Sindicato dos Jornalistas da Bahia lamenta a morte de Gilson Nascimento, referência do jornalismo baiano

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) manifestou profundo pesar pela morte do jornalista Gilson Nascimento Reis, ocorrida na segunda-feira (06/01), em Salvador, aos 87 anos. Nascido em 13 de abril de 1938, Gilson construiu uma trajetória marcada pela sobriedade, pela precisão textual e pela contribuição consistente ao jornalismo profissional na Bahia, deixando legado reconhecido por colegas de redação e instituições da comunicação.

Poeta e jornalista, Gilson era conhecido por um estilo de escrita leve, límpido e rigoroso, associado a uma postura pessoal serena e solidária. Sua atuação atravessou momentos decisivos da imprensa baiana, especialmente no período de forte tensão política vivido por veículos independentes durante o regime militar, quando o exercício do jornalismo exigia coragem, técnica e discernimento.

A cerimônia de despedida ocorre nesta terça-feira (07/01), no Cemitério do Campo Santo, sala 3, com velório iniciado às 7h e sepultamento previsto para as 10h. Familiares, amigos, jornalistas e representantes de entidades da categoria prestam as últimas homenagens ao profissional.

Trajetória profissional e atuação no Jornal da Bahia

Gilson Nascimento teve passagem marcante pelo Jornal da Bahia, onde exerceu a função de chefe dos copidesques em um dos períodos mais sensíveis da história do jornal. À época, o veículo enfrentava embates diretos com o então governador Antônio Carlos Magalhães, nomeado em 1970 pela ditadura militar, que demonstrava reiterada hostilidade à linha editorial do periódico fundado por João Falcão.

Segundo relatos de colegas, Gilson exerceu papel fundamental na organização da redação, na qualificação dos textos e na preservação de padrões editoriais elevados, mesmo sob pressão política. Seu trabalho contribuiu para que o Jornal da Bahia mantivesse relevância e credibilidade em um contexto adverso à liberdade de imprensa.

O jornalista, publicitário e escritor Marcelinho Simões, que atuou na redação do jornal, recorda Gilson como uma figura de equilíbrio em meio às tensões institucionais do período, destacando sua capacidade de liderança discreta e sua postura ética diante dos desafios impostos à atividade jornalística.

Atuação institucional na comunicação pública

Além da imprensa, Gilson Nascimento integrou os quadros da Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia, onde foi um dos principais auxiliares do então secretário Fernando Vita, também egresso do Jornal da Bahia. No ambiente institucional, manteve a mesma postura técnica e conciliadora que marcou sua atuação nas redações.

Relatos de colegas indicam que Gilson exercia função estratégica na mediação entre a comunicação governamental e os princípios do jornalismo profissional, contribuindo para a organização dos fluxos de informação e para a qualidade dos conteúdos produzidos pelo órgão.

Sua passagem pelo serviço público é lembrada como um período de profissionalização e respeito à técnica jornalística, em contraste com estilos mais intempestivos comuns ao ambiente político-administrativo da época.

Reconhecimento e legado

O Sinjorba ressaltou, em nota, que a morte de Gilson Nascimento representa uma perda significativa para o jornalismo baiano. O sindicato destacou não apenas sua competência profissional, mas também sua postura humana, marcada pela cordialidade, pelo compromisso coletivo e pela defesa silenciosa, porém firme, da liberdade de imprensa.

Colegas de diferentes gerações reconhecem em Gilson um exemplo de jornalista formado na tradição do texto bem apurado, da edição criteriosa e do respeito absoluto ao leitor, valores cada vez mais raros em um ambiente midiático marcado pela aceleração e pela superficialidade informativa.

Sua trajetória permanece como referência para profissionais que compreendem o jornalismo como serviço público, mesmo quando exercido fora das estruturas estatais.


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