O Nordeste encerrou 2025 com saldo positivo de 347.940 empregos formais, resultado da diferença entre admissões e desligamentos ao longo do ano, segundo análise da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quinta-feira (29/01/2026). O desempenho corresponde a uma média mensal de aproximadamente 28,9 mil vagas líquidas e posiciona a Região atrás apenas do Sudeste no ranking nacional, consolidando uma trajetória contínua de expansão após os saldos positivos de 293.465 postos em 2023 e 327.232 em 2024. No conjunto do país, o saldo de 2025 foi positivo, com quase 1,3 milhão de empregos.
Ao longo de 2025, Bahia, Pernambuco e Ceará lideraram a criação de empregos no Nordeste, com saldos de 94.380, 72.565 e 49.184 postos, respectivamente. Esses resultados equivalem a 27,1%, 20,8% e 14,1% do total regional no ano. Em seguida, aparecem Maranhão (31.713), Paraíba (31.043), Piauí (21.022), Alagoas (16.706), Rio Grande do Norte (15.870) e Sergipe (15.457).
O desempenho estadual evidencia a heterogeneidade do mercado de trabalho nordestino, com diferentes motores de crescimento conforme a estrutura produtiva local e a intensidade dos setores econômicos em cada unidade da federação.
Serviços e comércio como principais vetores
No recorte setorial, os serviços foram o principal motor da geração de empregos, respondendo por 55,4% das novas vagas criadas no Nordeste em 2025. O comércio contribuiu com 17,5%, enquanto a construção civil concentrou 14,1% e a indústria, 11,3%. A agropecuária teve participação mais limitada, com 1,7% do total de novos postos.
Esse perfil confirma a predominância do setor terciário na dinâmica recente do emprego regional, refletindo a expansão de atividades ligadas a serviços pessoais, empresariais, turismo e comércio varejista.
Destaques setoriais por estado
Os serviços tiveram peso especialmente elevado na Paraíba (77,1%), Alagoas (67,1%) e Bahia (57,7%), onde concentraram a maior parte do saldo anual. No comércio, destacaram-se Rio Grande do Norte, Maranhão e Sergipe, com participações próximas ou superiores a um quarto do saldo estadual, atingindo 29,7%, 27,9% e 25,7%, respectivamente.
Na indústria, o desempenho mais expressivo ocorreu no Rio Grande do Norte, onde o setor respondeu por 31,7% das vagas criadas no ano. Bahia (15,7%), Ceará e Piauí (ambos com 11,9%), além de Pernambuco (10,2%), apresentaram participações relevantes. Alagoas e Sergipe, por sua vez, registraram saldo negativo no segmento industrial.
A construção civil teve maior destaque em Sergipe e Pernambuco, com 25,8% do saldo anual em cada estado, seguidos por Ceará (19,3%), Piauí (18,3%) e Alagoas (14,9%). Já a agropecuária mostrou maior relevância no Rio Grande do Norte (6,88%), com resultados positivos também no Ceará (4,18%), Piauí (3,59%), Bahia (2,43%) e Alagoas (0,61%); em Sergipe, Maranhão e Paraíba, os registros foram negativos.
Recuo em dezembro reflete sazonalidade
Em dezembro de 2025, o mercado de trabalho apresentou retração, em linha com o padrão sazonal pós-festas de fim de ano observado em todo o país. O Nordeste registrou saldo negativo de 59.734 empregos, equivalente a 9,7% do total de 618.164 postos fechados no Brasil no mês. O resultado foi menos intenso apenas que o da região Norte. Centro-Oeste, Sul e Sudeste responderam, respectivamente, por 9,8%, 22% e 53,5% do saldo negativo nacional.
Segundo o economista da Sudene Miguel Vieira, “todas as unidades da federação refletiram o reequilíbrio natural após o pico do comércio e dos serviços”, análise que reforça o caráter pontual da queda observada no último mês do ano.











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