A Ilha de Itaparica voltou a ocupar posição central na narrativa histórica da Bahia nesta quarta-feira (07/01/2026), com a abertura oficial das celebrações pelos 203 anos da Independência do Brasil na Bahia. Ruas, praças, templos religiosos e espaços simbólicos foram palco de ritos, manifestações culturais e encenações que reafirmam o papel estratégico do território itaparicano no processo que resultou na expulsão das tropas portuguesas da Baía de Todos-os-Santos, em 1823.
A programação reuniu autoridades estaduais e municipais, representantes de povos originários, lideranças culturais e moradores locais, compondo um cenário que uniu memória histórica, participação popular e tradição religiosa. O evento reforçou a compreensão da Independência baiana como um processo coletivo, marcado pela mobilização social e pela diversidade de atores envolvidos.
Durante a cerimônia, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, destacou o caráter pedagógico e simbólico da escolha de Itaparica como ponto de partida das comemorações. Segundo ele, a celebração no território reafirma que a Independência não se restringiu a atos formais ou decisões isoladas, mas foi construída pela ação popular, pela resistência e pela ancestralidade que moldaram a história baiana.
Programação simbólica e ritos tradicionais
As atividades tiveram início com a recepção oficial das autoridades pelo prefeito de Itaparica, Zezinho, em ato protocolar que marcou a abertura do calendário comemorativo. Na sequência, foi realizado um dos momentos mais simbólicos da programação: a entrega da imagem do Caboclo aos Guaranis, após permanecer por um ano sob a guarda da Prefeitura Municipal.
Carregada nos ombros pelo cacique Guarani Emanuel Pita, a imagem do Caboclo deu início ao cortejo que percorreu pontos emblemáticos da cidade. O trajeto incluiu a Fonte da Bica, seguiu em carro aberto até a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e culminou na realização do Te Deum, cerimônia religiosa tradicional que integra as celebrações da Independência na Bahia.
Após o rito religioso, o cortejo avançou pelas ruas do Centro Histórico de Itaparica até o Campo Formoso, onde a imagem foi colocada no Panteão, reforçando o simbolismo cívico do ato. O encerramento ocorreu na aldeia Guarani, com a apresentação do espetáculo cultural “Auto da Roubada da Rainha”, encenação que integra elementos históricos, míticos e identitários da tradição local.
Participação popular e experiência dos visitantes
A celebração atraiu moradores e visitantes, que acompanharam de perto os ritos e manifestações culturais ao longo do dia. Entre eles, a arquiteta pernambucana Luiza Moraes, que estava na ilha durante o feriado, relatou a intensidade da experiência vivida. Para ela, a celebração aproxima o público da história, transformando o passado em vivência concreta e sensível.
O envolvimento direto do público, caminhando junto aos cortejos e participando dos ritos, foi apontado por organizadores como um dos diferenciais do evento. A proposta, segundo eles, é romper a distância entre memória histórica e cotidiano, permitindo que a Independência da Bahia seja percebida como um processo vivo e em permanente construção.
Cultura, pertencimento e transmissão da memória
O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, ressaltou que a força da celebração está na continuidade das tradições aliada à participação ativa da população local. Para ele, a Independência da Bahia permanece viva porque é celebrada nos territórios onde os acontecimentos históricos efetivamente ocorreram.
Segundo o secretário, em Itaparica, a cultura ultrapassa a lógica do espetáculo e se afirma como expressão de pertencimento, memória coletiva e transmissão intergeracional. Essa dimensão, de acordo com a Secretaria de Cultura, é fundamental para preservar o sentido histórico das comemorações e fortalecer a identidade cultural baiana.
Programação segue até sábado
As atividades comemorativas prosseguem até sábado (11/01/2026), com uma agenda que inclui novas manifestações culturais, apresentações artísticas e ritos simbólicos. A programação reafirma Itaparica como território de memória viva, onde passado e presente se articulam para celebrar a identidade, a resistência e a diversidade cultural do povo baiano.
Ao longo dos próximos dias, a ilha continuará a receber visitantes e moradores interessados em acompanhar as celebrações, consolidando seu papel como um dos principais cenários da Independência do Brasil na Bahia e como referência na preservação da memória histórica do estado.
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