Escalada no Oriente Médio: EUA e Israel atacam o Irã, deixam dezenas de mortos e provocam reação global; Brasil condena ofensiva e pede negociação

O governo brasileiro condenou os ataques militares realizados neste sábado (28/02/2026) pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, afirmando que a escalada militar ocorre em meio a negociações diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano e representa risco à estabilidade internacional. Em nota oficial divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty declarou que a negociação é o único caminho viável para a paz, reiterando a posição histórica do Brasil em defesa do diálogo e do respeito ao Direito Internacional. A ofensiva desencadeou reações em cadeia no Oriente Médio, incluindo lançamento de mísseis iranianos, fechamento de espaços aéreos e manifestações de preocupação de diversos governos e organizações internacionais.

Ataques ocorrem em meio a negociações nucleares

Na manhã deste sábado (28), Israel lançou ataques aéreos contra alvos no Irã, classificando a operação como uma ação preventiva. Pouco depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a realização de “grandes operações de combate” no território iraniano, afirmando que o objetivo seria eliminar ameaças consideradas iminentes ao país.

As ações militares ocorreram poucos dias após Irã e Estados Unidos retomarem negociações diplomáticas, na quinta-feira (26/02/2026), em busca de uma solução para a longa disputa envolvendo o programa nuclear iraniano.

Governos ocidentais, incluindo Washington e aliados europeus, sustentam que o programa nuclear de Teerã poderia ser utilizado para desenvolvimento de armas nucleares. O governo iraniano rejeita reiteradamente a acusação e afirma que suas atividades nucleares têm finalidade exclusivamente civil.

Para o Itamaraty, a ofensiva militar compromete o processo de diálogo em andamento. Na nota oficial, o governo brasileiro declarou:

O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.

Comunidade brasileira na região recebe orientações

O Ministério das Relações Exteriores informou que a rede diplomática brasileira no Oriente Médio acompanha os desdobramentos da crise.

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, mantém contato com a comunidade brasileira residente no país, transmitindo atualizações sobre a situação de segurança e orientações às famílias.

As embaixadas brasileiras em outros países da região também monitoram os acontecimentos e prestam assistência consular. O Itamaraty recomendou que brasileiros que estejam no Oriente Médio sigam rigorosamente as orientações de segurança das autoridades locais.

Reações internacionais e temor de escalada regional

A ofensiva militar provocou reações imediatas de diversos governos e organizações internacionais.

A China manifestou “extrema preocupação” com os ataques e pediu interrupção imediata das ações militares, além da retomada das negociações diplomáticas para preservar a estabilidade regional.

A União Africana também expressou preocupação com a escalada do conflito, alertando que um confronto ampliado pode gerar impactos sobre mercados de energia, segurança alimentar e estabilidade econômica, sobretudo em países africanos que já enfrentam pressões internas.

O bloco africano defendeu desescalada urgente, respeito à Carta das Nações Unidas e apoio a iniciativas de mediação conduzidas por Omã, tradicional interlocutor em negociações regionais.

Países do Golfo denunciam ataques e invocam direito de resposta

Governos do Golfo Pérsico também reagiram aos acontecimentos. O Catar condenou o lançamento de mísseis balísticos iranianos contra seu território e classificou o episódio como violação de sua soberania.

Doha declarou que se reserva o direito de responder de forma proporcional, conforme o direito internacional, mas reiterou que historicamente tem defendido o diálogo com Teerã como instrumento para resolução de disputas regionais.

A Arábia Saudita acusou o Irã de realizar uma “flagrante agressão” contra países da região, citando ataques que teriam violado a soberania de Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait e Jordânia.

O governo saudita declarou solidariedade aos países afetados e alertou para as “graves consequências” da contínua violação dos princípios do direito internacional.

Reações de líderes mundiais ampliam pressão por diálogo

A escalada militar também provocou reações de líderes internacionais.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o conflito pode ter “graves consequências para a paz e a segurança internacional”, defendendo a convocação de uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Rússia condenou a ofensiva militar. O chanceler Serguei Lavrov classificou os ataques como “não provocados” e pediu retorno imediato à via diplomática.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou a ação militar unilateral e afirmou que a escalada contribui para tornar a ordem internacional mais instável.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, descreveu os acontecimentos como “desenvolvimentos perigosos”, informando que a UE coordena esforços com parceiros regionais para buscar soluções diplomáticas e facilitar a retirada de cidadãos europeus da área de conflito.

Retaliação iraniana e impacto regional

Após os ataques iniciais, o Irã respondeu lançando mísseis e drones contra Israel, segundo informações divulgadas por autoridades militares israelenses e pela agência iraniana Tasnim.

Explosões foram registradas em cidades do Golfo, incluindo Doha e Abu Dhabi, embora autoridades locais afirmem ter interceptado os projéteis direcionados aos seus territórios.

Relatos também indicam que um míssil teria atingido a área da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, no Bahrein, embora não haja confirmação oficial sobre danos estruturais relevantes.

Diversos países do Oriente Médio fecharam seus espaços aéreos, provocando cancelamento de voos e interrupção de rotas comerciais na região.Vítimas civis e impactos humanitários

A televisão estatal iraniana informou que 51 pessoas morreram após um ataque aéreo atingir uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã. Segundo autoridades locais, 60 estudantes ficaram feridas.

De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, mais de 20 das 31 províncias do país foram afetadas pelos ataques.

Também foram registrados incidentes em países vizinhos. Nos Emirados Árabes Unidos, uma pessoa morreu após ser atingida por destroços de mísseis interceptados.

No Iraque, um bombardeio contra uma base militar ligada a milícias pró-Irã deixou dois combatentes mortos e cinco feridos.

Já no sul da Síria, um ataque com mísseis iranianos resultou na morte de quatro pessoas, segundo autoridades locais.


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