O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, participou nesta terça-feira (27/01/2026), ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, da solenidade que oficializou o contrato firmado entre a Goldwind e a EDF Renewables. A parceria marca a reativação da Fábrica de Torres de Aço no município de Jacobina e consolida a Bahia como um dos principais polos da cadeia eólica no Brasil. O evento foi realizado na sede da Goldwind, em Camaçari, reunindo representantes do setor produtivo e do governo estadual.
Durante a cerimônia, Geraldo Júnior destacou o impacto estrutural do investimento para o desenvolvimento econômico e industrial do estado. Segundo o vice-governador, a reativação da unidade industrial reforça a estratégia baiana de interiorização do crescimento, ao combinar geração de empregos, fortalecimento da indústria local e expansão de uma matriz energética alinhada às exigências ambientais contemporâneas.
O anúncio insere-se em um contexto mais amplo de expansão da cadeia produtiva de energias renováveis na Bahia, que já ocupa posição de destaque nacional na geração de energia eólica. A retomada da fábrica em Jacobina é vista como um vetor adicional para ampliar a capacidade produtiva do estado e reduzir gargalos logísticos no fornecimento de componentes estratégicos para parques eólicos.
Retomada industrial e impacto regional
A reativação da Fábrica de Torres de Aço em Jacobina terá impacto direto sobre a economia regional, com a retomada de atividades industriais e a reativação de segmentos associados à produção de componentes eólicos. A expectativa do governo estadual é de que a iniciativa impulsione a geração de empregos diretos e indiretos, além de estimular a formação de mão de obra especializada no interior do estado.
O projeto integra um conjunto de investimentos considerados estruturantes pelo Governo da Bahia, voltados à consolidação de uma base industrial vinculada à transição energética. Ao fortalecer a produção local de torres e equipamentos, o estado busca ampliar sua competitividade no setor eólico e reduzir a dependência de insumos provenientes de outras regiões ou do exterior.
Além do impacto econômico imediato, a retomada da fábrica é apontada como um elemento de estabilidade para a cadeia produtiva, ao assegurar previsibilidade para fornecedores, prestadores de serviços e municípios que sediam empreendimentos eólicos em expansão.
Estratégia estadual para energias renováveis
O anúncio também reforça a política estadual de atração de grandes projetos no setor de energias renováveis, com foco em sustentabilidade, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados. O investimento conta com incentivos fiscais formalizados em protocolo de intenções assinado entre a Goldwind e o Governo da Bahia em março de 2023, mecanismo utilizado pelo estado para viabilizar projetos de grande porte.
O acordo prevê, ainda, a implantação de um parque de fornecedores de componentes eólicos, com pelo menos seis empresas do setor. Entre elas está a Sinoma, que já possui operação instalada na Bahia, ampliando o adensamento industrial da cadeia eólica no território baiano.
Esse movimento é interpretado pelo governo como fundamental para transformar a Bahia não apenas em produtora de energia limpa, mas também em um polo industrial completo, capaz de agregar valor e conhecimento tecnológico ao setor.
Inovação e armazenamento de energia
Outro destaque do acordo é o avanço na área de inovação tecnológica, por meio da parceria entre a Goldwind e o SENAI Cimatec. A cooperação viabiliza a implantação do primeiro projeto de Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) integrado a um aerogerador da empresa no município de Tanque Novo.
O projeto associa geração e armazenamento de energia renovável em um mesmo sistema, ampliando a eficiência e a confiabilidade do fornecimento elétrico. A iniciativa é considerada estratégica diante dos desafios de intermitência característicos das fontes eólica e solar, e posiciona a Bahia na vanguarda de soluções tecnológicas aplicadas ao setor energético.
A integração entre indústria, governo e centros de pesquisa é apontada como um dos pilares para garantir competitividade de longo prazo e inserção do estado em cadeias globais de inovação.
Capacidade produtiva e expectativas de mercado
Inaugurada em agosto de 2024, a fábrica da Goldwind em Camaçari é a primeira unidade da empresa fora da China. Com investimento estimado em R$ 150 milhões, a planta possui capacidade de produção de até 150 aerogeradores por ano, com potência entre 6,2 e 8,3 megawatts, patamar superior ao dos equipamentos atualmente fabricados no país.
A expectativa é que a unidade alcance participação entre 25% e 30% do mercado brasileiro de turbinas eólicas, gerando cerca de 250 empregos diretos e 750 indiretos. Esses números reforçam o papel estratégico da Bahia como hub industrial e logístico da energia eólica no Brasil.
Para o governo estadual, a combinação entre produção de aerogeradores, fabricação de torres de aço e desenvolvimento de tecnologias de armazenamento cria um ecossistema industrial robusto, com efeitos multiplicadores sobre a economia baiana.











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