Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (22/01/2026), no gabinete da Fundação, em Feira de Santana, o diretor-presidente Antônio Carlos Daltro Coelho apresentou a nova configuração institucional da Fundação Municipal de Ciência & Tecnologia Egberto Tavares Costa (FUNTITEC). Desenvolvida sob a liderança do prefeito José Ronaldo, a reformulação decorre da Lei Municipal nº 4.400/2025, que altera a antiga fundação cultural, amplia suas atribuições para a área de ciência, tecnologia da informação e telecomunicações e vincula a entidade diretamente ao Gabinete do Prefeito, estabelecendo um novo marco para a política municipal de inovação, inclusão digital e infraestrutura tecnológica.
Reestruturação legal e novo papel institucional
A Lei Municipal nº 4.400, sancionada em 29 de dezembro de 2025 e publicada no Diário Oficial do Município, promoveu uma mudança estrutural na então Fundação Cultural Egberto Tavares Costa, que passou a se denominar Fundação Municipal de Ciência & Tecnologia Egberto Tavares Costa. O novo texto legal redefine a natureza jurídica da entidade como fundação pública de direito público, sem fins econômicos, dotada de autonomia gerencial, patrimonial, orçamentária e financeira, com prazo de duração indeterminado.
A legislação estabelece que a FUNTITEC passa a atuar como ente responsável pelo planejamento, execução, cooperação e avaliação das políticas municipais de ciência, tecnologia da informação e telecomunicações. Entre suas atribuições estão a modernização da infraestrutura digital do município, o assessoramento tecnológico à administração pública e o apoio a processos de inclusão digital, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade.
A vinculação direta ao Gabinete do Prefeito confere à fundação maior centralidade estratégica na formulação de políticas públicas, ampliando sua capacidade de articulação intersetorial e institucional dentro da estrutura administrativa do município.
Estrutura administrativa e equipe técnica
Durante a coletiva, Antônio Carlos Coelho detalhou a composição da Diretoria Executiva da nova FUNTITEC, que passa a contar com departamentos específicos voltados à gestão administrativa, difusão científica, pesquisa, projetos, sistemas, infraestrutura de telecomunicações e segurança cibernética. A presidência permanece sob sua responsabilidade, tendo como Chefe de Gabinete Amanda Santana.
A estrutura inclui ainda o Departamento Administrativo Financeiro, o Departamento de Difusão Científica e Pesquisa e o Departamento de Projetos e Sistemas, além de áreas recém-instituídas voltadas à infraestrutura de rede e à gestão de incidentes cibernéticos. Segundo o diretor-presidente, a organização foi concebida para responder às crescentes demandas tecnológicas da administração municipal e garantir maior eficiência na prestação de serviços digitais. Atualmente, cerca de 25 profissionais atuam na instituição, entre quadro permanente e prestadores de serviço.
A legislação também define conselhos de administração e fiscal, com participação de representantes do governo municipal, de instituições científicas, do setor empresarial e de veículos de comunicação, reforçando mecanismos de governança, controle e transparência.
Convênios acadêmicos e projetos estratégicos
A FUNTITEC já mantém convênios firmados com instituições de ensino superior instaladas em Feira de Santana, incluindo universidades públicas e privadas, com foco na integração entre pesquisa acadêmica e políticas públicas. Segundo Daltro Coelho, está em fase final a formalização de um convênio com uma universidade federal para o desenvolvimento de um projeto de usina fotovoltaica, que poderá atender não apenas a fundação, mas também outros órgãos municipais.
Essas parcerias visam fomentar projetos de pesquisa aplicada, inovação tecnológica e sustentabilidade energética, alinhando a atuação da fundação às tendências contemporâneas de transição digital e energética no setor público.
Patrimônio, equipamentos e inclusão digital
A fundação tem como patrimônio, além de sua sede administrativa, o Museu Parque do Saber Dival da Silva Pitombo e o Planetário. De acordo com a direção, já estão em curso articulações para captação de recursos não reembolsáveis destinados a projetos de pesquisa tecnológica, bem como negociações para obtenção de financiamento internacional voltado à construção de uma Praça de Ciências e à modernização dos equipamentos do planetário.
Outro ponto destacado foi a recuperação do Ônibus Digital da FUNTITEC, que será utilizado para retomar ações de inclusão digital na zona rural, levando capacitação tecnológica de forma itinerante, em modelo semelhante ao adotado em experiências anteriores no município.
No campo da infraestrutura, o Programa Feira Digital conta atualmente com cerca de 240 quilômetros de fibra óptica, interligando o Paço Municipal, secretarias, órgãos públicos, rádios de internet nos distritos, além de mais de 200 escolas municipais, unidades do CRAS e equipamentos de saúde.
Investimentos culturais e transição institucional
Ao contextualizar a transição da fundação, Daltro Coelho ressaltou que, até meados de 2024, o orçamento da entidade ainda era majoritariamente direcionado a atividades culturais. Nesse período, foram realizados investimentos superiores a R$ 2,1 milhões em bibliotecas municipais e equipamentos culturais, incluindo obras de manutenção predial e requalificação de espaços públicos.
Segundo o diretor-presidente, esses investimentos demonstram continuidade administrativa e compromisso com a preservação do patrimônio cultural, mesmo diante da ampliação do escopo institucional para ciência e tecnologia.
Biblioteca digital e preservação da memória
Durante a coletiva, foi assinada a ordem de serviço que autoriza a implantação de uma plataforma de biblioteca digital para as bibliotecas municipais. O contrato prevê acesso anual a um acervo de cerca de 30 mil livros digitais e 3 mil audiobooks, ampliando o acesso da população à leitura e à informação.
Para 2026, a FUNTITEC também planeja instalar, no Museu Parque do Saber, uma biblioteca dedicada a autores de Feira de Santana, com cerca de 600 obras doadas por representantes do meio acadêmico e cultural, além de um acervo científico já existente no museu.
Outro projeto anunciado é a criação de um espaço museológico para abrigar máquinas históricas do jornal Folha do Norte, doadas à fundação, com o objetivo de preservar a memória da imprensa e da comunicação no município.
Ciência e tecnologia como eixo estratégico municipal
A reformulação da FUNTITEC sinaliza uma mudança relevante na forma como Feira de Santana estrutura suas políticas públicas de inovação. Ao elevar ciência e tecnologia ao mesmo patamar estratégico de áreas tradicionais da administração, o município busca alinhar-se a modelos contemporâneos de gestão pública orientados por dados, conectividade e eficiência administrativa.
A centralização da fundação junto ao Gabinete do Prefeito amplia sua capacidade de coordenação, mas também impõe maior responsabilidade institucional, especialmente quanto à transparência, execução orçamentária e resultados concretos para a população. A robusta estrutura prevista em lei exige governança efetiva para evitar sobreposição de funções e dispersão de recursos.
Por outro lado, a ênfase em inclusão digital, infraestrutura de telecomunicações e parcerias acadêmicas aponta para um horizonte de médio e longo prazo, no qual a tecnologia deixa de ser apenas suporte administrativo e passa a integrar a estratégia de desenvolvimento econômico, social e educacional do município.












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