Bahia registra menor desemprego da série histórica em 2025, mas mantém 2ª maior taxa do país, aponta IBGE

Salvador, segunda-feira (23/02/2026) — A Bahia encerrou 2025 com taxa de desocupação de 8,7%, a mais baixa desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do recuo pelo quarto ano consecutivo, o estado manteve a segunda maior taxa de desemprego do país, empatado com Pernambuco (8,7%) e abaixo apenas do Piauí (9,3%), permanecendo acima da média nacional (5,6%).

O resultado consolida uma tendência iniciada após o pico da crise sanitária e econômica. Ainda assim, ao longo de toda a série histórica da PNADC, a Bahia permaneceu entre as quatro unidades da Federação com maiores taxas de desocupação, tendo liderado o ranking em 2016, 2020, 2021 e 2024.

No quarto trimestre de 2025, o desemprego recuou para 8,0%, a menor taxa trimestral já registrada no estado. Mesmo com o avanço, a Bahia manteve-se entre os piores desempenhos nacionais no período.

Cresce número de ocupados e cai contingente de desempregados

A redução da taxa anual foi impulsionada por dois movimentos simultâneos. O total de pessoas ocupadas cresceu 3,4% em relação a 2024, alcançando 6,511 milhões de trabalhadores, o maior número da série histórica. Em termos absolutos, foram 216 mil novos ocupados, marcando o quinto avanço anual consecutivo.

Paralelamente, o número de pessoas desocupadas caiu 18,8%, totalizando 621 mil, o menor contingente já registrado no estado. Foi o quarto recuo anual consecutivo do desemprego.

A população fora da força de trabalho também diminuiu, chegando a 5,042 milhões de pessoas, queda de 0,5% frente a 2024. Entre essas, 500 mil eram desalentadas, grupo que recuou 8,8% no ano, embora a Bahia continue liderando o número absoluto de desalentados no país.

Avanço do emprego ocorre com predominância da informalidade

O crescimento do emprego em 2025 esteve fortemente concentrado na informalidade. Dos 216 mil novos ocupados, 172 mil estavam em postos informais, o equivalente a 79,6% do saldo total. Em termos práticos, oito em cada dez pessoas que passaram a trabalhar no estado ingressaram em ocupações informais.

O total de trabalhadores informais atingiu 3,439 milhões, recorde da série iniciada em 2016 para esse indicador. Com isso, a taxa de informalidade subiu de 51,4% para 52,8%, passando da 6ª para a 3ª maior do país, atrás apenas de Maranhão (58,7%) e Pará (58,5%).

O avanço foi impulsionado principalmente pelo crescimento dos trabalhadores por conta própria sem CNPJ, que aumentaram significativamente no período. Já o número de empregadores caiu 12,0%, e o de empregados no setor público recuou 1,6%.

Setores que mais geraram e perderam vagas

Entre as dez atividades econômicas investigadas, sete registraram aumento de ocupação. O maior crescimento absoluto ocorreu no segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com mais 89 mil trabalhadores (+16,5%).

A administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde veio em seguida, com acréscimo de 85 mil ocupados (+7,3%). O maior crescimento percentual foi observado em “outros serviços” (+21,8%).

Por outro lado, a indústria geral perdeu 56 mil trabalhadores (-9,6%), seguida por alojamento e alimentação (-43 mil) e serviços domésticos (-27 mil).

Salvador e Região Metropolitana

Em Salvador, a taxa anual de desocupação foi de 8,9%, a menor da série histórica municipal. A capital deixou de ter a maior taxa entre as capitais e passou a ocupar a quinta posição. No quarto trimestre, o indicador ficou em 8,2%.

Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), a taxa anual foi de 10,1%, também a menor da série histórica, porém ainda a mais elevada entre as 21 regiões metropolitanas pesquisadas. No quarto trimestre, a RMS registrou 9,5%.

Rendimento médio cresce pouco e permanece entre os mais baixos do país

O rendimento médio real habitual na Bahia foi de R$ 2.284 em 2025, alta de apenas 1,8% frente ao ano anterior — o terceiro menor avanço entre os estados. O valor é o segundo mais baixo do país, acima apenas do Maranhão (R$ 2.228).

No Brasil, o rendimento médio cresceu 5,7%, alcançando R$ 3.560. Com o resultado, a Bahia caiu para a 26ª posição no ranking nacional de rendimentos.

Em Salvador, o rendimento médio foi de R$ 3.133 (+10,7%), mas ainda o segundo mais baixo entre as capitais. Na RMS, o valor chegou a R$ 2.945 (+5,4%), também o segundo menor entre as regiões metropolitanas.

Apesar do avanço modesto da renda média, a massa de rendimento real — soma dos rendimentos de todos os trabalhadores — cresceu 5,4%, atingindo R$ 14,587 bilhões, maior valor da série histórica.


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