas políticas e se ancora na tradição histórica da cidade.
Participação de baianos e turistas
Além da população local, a Lavagem do Bonfim atrai visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior. A estudante Gabriela Todescan, residente no Canadá e com vínculos familiares na Bahia, relatou a experiência como um momento de conexão pessoal com a história e a religiosidade da cidade, destacando a emoção de participar do percurso a pé e dos ritos tradicionais.
A diversidade de participantes também se reflete na presença de trabalhadores tradicionais da festa. Raimunda dos Santos, baiana de acarajé que participa do cortejo há cerca de 50 anos, ressaltou o significado espiritual da celebração e a convivência entre diferentes expressões religiosas, reforçando a noção de pluralidade de fé que marca o evento.
Ao longo do trajeto, manifestações de devoção, cânticos, gestos simbólicos e pedidos pessoais se misturam ao clima festivo, consolidando a Lavagem do Bonfim como um espaço de expressão coletiva da religiosidade baiana.









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