O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou, nesta quarta-feira (14/01/2026), a suspensão do processamento e da emissão de vistos para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil, conforme revela um memorando interno obtido pela Fox News Digital. A orientação, enviada a funcionários de representações consulares, estabelece que a medida é por tempo indeterminado e visa reavaliar procedimentos de triagem e verificação de solicitantes, em linha com a agenda de endurecimento migratório do presidente Donald Trump.
Segundo a rede americana, o documento instrui agentes consulares a não conceder vistos com base na legislação vigente, criando uma pausa operacional para revisão dos protocolos de segurança. A lista de países afetados inclui, além do Brasil, Irã, Iraque, Afeganistão, Iêmen, Nigéria e Rússia, entre outros. A abrangência da decisão indica uma ação de escopo global, não restrita a regiões específicas.
A suspensão ocorre em meio a críticas recorrentes do presidente Trump às regras de entrada nos EUA, com foco em concessões a cidadãos de países em desenvolvimento. Declarações recentes do mandatário intensificaram tensões diplomáticas, a exemplo da crise com a Somália, após anúncios de encerramento de vistos temporários.
Recorde de revogações e discurso de soberania
Na segunda-feira anterior, o Departamento de Estado informou a revogação de mais de 100 mil vistos desde que Trump reassumiu a Presidência, em janeiro do ano passado. O número, classificado pelo próprio governo como recorde, é 2,5 vezes superior ao registrado em 2024, quando Joe Biden ocupava a Casa Branca.
— A administração Trump não tem prioridade maior do que proteger os cidadãos americanos e defender a soberania dos EUA — afirmou o porta-voz Tommy Pigott, ao citar que milhares de vistos foram cancelados por prática de crimes, incluindo agressão e direção sob efeito de álcool.
Uso de legislação da era McCarthy e controle ideológico
O secretário de Estado Marco Rubio destacou a revogação de vistos de estudantes envolvidos em protestos contra Israel. Sob sua liderança, o Departamento de Estado recorreu a uma lei da era McCarthy, que autoriza a proibição de entrada de estrangeiros considerados contrários à política externa americana.
Apesar do rigor, alguns casos de alto perfil conseguiram reverter ordens de deportação na Justiça, indicando disputas jurídicas em curso sobre os limites da medida e sua compatibilidade com garantias legais.
Triagem reforçada e deportações em massa
Paralelamente, o governo ampliou os controles para obtenção de vistos, incluindo a verificação de publicações em redes sociais dos requerentes. As revogações integram uma campanha mais ampla de deportações em massa, executada com aumento do contingente de agentes federais.
Dados do Departamento de Segurança Interna apontam que o segundo governo Trump deportou mais de 605 mil pessoas, enquanto 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente no último período, evidenciando a intensidade da política migratória.
Endurecimento migratório e impactos diplomáticos
A suspensão generalizada de vistos para 75 países representa um salto qualitativo no endurecimento da política migratória dos EUA, ao combinar pausa administrativa, revisão de critérios e instrumentos legais históricos. O alcance da medida sugere prioridade absoluta à segurança e à soberania, ainda que à custa de previsibilidade consular.
Os desdobramentos incluem pressões diplomáticas, impacto sobre fluxos educacionais e de negócios e potenciais contestações judiciais, sobretudo quando critérios ideológicos são acionados. A ausência de prazo e de parâmetros públicos detalhados amplia a incerteza para cidadãos e governos afetados, incluindo o Brasil.








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