A Justiça da Suíça decretou a prisão preventiva de Jacques Moretti, coproprietário e gerente do bar Le Constellation, que pegou fogo na noite do Ano-Novo, na estação de esqui de Crans-Montana, resultando em 40 mortes e 116 feridos. A decisão foi anunciada na sexta-feira (09/01/2026), após solicitação do Ministério Público do cantão do Valais, no sudoeste do país.
Moretti é apontado como principal suspeito no inquérito que apura as circunstâncias do incêndio. Ele havia sido preso em junho de 2025, mas foi colocado em liberdade por decisão judicial. A nova prisão ocorre após reavaliação do caso e análise do risco de fuga, considerado concreto pelas autoridades.
A medida judicial ocorre em meio às investigações sobre falhas de segurança, ausência de inspeções recentes e possíveis responsabilidades penais dos gestores do estabelecimento.
Decisão judicial e fundamentos da prisão
Jacques Moretti e sua esposa, Jessica Moretti, também coproprietária do bar, foram ouvidos pelo Ministério Público em Sion, sede do cantão do Valais, por mais de seis horas. Após a audiência, o MP informou que uma nova avaliação detalhada do risco de fuga motivou o pedido de prisão preventiva do gerente.
Segundo o comunicado oficial, a decisão levou em conta declarações prestadas, histórico pessoal, além da situação do investigado na Suíça e no exterior. O Ministério Público acrescentou que Moretti é proprietário de ao menos três estabelecimentos na região e possui condenação anterior, registrada em 2008, relacionada a um caso de prostituição.
A prisão havia sido solicitada anteriormente pelos advogados das famílias das vítimas, que questionavam a condução inicial do processo e a liberação do casal.
Situação de Jessica Moretti e andamento do processo
Em relação a Jessica Moretti, o Ministério Público informou que, considerando seu histórico e vínculos pessoais, optou por medidas alternativas à prisão preventiva, entendendo que elas seriam suficientes para mitigar eventual risco de fuga.
Após a audiência, a defesa informou que as decisões do Ministério Público devem ser confirmadas em até 48 horas pelo Tribunal de Medidas Coercitivas, conforme prevê a legislação suíça.
O casal é formalmente investigado pelos crimes de homicídio culposo, lesões corporais e incêndio culposo. As autoridades reforçam que, até a conclusão do inquérito, prevalece o princípio da presunção de inocência.
Investigações, críticas e preocupações das famílias
Advogados que representam as famílias das vítimas afirmaram que a principal preocupação é o risco de desaparecimento de provas e de influência indevida sobre depoimentos ainda pendentes, tanto dos investigados quanto de autoridades que já reconheceram falhas administrativas.
As investigações seguem em andamento para apurar responsabilidades penais, além de possíveis omissões no sistema de fiscalização. Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público do Valais decidirá entre o arquivamento do caso ou o indiciamento, o que poderá levar a julgamento.
Luto nacional e homenagens às vítimas
A Suíça realizou luto nacional em homenagem às vítimas do incêndio. Antes das 14h (horário local), foi observado um minuto de silêncio, seguido pelo toque simultâneo dos sinos das igrejas em todo o país. O gesto foi respeitado em empresas, repartições públicas, escolas e vias públicas.
Uma cerimônia oficial ocorreu em Martigny, no cantão do Valais, com a presença de cerca de mil pessoas e de líderes internacionais, entre eles o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente italiano Sergio Mattarella. Entre as vítimas, estavam nove franceses e seis italianos.
O presidente suíço, Guy Parmelin, afirmou que o país permanece mobilizado para que falhas sejam tornadas públicas e responsabilizadas, destacando o impacto nacional da tragédia.
Falhas de segurança e causas preliminares
De acordo com informações preliminares do inquérito, o bar não passava por inspeções de segurança e incêndio desde 2019. Os primeiros elementos indicam que o incêndio pode ter sido provocado pelo uso de velas vulcão, que teriam entrado em contato com material acústico inflamável no teto do subsolo.
No momento do incêndio, o estabelecimento estava lotado, com predominância de adolescentes e jovens adultos. O rápido alastramento do fogo dificultou a evacuação. Atualmente, 83 feridos seguem hospitalizados na Suíça, além de vítimas internadas em centros especializados de outros países europeus.
*Com informações da RFI.
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