O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, na quinta-feira (29/01/2026), a retirada do sigilo dos depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, colhidos no inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master. As oitivas foram realizadas em 30/12/2025 pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A decisão ocorreu após pedido do Banco Central para acesso ao depoimento de Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização da autarquia, também ouvido no procedimento. Com a medida, os registros passam a integrar o processo com publicidade, preservadas diligências ainda em andamento.
O inquérito investiga suspeitas de concessão de créditos irregulares, operações financeiras questionadas e tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, com estimativa de valores que podem alcançar R$ 17 bilhões, conforme apontado nas apurações.
Competência do STF e tramitação do caso
Em dezembro de 2025, Toffoli decidiu que a investigação deveria tramitar no STF, e não na Justiça Federal em Brasília, após a menção ao nome de um deputado federal nos documentos analisados. A prerrogativa de foro justificou a supervisão da Corte.
Segundo o gabinete do ministro, a definição sobre eventual envio do processo à primeira instância ocorrerá somente após a conclusão das investigações, para evitar questionamentos de competência e nulidades processuais.
A PF solicitou prorrogação de prazo por mais 60 dias para finalizar diligências, pedido que foi deferido pelo relator.
Depoimento de Daniel Vorcaro
Durante o depoimento, prestado nas dependências do STF, Vorcaro se recusou a fornecer a senha do telefone celular apreendido na Operação Compliance Zero, alegando preservação de informações pessoais e privadas. O aparelho foi recolhido no curso da investigação.
O banqueiro afirmou à autoridade policial que nega a existência de fraudes nas carteiras de investimentos do Banco Master e declarou que busca esclarecer os fatos. A defesa sustentou o direito de não compartilhar dados protegidos por sigilo.
Além dele, são investigados ex-diretores e ex-sócios do banco, entre eles Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima.
Relações institucionais e encontros com autoridades
Vorcaro também confirmou que manteve encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, classificando-os como conversas institucionais. Segundo o depoimento, as reuniões não teriam relação direta com a tentativa de negociação entre o Master e o BRB.
Questionado sobre contatos com agentes públicos, o banqueiro afirmou manter relações em diferentes esferas institucionais, sem detalhar nomes, e negou influência política nas tratativas comerciais.
O governador já havia reconhecido reuniões anteriores, negando discussões sobre operações envolvendo o banco.
Nota oficial do gabinete do ministro
Em comunicado, o gabinete de Toffoli informou que o relator foi designado por sorteio para conduzir a Operação Compliance Zero, determinou oitivas de dirigentes bancários e do Banco Central, manteve medidas cautelares já decretadas e preservou o sigilo para evitar vazamentos que pudessem comprometer as apurações.
A nota registra que todos os pedidos de nulidade apresentados pelas defesas foram rejeitados e que as investigações seguem regularmente, com diligências técnicas e coleta de provas.
O texto acrescenta que, ao final do inquérito, será avaliada a remessa de partes do processo às instâncias ordinárias, conforme a competência de cada investigado.
*Com informações da Agência Brasil.











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