Uma operação conjunta do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) identificou, na manhã desta quarta-feira (28/01/2026), uma área utilizada como cemitério clandestino no município de Itabela, no extremo sul da Bahia. A ação, denominada “Cemitério Clandestino”, localizou o ponto no povoado de São João do Monte, conhecido como Montinho, onde foram encontradas ao menos três ossadas humanas, possivelmente ligadas a execuções atribuídas ao chamado “tribunal do crime”.
A ofensiva foi deflagrada pelo MPBA, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco Sul), em atuação conjunta com a SSP, com apoio das Polícia Civil da Bahia e Polícia Militar da Bahia. As equipes chegaram à área após levantamentos investigativos que apontavam o uso de uma região de mata fechada para a ocultação de cadáveres.
No local, os peritos encontraram restos mortais humanos, recolhidos pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), responsável pelos procedimentos periciais de identificação. Após a conclusão das análises, as ossadas deverão ser devolvidas às famílias, conforme os protocolos legais.
Continuidade das diligências e novas buscas
As autoridades informaram que o local permanecerá sob diligências, com o objetivo de localizar, recuperar e identificar outras possíveis vítimas. Paralelamente, as investigações avançam para mapear outros pontos que possam estar sendo utilizados como cemitérios clandestinos na região.
Levantamentos preliminares indicavam a existência de cerca de dez corpos enterrados clandestinamente na área, o que reforça a hipótese de um padrão sistemático de ocultação de crimes. As linhas investigativas concentram-se em grupos criminosos com atuação local e regional, associados a execuções sumárias.
Conexão com operação policial anterior
Os elementos que levaram à identificação do cemitério clandestino decorrem de investigações iniciadas após uma ação policial deflagrada em 20 de janeiro. Na ocasião, a operação foi conduzida pela 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (23ª Coorpin/1ª DT de Eunápolis), com apoio da Rondesp Extremo Sul e do 28º Batalhão da Polícia Militar.
Essa ação teve como foco o enfrentamento de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) atribuídos a um grupo criminoso atuante na região. Durante a operação, foram apreendidos armamentos, rádios comunicadores, aparelhos celulares, uma balaclava e vestimentas camufladas, indícios considerados relevantes para a estrutura operacional da organização investigada.
Impacto regional e desdobramentos
A identificação do cemitério clandestino amplia o alcance das investigações e pode resultar em novos inquéritos, além do aprofundamento das responsabilidades criminais dos envolvidos. As autoridades não descartam novas fases operacionais, inclusive com mandados judiciais adicionais, à medida que as perícias e análises de inteligência avancem.











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