Na quarta-feira (06/02/2026), o Brasil formalizou a adesão à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo de Cadernetas TIR, acordo administrado pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece). A medida integra o país a um sistema global de trânsito aduaneiro e está associada ao avanço do Corredor Bioceânico rodoviário, rota que conecta o Oceano Pacífico ao Atlântico.
O tratado entrará oficialmente em vigor no Brasil em 30 de julho de 2026 e tem como objetivo simplificar processos alfandegários, reduzir burocracia e diminuir o tempo de passagem de cargas pelas fronteiras. Com a adesão, o Brasil passa a compor o grupo de países sul-americanos que já participam do mecanismo, como Argentina, Chile e Uruguai.
A expectativa apresentada por organismos internacionais é de que o sistema contribua para maior integração comercial regional e aumento da competitividade logística, especialmente em rotas terrestres de longa distância.
Integração aduaneira e transporte internacional
A Convenção TIR estabelece procedimentos padronizados de controle aduaneiro, permitindo que mercadorias circulem entre países com garantias únicas e menor necessidade de inspeções sucessivas em cada fronteira. O modelo reduz etapas administrativas e custos operacionais para transportadores.
Segundo dados técnicos divulgados no contexto da adesão, o sistema pode reduzir o tempo de transporte transfronteiriço em até 92% e diminuir custos logísticos em até 50%, dependendo da rota e da infraestrutura local.
Com a inclusão brasileira, o acordo passa a contar com 79 Estados Partes em nível mundial, ampliando a cobertura do mecanismo em cadeias logísticas internacionais.
Corredor Bioceânico conecta portos estratégicos
A adesão ocorre paralelamente ao avanço do Corredor Bioceânico rodoviário, projeto de infraestrutura que liga os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, ao porto de Santos, no Brasil, atravessando Paraguai e Argentina. A extensão total prevista é de 2.396 quilômetros.
O porto de Santos, localizado no estado de São Paulo, concentra cerca de 30% do comércio exterior brasileiro, com movimentação estimada em US$ 629 bilhões em mercadorias. A conexão com o Pacífico deve encurtar trajetos para mercados asiáticos.
Estimativas indicam que o corredor poderá transportar mais de 8,6 milhões de toneladas por ano, com impacto econômico superior a US$ 3 bilhões em setores como agricultura, celulose, proteína animal e mineração.
Redução de custos e prazos logísticos
Projeções associadas ao projeto apontam que a melhoria da conectividade poderá reduzir os custos de transporte de cargas entre 30% e 40% e encurtar os prazos de envio em até 15 dias, especialmente em rotas que hoje dependem de transporte marítimo mais longo.
A padronização aduaneira proporcionada pelo TIR também tende a diminuir filas em postos de fronteira, inspeções repetidas e retenções documentais, fatores que elevam o custo final das exportações.
O cenário é considerado estratégico para ampliar a competitividade de produtos sul-americanos em mercados internacionais, além de fortalecer cadeias produtivas regionais.
Sistema eletrônico eTIR digitaliza procedimentos
A Unece destaca ainda a implementação do sistema eletrônico eTIR, que substitui cadernetas físicas por documentação digital integrada, com troca de dados entre autoridades aduaneiras em tempo real.
A digitalização permite maior rastreabilidade das cargas, redução de erros operacionais e simplificação do controle documental, contribuindo para diminuir o tempo de espera nas fronteiras.
A adesão brasileira é apresentada como parte de uma estratégia de modernização logística e integração econômica regional, alinhada a acordos comerciais multilaterais e à expansão de corredores de transporte internacional.
*Com informações da ONU News.










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