O Brasil e a Índia avançaram nas negociações para expandir a cooperação agrícola e ampliar o comércio bilateral, durante agenda oficial realizada em Nova Délhi. O encontro reuniu autoridades dos dois governos e definiu como meta elevar o intercâmbio comercial de US$ 15 bilhões, registrado em 2025, para US$ 20 bilhões até 2030, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O volume alcançado no último ano representa crescimento de 25,5% em relação ao período anterior, indicando ampliação das trocas de produtos agropecuários entre os países. A estratégia inclui abertura de novos mercados, fortalecimento tecnológico e integração produtiva.
Participaram da reunião o ministro indiano Shivraj Singh Chouhan, além dos ministros brasileiros Carlos Fávaro e Paulo Teixeira, responsáveis pelas pastas de Agricultura e Pecuária e de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, respectivamente.
Expansão de mercados e produtos prioritários
Durante as tratativas, o governo brasileiro apresentou propostas de ampliação do acesso a produtos agropecuários, incluindo feijão-guandu, carne de frango e erva-mate. Em contrapartida, o Brasil sinalizou abertura para importar romã e noz macadâmia de origem indiana.
De acordo com o ministro Carlos Fávaro, o diálogo bilateral busca diversificar a pauta comercial e reduzir barreiras sanitárias e técnicas, favorecendo o fluxo de mercadorias entre os dois países.
A negociação prevê também maior intercâmbio institucional entre órgãos reguladores, com o objetivo de acelerar certificações, inspeções e protocolos fitossanitários.
Bioinsumos, tecnologia e sustentabilidade
Além da pauta comercial, os ministros discutiram bioinsumos, mecanização agrícola, inteligência artificial aplicada ao campo e sustentabilidade produtiva. A cooperação técnica inclui troca de pesquisas e desenvolvimento de soluções adaptadas às condições tropicais.
O uso de bioinsumos foi apontado como área estratégica para reduzir dependência de insumos químicos e elevar a eficiência produtiva, alinhando crescimento agrícola e preservação ambiental.
Segundo o Ministério da Agricultura, a parceria deve envolver universidades, centros de pesquisa e empresas privadas para compartilhar conhecimento e acelerar inovação tecnológica.
Integração produtiva e modernização rural
O ministro Paulo Teixeira destacou que as agriculturas brasileira e indiana apresentam características complementares, com potencial de cooperação em melhoramento genético, modernização de máquinas e digitalização do campo.
Como exemplo de integração já existente, foi mencionada a atuação de empresas brasileiras no mercado indiano de genética bovina, segmento voltado ao aumento da produtividade pecuária.
A visita oficial reforça a intenção de consolidar segurança alimentar, modernização tecnológica e ampliação do comércio exterior como pilares da parceria estratégica entre os dois países.










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