Domingo (22/02/2026) — Um estudo inédito do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC) revelou que 56% das farmácias independentes brasileiras tiveram redução de lucro entre 2020 e 2024, em um contexto marcado por inflação acumulada de 35,3%, aumento da concorrência e pressão sobre margens. O levantamento, intitulado “Visão 360º do mercado farmacêutico no Brasil – Um mapeamento das expectativas através dos seus principais agentes”, ouviu 2.200 proprietários de lojas não vinculadas à Abrafarma e analisou percepções estratégicas, desafios operacionais e tendências de mercado.
Segundo a entidade, o objetivo do estudo é oferecer um panorama abrangente sobre os diferentes elos do setor farmacêutico — indústria, distribuidores, médicos, propagandistas, consumidores e farmácias — permitindo decisões mais estruturadas, especialmente para os pequenos e médios empresários.
De acordo com Edison Tamascia, presidente da Febrafar, compreender como cada agente enxerga o mercado é essencial para orientar estratégias em um ambiente cada vez mais competitivo e dinâmico.
Queda de lucro e estagnação marcam cenário recente
Os dados indicam um cenário de forte pressão financeira sobre as farmácias independentes:
- 19% relataram redução acentuada de lucro
- 37% apontaram redução moderada
- 34% registraram estagnação
- Apenas 10% tiveram crescimento (8% pouco e 2% muito)
Considerando o índice inflacionário acumulado no período, mesmo parte das empresas que reportaram estabilidade pode ter experimentado perda real de poder de compra e margem operacional.
O resultado reforça a percepção de fragilidade estrutural de parte do varejo farmacêutico independente diante do avanço de grandes redes, consolidação de mercado e digitalização acelerada.
Concorrência e fluxo de caixa lideram lista de obstáculos
Entre os principais fatores que impactaram o desempenho das farmácias no período analisado, destacam-se:
- 42% apontaram aumento da concorrência
- 21% citaram dificuldades de fluxo de caixa
- 15% mencionaram aumento de custos
- 14% relataram redução das margens
O levantamento também investigou expectativas futuras. Para os próximos anos, 52% esperam maior concorrência, enquanto 21% projetam novas reduções de margens. Outros 14% indicam possível diminuição de descontos comerciais e 12% demonstram preocupação com a contratação de funcionários.
Esses dados revelam uma percepção de continuidade das pressões estruturais, sobretudo em relação à competitividade e à rentabilidade.
Estratégias indefinidas preocupam especialistas
Um dos pontos mais relevantes do estudo é o diagnóstico estratégico das farmácias independentes. Entre os entrevistados:
- 47% ainda não definiram estratégia clara para manter competitividade
- 14% pretendem “comprar melhor”
- 11% planejam reduzir custos
- 9% buscam ampliar delivery
- 7% avaliam reformar a loja ou melhorar o mix de produtos
A ausência de planejamento estratégico formal em quase metade dos estabelecimentos sugere dificuldades na adaptação às transformações do mercado, especialmente em um ambiente de alta concorrência e margens comprimidas.
No campo da fidelização, apenas 8% utilizam cadastro de clientes com foco em aumento de vendas. Entre os que adotam programas de fidelidade, 92% os utilizam exclusivamente para concessão de descontos, sem explorar potencial analítico ou relacional.
Digitalização avança, mas comportamento do consumidor divide opiniões
A pesquisa também identificou mudanças nas compras e nas parcerias comerciais. 93% das farmácias planejam ampliar o uso de canais digitais, sinalizando avanço da digitalização no setor. Apenas 8% indicaram intenção de fortalecer parcerias estratégicas.
Em relação às relações com fornecedores, 41% afirmaram manter parcerias baseadas em modelo “Ganha-Ganha”, evidenciando tentativa de equilíbrio comercial.
Quanto ao comportamento do consumidor:
- 15% acreditam que clientes serão mais exigentes;
- 27% esperam crescimento das compras não presenciais;
- 29% projetam maior comparação de preços;
- 46% não preveem mudanças significativas.
O dado revela divergência de percepção sobre a velocidade das transformações no consumo farmacêutico.








Deixe um comentário