Desde 2010, o município de Feira de Santana mantém de forma contínua o Programa Municipal de Tratamento das Gigantomastias, responsável por cirurgias reparadoras de mama realizadas no Hospital Inácia Pinto dos Santos. A iniciativa, única no Brasil com esse desenho institucional, é integralmente custeada pelo Poder Público Municipal, por meio da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, e atende exclusivamente mulheres residentes no município.
O programa prioriza pacientes em situação de vulnerabilidade econômico-social, que sejam mães, maiores de idade e apresentem mamas com peso superior a 4 quilos, critérios definidos em triagem bianual conduzida pela rede municipal de saúde. Trata-se de uma política pública estruturada, com fluxo regular de inscrição, seleção, acompanhamento clínico e pós-operatório, sem qualquer custo para as beneficiárias.
Reconhecimento público e ampliação em 2026
Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (21/01/2026), o prefeito José Ronaldo de Carvalho destacou o impacto social e sanitário do programa ao apresentar o balanço dos serviços de saúde prestados em 2025, executados pela Fundação Hospitalar e pela Secretaria Municipal de Saúde. Segundo o gestor, o programa será ampliado em 2026, com 500 mulheres selecionadas, das quais 130 já estão aptas a realizar o procedimento cirúrgico.
Concluída essa etapa, a Prefeitura abrirá novo processo de inscrição e seleção, assegurando a continuidade do atendimento e a ampliação gradual do acesso para outras mulheres da rede pública municipal.
Cirurgia reparadora como política de saúde pública
Ao tratar do alcance do programa, o prefeito ressaltou que a cirurgia de redução mamária possui efeitos diretos sobre a saúde física, ao aliviar dores crônicas na coluna, ombros e pescoço, reduzir problemas posturais e dermatológicos, além de produzir impacto relevante no bem-estar psicológico, na autoestima e na qualidade de vida das pacientes.
As cirurgias são realizadas no Hospital Municipal da Mulher, unidade sob gestão de Gilberte Lucas, responsável pela coordenação operacional e pelo acompanhamento assistencial das pacientes em todas as fases do tratamento.
A visão médica e o impacto na vida das pacientes
Coordenador do programa, o cirurgião plástico César Kelly Villafuerte Velez destacou em entrevista que os resultados ultrapassam a dimensão clínica. Segundo o médico, após a retirada do excesso mamário, “as mulheres se sentem renovadas e passam a ter uma vida muito melhor, com autoestima elevada e melhora significativa na vida sexual”.
César Kelly também enfatiza o caráter público e exemplar da iniciativa. Para ele, o programa municipal deveria servir de modelo para outras prefeituras e governos estaduais, por tratar-se de um problema de saúde pública frequentemente negligenciado. Na sua avaliação, a política tem como diferencial o apoio integral às mulheres, especialmente àquelas historicamente excluídas do acesso a procedimentos de alto custo.
Quem é César Kelly Villafuerte Velez
Natural de Medellín, na Colômbia, César Kelly iniciou sua formação médica em seu país de origem e posteriormente se transferiu para o Brasil, onde se naturalizou brasileiro e construiu carreira sólida na Bahia. Em Feira de Santana, tornou-se referência em cirurgia reparadora, tendo recebido o Título de Cidadão Feirense e diversas homenagens institucionais.
Sua trajetória inclui formação com grandes referências da cirurgia plástica, como Ivo Pitangui, no Rio de Janeiro. Ao longo das décadas, atuou em diferentes unidades hospitalares do município, com vínculo histórico com instituições ligadas à Santa Casa de Misericórdia.
Atuação científica, social e humanitária
Além da prática clínica, César Kelly desenvolveu intensa atuação científica e educacional, organizando jornadas médicas, participando de congressos nacionais e internacionais e promovendo mutirões de cirurgias reparadoras. Esses mutirões ampliaram o acesso de mulheres de baixa renda a procedimentos que, na rede privada, possuem custo elevado.
Relatos recorrentes de pacientes e profissionais indicam que o médico, em diversas ocasiões, realizou procedimentos sem cobrança ou com valores simbólicos, quando identificada a impossibilidade financeira das pacientes, reforçando o caráter humanitário de sua atuação.
Política pública, continuidade e institucionalização
A manutenção do programa desde 2010 revela um raro caso de continuidade administrativa na saúde pública municipal. A iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à saúde da mulher e demonstra convergência entre política pública, competência técnica e compromisso social.
A ampliação prevista para 2026 reforça a intenção da gestão municipal de consolidar o programa como política estruturante, com previsibilidade, critérios claros de acesso e acompanhamento clínico adequado, afastando o risco de ações pontuais ou descontínuas.












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