No início da noite desta quarta-feira (28/01/2026), o governador Jerônimo Rodrigues abriu, às 19h, a 3ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CEDRSS), em Feira de Santana, e, em declarações à imprensa local, afirmou que o grupo político que lidera está “prestes a consolidar uma arrumação na chapa majoritária”, com foco especial na disputa ao Senado, onde, segundo ele, há “três bons nomes” para “duas vagas”. O governador também detalhou agendas recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citou tratativas sobre a Fiol, a proposta para acelerar o Canal do Sertão com participação da Codevasf e do Ministério da Integração, comentou indicadores de redução de crimes violentos e mencionou o planejamento do Carnaval em mais de 220 municípios baianos.
A 3ª CEDRSS e o foco em políticas para povos do campo, das águas e das florestas
A abertura da 3ª CEDRSS marcou o início de três dias de debates voltados à elaboração de propostas para orientar políticas públicas destinadas aos povos do campo, das águas e das florestas. Segundo o governo estadual, as discussões devem resultar em encaminhamentos para a etapa nacional prevista para março de 2026.
Ao contextualizar o encontro, Jerônimo afirmou que o “rural” não deve ser entendido apenas como produção, mas como um conjunto de condições e serviços, incluindo moradia, educação do campo, saúde, segurança pública, além de ciência, inovação e acesso a políticas estruturantes. Na avaliação exposta pelo governador, a conferência também serve como espaço de balanço do ciclo político-administrativo que ele associou a governos sucessivos do mesmo campo político na Bahia.
Chapa majoritária: “três bons nomes” para o Senado e discurso de unidade
Questionado sobre a formação de chapa e articulações no grupo, Jerônimo declarou que, “na condição de líder desse grupo”, pretende “cuidar do meu grupo” e concluir a definição de uma chapa “competitiva” e “agregadora”. Ele disse que o objetivo é compor um desenho eleitoral que, além de disputar o governo, contribua para “ajudar a reeleição do presidente Lula”, ampliar bancadas federal e estadual e preservar a coesão interna.
Sem citar nomes, o governador resumiu o ponto de tensão: o espaço de duas vagas ao Senado diante de três postulantes considerados viáveis. No discurso, a palavra-chave foi unidade, apresentada como condição para sustentar o projeto político e a agenda administrativa no estado.
Estratégia eleitoral e recado para a base
A fala do governador também indicou que a articulação não se resumiria a acomodar candidaturas, mas a construir um arranjo que mantenha a coalizão mobilizada em torno de metas eleitorais e de governo. Ele afirmou que “isso só se faz com unidade” e associou a costura da chapa à capacidade de “cuidar do povo da Bahia, da cidade, do campo”.
Agenda com Lula: SAMU, equipamentos de saúde, Fiol e Canal do Sertão
Jerônimo afirmou ter estado com Lula “anteontem” para tratar de três temas, começando por saúde, com preparação de investimentos para o ano e a previsão de um evento com entregas. Segundo o governador, Lula deve vir à Bahia no dia 6, e no dia 7 haveria um encontro partidário relacionado ao aniversário do PT. Na mesma agenda, Jerônimo mencionou a entrega de quase 140 unidades do SAMU, além de equipamentos de saúde, em um evento de grande porte.
O segundo tema citado foi a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), com diálogo sobre medidas para “consolidar” o empreendimento. O terceiro foi o Canal do Sertão, pauta que, conforme relatado, envolveu discussões com a Codevasf e o Ministério da Integração para acelerar a execução do projeto.
Canal do Sertão e alternativa com adução da Embasa
Ao abordar o Canal do Sertão, Jerônimo acrescentou um cenário de contingência: se o orçamento não estiver integralmente disponível, a Embasa poderia executar uma tubulação/adução para garantir abastecimento a regiões do interior, apresentando a alternativa como mais rápida e econômica para assegurar água em curto prazo.
Feira de Santana: água para 30 anos, saneamento e coordenação com a prefeitura
Em outro trecho, ao comentar temas locais, Jerônimo disse que há um “plano de ação” para garantir água pelos próximos 30 anos em Feira de Santana, incluindo não apenas a sede, mas povoados e distritos, e também estruturas de consumo e serviços como restaurantes, bares, shoppings e outros equipamentos urbanos.
No saneamento, ele relatou reunião recente com o prefeito José Ronaldo de Carvalho e mencionou a intenção de ampliar a taxa de esgotamento sanitário, articulando obras para reduzir retrabalho urbano. Segundo o governador, a proposta discutida envolveria coordenação para executar o saneamento antes de pavimentação, evitando abertura posterior de vias recém-pavimentadas.
Parque estadual e discussão sobre rodoviária
Jerônimo informou ter se reunido com José Ronaldo na manhã do mesmo dia, com início às 7h30 e reunião às 8h, para discutir “um grande projeto” para Feira. Ele afirmou que uma demanda estratégica identificada seria a criação de áreas de lazer e convivência, com a proposta de um parque estadual, ressaltando que não faria nada sem alinhamento com o prefeito: não haveria “ocupação” sem combinação institucional.
O governador ainda comentou especulações sobre a rodoviária de Salvador e a possibilidade de discussão envolvendo Feira de Santana, ponderando que a cidade não dispõe de metrô ou VLT, e que seria necessário estudar prioridades e emergências locais antes de decisões.
Segurança pública: redução de crimes violentos, investimentos e operações
Perguntado sobre indicadores, Jerônimo citou uma redução de 13,1% em crimes violentos no estado e afirmou que os resultados permitem comemorar, sem dispensar a continuidade de ações. Ele disse que o governo utiliza o orçamento como termômetro de prioridade, listando investimentos em viaturas, concursos, capacitação, remuneração (soldo), infraestrutura de delegacias e pelotões, além de inteligência e operações “quase diárias”.
No recorte regional, declarou que Feira de Santana encerraria janeiro com redução “batendo quase em 15%” nos indicadores citados. Jerônimo também mencionou expectativa de parceria com o governo federal, referindo-se ao ministro Wellington no Ministério da Justiça, apontando a importância da cooperação para políticas de segurança.
Carnaval: interiorização e estrutura de segurança e saúde
Ao tratar do calendário imediato, Jerônimo afirmou que o estado está “às vésperas de um carnaval” e destacou que a festa não seria apenas em Salvador. Segundo ele, mais de 220 municípios realizariam atividades carnavalescas, com presença de polícia, estrutura regional de pronto-socorro/emergência e saúde, e repasses para programação cultural em parte das cidades.












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