A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a Operação Fogo Amigo II, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na comercialização ilegal de armas e munições nos estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. A ação, realizada em Juazeiro (BA), cumpre nove mandados de busca e apreensão, determina o sequestro de bens e o bloqueio de até R$ 10 milhões, além da suspensão das atividades econômicas de duas lojas, afastamento cautelar de funções públicas e outras medidas judiciais, em um desdobramento direto da operação iniciada em 2024.
A operação e os órgãos envolvidos
A ofensiva é conduzida pela Polícia Federal em ação integrada com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais do Ministério Público da Bahia, com o apoio da CIPE-Caatinga, do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior de Pernambuco, das Corregedorias Gerais da Polícia Militar da Bahia e de Pernambuco e do Exército Brasileiro. Ao todo, cerca de 80 policiais participam desta segunda fase da investigação.
Segundo as autoridades, o foco é interromper a cadeia de fornecimento ilícito que abastecia diferentes grupos criminosos na região Nordeste, utilizando estabelecimentos formais e agentes com acesso a estruturas públicas para dar aparência de legalidade às transações irregulares.
Medidas judiciais e alcance financeiro
Além das buscas, a Justiça autorizou o sequestro de bens e o bloqueio de valores que podem chegar a R$ 10 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa e impedir a continuidade das atividades ilegais. Duas lojas tiveram suas atividades econômicas suspensas, por suspeita de comercialização irregular de material bélico.
Também foi determinado o afastamento cautelar de investigados de funções públicas, medida considerada estratégica para evitar interferências nas apurações e coibir o uso indevido de cargos institucionais em favor do esquema.
Crimes investigados e penas previstas
Os investigados poderão responder por organização criminosa, comercialização ilegal de armas e munições, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. De acordo com a Polícia Federal, as penas somadas podem chegar a até 35 anos de reclusão, a depender do grau de envolvimento individual e da comprovação dos delitos.
As investigações indicam que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas, uso de empresas e intermediários e possível participação de agentes públicos, o que amplia a gravidade institucional do caso.
Relação com a Operação Fogo Amigo de 2024
A Operação Fogo Amigo II é um desdobramento direto da primeira fase, deflagrada em 21 de maio de 2024, quando a Polícia Federal realizou uma das maiores ofensivas contra o tráfico de armas no Nordeste. Na ocasião, foram empregados cerca de 320 policiais, com o cumprimento de 20 mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão.
A primeira fase atingiu agentes de segurança pública, CACs, empresários e lojas de armas e munições, evidenciando um esquema interestadual de fornecimento de armamento para facções criminosas nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Continuidade das investigações
A Polícia Federal informou que as investigações prosseguem e que novos desdobramentos não estão descartados, inclusive com a identificação de outros envolvidos e a ampliação das medidas judiciais. O material apreendido nesta fase será analisado para aprofundar o rastreamento financeiro e logístico da organização.











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