Circuito das Águas amplia espaço para blocos afro e afoxés e descentraliza Carnaval 2026 de Salvador

A criação do Circuito das Águas, em Itapuã, marcou nesta segunda-feira (16/02/2026) a ampliação da presença de blocos afro, afoxés, sambas e grupos culturais de matriz africana no Carnaval de Salvador. A iniciativa, implantada na região da Lagoa do Abaeté até a orla próxima à Sereia de Itapuã, busca descentralizar a festa, fortalecer a economia criativa local e ampliar a visibilidade de manifestações culturais historicamente ligadas aos territórios negros da cidade.

O novo percurso integra a estratégia de expansão da folia para além dos circuitos tradicionais, aproximando o Carnaval das comunidades e reconhecendo áreas com forte relevância cultural e histórica. A proposta reforça a presença de expressões afro-baianas no calendário oficial, ao mesmo tempo em que amplia o acesso do público às tradições de matriz africana.

Blocos tradicionais ganham novo espaço

Entre os principais destaques do circuito estão grupos tradicionais como Malê Debalê, Korin Nagô e Bankoma, que levaram ao novo trajeto cortejos marcados por musicalidade, ancestralidade e resistência cultural. A presença dessas entidades reforça as dimensões educativa, espiritual e política do Carnaval, ampliando o alcance de manifestações culturais ligadas às religiões e tradições afro-brasileiras.

A criação do circuito também representa um reconhecimento de territórios que, apesar de sua importância histórica e simbólica, permaneceram por décadas à margem da programação oficial da festa.

Bloco O Mangue homenageia Revolta dos Malês

O bloco O Mangue, liderado pelo cantor, compositor e produtor cultural Rogério Bambeia, estreou no circuito em 2026 com um desfile que homenageou os 191 anos da Revolta dos Malês e o orixá Logun Edé. O cortejo reforçou o diálogo entre memória histórica, religiosidade e cultura popular.

Além do Circuito das Águas, o grupo também desfilou pelo Circuito Batatinha, no Centro Histórico, e pelo Circuito Ancestral, em Cajazeiras, ampliando sua atuação em diferentes territórios da capital.

Segundo Rogério Bambeia, a participação no novo circuito consolidou a relação do bloco com a comunidade local. Ele destacou que a base do grupo hoje está em Itapuã e que o cortejo foi acompanhado pelo Samba do Fuxico, projeto cultural realizado semanalmente no bairro.

O desfile contou ainda com a participação da cantora Larissa Abreu, ressaltando o protagonismo feminino. O cortejo também reuniu moradores, grupos de capoeira, crianças e pessoas com deficiência, ampliando o caráter comunitário da festa.

Impacto econômico e cultural

Além do aspecto cultural, o Circuito das Águas tem impacto direto na economia local. A iniciativa cria oportunidades de renda para:

  • Artistas e músicos
  • Ambulantes
  • Costureiras
  • Artesãos
  • Trabalhadores da economia criativa

O circuito também fortalece o turismo cultural e estimula a circulação de recursos dentro do próprio território, contribuindo para a valorização de saberes ancestrais e tradições locais.

Avaliação dos artistas

O cantor e compositor Edy Vox, com mais de 30 anos de carreira, participou da abertura do circuito à frente do Bloco Ska Reggae. Para ele, a iniciativa representa um avanço na organização da festa, embora ainda existam desafios.

Segundo o artista, houve percepção de necessidade de maior divulgação e de reforço na fiscalização para aprimorar a estrutura do circuito. Ainda assim, classificou a experiência como positiva, destacando a relação histórica com o bairro de Itapuã e o ineditismo do cortejo na região do Abaeté.

Descentralização e reconhecimento cultural

A implantação do Circuito das Águas integra a política de descentralização do Carnaval de Salvador, ampliando a programação para bairros com forte tradição cultural. A proposta busca:

  • Aproximar a festa das comunidades
  • Valorizar territórios históricos da cultura afro-baiana
  • Ampliar a diversidade de manifestações culturais
  • Estimular economia local e turismo cultural

A iniciativa também reforça o papel das expressões negras na formação da identidade cultural da cidade, ampliando espaços de visibilidade e circulação para blocos e grupos tradicionais.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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