O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, discutiram a ampliação das parcerias bilaterais em conversa telefônica realizada quinta-feira (22/01/2026). Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo teve duração aproximada de 45 minutos e abordou áreas consideradas estratégicas, como defesa, comércio, saúde, energia, ciência e tecnologia.
Durante a conversa, os dois líderes também trataram da exploração de minerais críticos e terras raras, além da produção de biocombustíveis, temas considerados prioritários nas agendas de desenvolvimento econômico e transição energética dos dois países.
Os assuntos debatidos deverão ser aprofundados durante a visita oficial de Lula à Índia, prevista para ocorrer entre 19 e 21 de fevereiro de 2026, com uma agenda voltada ao fortalecimento das relações políticas e econômicas bilaterais.
Missão presidencial e papel da ApexBrasil
A viagem do presidente brasileiro e de sua comitiva está sendo organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como parte da estratégia de ampliar o comércio bilateral e atrair novos investimentos indianos para o Brasil. O encontro ocorre em paralelo às negociações para a ampliação do acordo Mercosul-Índia.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, a missão presidencial é considerada central para a política comercial brasileira. Ele destacou que a Índia representa um dos mercados com maior potencial de crescimento para as exportações brasileiras, em razão do tamanho de sua população e da diversificação de sua economia.
De acordo com Viana, a atual pauta comercial ainda é concentrada em poucos produtos, o que reforça a necessidade de diversificação das exportações brasileiras para o mercado indiano.
Comércio bilateral e setores estratégicos
Em 2025, o Brasil importou cerca de US$ 8,5 bilhões em produtos indianos, enquanto as exportações brasileiras para a Índia somaram aproximadamente US$ 7 bilhões. Os principais itens exportados foram petróleo, açúcar e melaço, gorduras e óleos vegetais e minério de ferro.
O governo brasileiro avalia que há espaço para ampliar a presença de produtos como óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e componentes automotivos, além de fortalecer parcerias industriais e tecnológicas.
Outro ponto destacado é a intenção de ampliar a cooperação agrícola, com a participação da Embrapa e da agricultura familiar brasileira, visando contribuir para o aumento da produtividade de pequenos produtores rurais indianos.
Interesse empresarial e expansão institucional
A missão presidencial à Índia deverá contar com uma ampla participação do setor privado brasileiro. Segundo a ApexBrasil, quase 200 empresários já manifestaram interesse em integrar a comitiva, número que tende a crescer nos próximos dias.
A agenda prevê encontros com executivos de grandes empresas indianas com investimentos no Brasil, além do anúncio de novos aportes previstos para os próximos quatro a cinco anos. Durante a visita, a ApexBrasil também deverá inaugurar seu escritório em Nova Délhi, o 20º da agência no exterior, reforçando a presença institucional brasileira no mercado asiático.
*Com informações da Agência Brasil.











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