Na segunda-feira (09/02/2026), às vésperas do início oficial do Carnaval de Salvador, dados da plataforma Nomes no Brasil, do Censo 2022 do IBGE, revelam um retrato curioso da cultura popular: a frequência dos nomes de alguns dos principais cantores e cantoras da festa entre os moradores da capital baiana. O levantamento mostra diferenças expressivas entre nomes consagrados do axé e sua popularidade real entre a população, evidenciando transformações culturais, modas linguísticas e ciclos geracionais.
Ivete e Daniela: contrastes entre ícones e popularidade nominal
Apesar de ser uma das artistas mais conhecidas do Carnaval, o nome Ivete é pouco comum em Salvador. Existem 479 mulheres chamadas Ivete na cidade, o que o coloca como 421º nome feminino mais frequente. A maior parte das homônimas nasceu na década de 1950, antes do nascimento da cantora, em 1972.
O cenário é diferente para Daniela, nome da cantora Daniela Mercury. Em Salvador, existem 5.271 Danielas, o que torna o nome o 23º mais comum entre as mulheres da capital. O auge da popularidade ocorreu na década de 1980, quando nasceram 2.630 mulheres com esse nome, período posterior ao nascimento da artista, em 1965.
Margareth, Alinne e Sarajane: nomes raros e grafias distintas
A ministra da Cultura e cantora Margareth Menezes também possui poucas homônimas. Apenas 146 mulheres em Salvador têm o nome com essa grafia, o que o coloca na 933ª posição entre os nomes femininos mais frequentes. O auge ocorreu nos anos 1960, quando nasceram 53 mulheres chamadas Margareth.
O caso de Alinne Rosa revela o impacto da grafia. O nome Aline, com um “n”, é bastante comum: são 5.848 mulheres, sendo o 16º nome feminino mais frequente na cidade. Já a forma Alinne, com dois “n”, aparece em apenas 20 registros.
Entre as pioneiras do axé, Sarajane é a artista com menos homônimas: apenas 15 mulheres têm esse nome em Salvador. Ainda assim, a capital baiana lidera o ranking nacional de pessoas chamadas Sarajane.
Bell, Saulo e Russo: nomes masculinos e tendências geracionais
O cantor Bell Marques nasceu como Washington, nome de 860 homens em Salvador, o 213º mais comum entre os nomes masculinos. Já o nome artístico Bell não aparece na Bahia, embora existam 52 pessoas com esse nome no Brasil, sendo 27 mulheres.
O nome Saulo, do cantor Saulo Fernandes, aparece em 867 registros na capital, ocupando a 211ª posição entre os nomes masculinos. O auge do nome ocorreu na década de 2010, quando nasceram 212 dos Saulos que vivem hoje na cidade. A idade mediana desse grupo é de 19 anos.
O vocalista da banda BaianaSystem, Russo Passapusso, nasceu como Roosevelt, nome raro em Salvador, com apenas 32 registros. A idade mediana dos portadores desse nome é de 57 anos, acima dos 43 anos do cantor.
Léo Santana e Luiz Caldas: nomes populares no imaginário do Carnaval
O cantor Léo Santana tem como nome de batismo Leandro, presente em 4.670 registros em Salvador, o 44º nome masculino mais frequente. A maioria dos Leandros nasceu na década de 1980, período em que o artista veio ao mundo, em 1988. O diminutivo Léo aparece em 151 registros na capital.
Já o pioneiro da axé music, Luiz Caldas, possui o nome mais popular entre os artistas citados. Em Salvador, 10.563 homens se chamam Luiz, o 11º nome masculino mais frequente. A maior concentração está na década de 1960, quando nasceram 1.729 homens com esse nome, incluindo o cantor, nascido em 1963.
Plataforma “Nomes no Brasil” reúne dados do Censo 2022
Os dados fazem parte da plataforma Nomes no Brasil, baseada nas informações coletadas pelo Censo Demográfico de 2022. O sistema permite consultar a frequência de nomes próprios por município, sexo e período de nascimento, oferecendo uma leitura estatística das preferências culturais da população brasileira.
O levantamento revela como os nomes próprios funcionam como indicadores sociais e culturais, refletindo tendências de época, influências midiáticas e referências simbólicas presentes na sociedade.










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