A Marinha do Brasil ativou seu primeiro esquadrão dedicado ao uso de drones com finalidade militar, iniciativa que amplia a capacidade de vigilância, resposta e coordenação operacional das Forças Armadas. A estrutura foi implementada no Complexo Naval da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro (RJ), e integra o Batalhão de Combate Aéreo dos Fuzileiros Navais.
A nova unidade, denominada Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, passa a atuar em missões de proteção de áreas estratégicas, combate a atividades ilegais e apoio a operações militares, inserindo de forma estruturada sistemas não tripulados no planejamento da defesa nacional.
Estrutura do esquadrão e objetivos operacionais
O esquadrão recém-ativado concentra-se no emprego de drones para reconhecimento, monitoramento e apoio tático, ampliando o alcance das operações navais e anfíbias. A Marinha destaca que a adoção dessa tecnologia permite maior rapidez na coleta e no envio de informações aos centros de comando, fator considerado estratégico em cenários de segurança.
Além do uso militar convencional, os drones também poderão apoiar ações de segurança marítima, vigilância costeira e enfrentamento ao crime organizado, especialmente em regiões de difícil acesso. A medida está alinhada à necessidade de monitorar um território extenso, que inclui mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres e cerca de 7,5 mil quilômetros de litoral, área conhecida como Amazônia Azul.
Avaliação de especialistas sobre impacto estratégico
Para Paulo Henrique Montini dos Santos Ribeiro, doutorando em Ciências Sociais e pesquisador da Universidade Federal de Campina Grande, o impacto inicial da iniciativa tende a ser gradual, considerando que o Brasil não participa diretamente de conflitos armados há décadas. Segundo o pesquisador, isso resultou em um atraso relativo na incorporação de drones, quando comparado a outros cenários militares internacionais.
Ainda assim, o especialista aponta que a adoção dessas tecnologias tornou-se necessária diante de possíveis instabilidades regionais na América do Sul. Para ele, a integração dos drones às operações das Forças Armadas contribui para o efeito dissuasório, ao ampliar a capacidade de vigilância e resposta em áreas sensíveis do território nacional.
Interoperabilidade e operações multidomínio
Outro ponto destacado por especialistas é a necessidade de integração entre Marinha, Exército e Força Aérea. Segundo Ribeiro, sem interoperabilidade, o uso de drones tende a se tornar fragmentado, reduzindo seu impacto estratégico. A coordenação entre as Forças permitiria compartilhamento de dados em tempo real e respostas mais rápidas a eventuais ameaças.
O especialista em segurança internacional Luiz Gustavo Lavandoski da Silva, da Universidade Federal do ABC (UFABC), reforça que os sistemas não tripulados já ocupam papel central nos conflitos contemporâneos, sendo elementos-chave das chamadas operações multidomínio, que envolvem ambientes terrestre, marítimo, aéreo, cibernético e espacial.
Projeção regional e credibilidade militar
De acordo com Lavandoski, quando empregados a partir de navios ou bases terrestres, os drones funcionam como multiplicadores de força, ampliando áreas de monitoramento sem a necessidade de expansão proporcional de meios tradicionais. Ele avalia que o desenvolvimento de doutrina interoperável e capacitação técnica contínua reduz assimetrias tecnológicas e eleva o nível de prontidão do país.
Para o pesquisador, a incorporação estruturada desses sistemas aumenta a credibilidade estratégica do Brasil, ao demonstrar capacidade de adaptação tecnológica e uso mais eficiente do poder militar, fatores que influenciam o posicionamento do país no cenário regional.
*Com informações da Sputnik News.
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