A 67ª edição da CONMEBOL Libertadores tem início com a disputa da Primeira Fase, etapa preliminar marcada por confrontos inéditos, estreias históricas e retrospectos estatísticos que reforçam o peso do mando de campo. Os jogos de ida reúnem clubes tradicionais do continente e equipes que vivem momentos singulares de afirmação internacional, definindo os primeiros caminhos rumo à fase de grupos do principal torneio de clubes da América do Sul.
The Strongest x Deportivo Táchira: altitude, tradição e números favoráveis ao mandante
O duelo entre The Strongest e Deportivo Táchira será inédito na história da Libertadores. O histórico geral favorece clubes bolivianos quando atuam em casa: perderam apenas uma das últimas 17 partidas como mandantes diante de equipes venezuelanas, somando 14 vitórias e dois empates.
O The Strongest disputa a Libertadores pela 15ª temporada consecutiva — a 32ª no total — e tem como melhor desempenho as oitavas de final, alcançadas em cinco edições (1990, 1994, 2014, 2017 e 2024). Apesar da tradição, o clube foi eliminado na fase preliminar em 2025 e não chega à fase de grupos desde 2024. Ainda assim, mantém invencibilidade de quatro jogos em casa contra venezuelanos, sempre balançando as redes (15 gols marcados e três sofridos).
O Deportivo Táchira, por sua vez, busca a quinta classificação consecutiva para a fase de grupos. Com 28 participações na Libertadores, teve como melhor campanha as quartas de final de 2004. Dados da DataFactory indicam um retrospecto recente positivo: três vitórias seguidas contra adversários bolivianos na competição, além do triunfo por 2 a 1 sobre o Independiente Petrolero, em solo boliviano, em 2022.
Juventud x Universidad Católica: estreia absoluta e peso do retrospecto uruguaio
O confronto entre Juventud e Universidad Católica também estreia na história do torneio. O contexto estatístico é claro: em 53 partidas de Libertadores disputadas no Uruguai, equipes equatorianas venceram apenas duas vezes — Olmedo sobre o Nacional (2005) e Barcelona SC sobre o Progreso (2020).
O Juventud Las Piedras vive um feito histórico ao garantir vaga na Libertadores na mesma temporada em que conquistou o acesso à Primeira Divisão uruguaia. Até então, sua única experiência internacional havia sido a Copa Sul-Americana de 2015, com campanha de uma vitória, dois empates e uma derrota.
A Universidad Católica soma seis participações na Libertadores desde a estreia em 1974. Nas últimas edições, tem enfrentado dificuldades nas fases preliminares e não avançou à fase de grupos em três das últimas cinco temporadas. O Trencito Azul ainda não venceu fora de casa no torneio, acumulando dois empates e nove derrotas como visitante. As melhores campanhas ocorreram em 1974 e 1980, quando alcançou a fase de grupos.
2 de Mayo x Alianza Lima: estreia paraguaia contra tradição peruana
O encontro entre 2 de Mayo e Alianza Lima marca o primeiro confronto entre os clubes e não possui antecedentes em torneios da CONMEBOL. O histórico recente entre paraguaios e peruanos na Libertadores aponta equilíbrio, com apenas uma vitória peruana nos últimos 10 jogos — justamente do Alianza Lima, sobre o Nacional do Paraguai, na Segunda Fase de 2025.
O 2 de Mayo assegurou vaga ao ser finalista da Copa Paraguai 2025 e se tornará o 13º clube paraguaio a disputar a Libertadores, um marco inédito em mais de 90 anos de história. Em 2025, o clube de Pedro Juan Caballero já havia estreado internacionalmente na Copa Sul-Americana, ampliando sua presença continental.
O Alianza Lima tenta alcançar a fase de grupos pelo quinto ano consecutivo. O clube foi eliminado na Primeira Fase em duas ocasiões (2011 e 2015) e não chega às oitavas de final há uma década. Suas campanhas mais expressivas na Libertadores ocorreram em 1976 e 1978, quando alcançou as semifinais.
Primeira Fase expõe contrastes históricos e desafios competitivos
A abertura da Libertadores 2025 evidencia o contraste entre tradição e afirmação emergente no futebol sul-americano. Clubes consolidados, como The Strongest e Alianza Lima, entram pressionados por retrospectos recentes irregulares, enquanto equipes como Juventud e 2 de Mayo transformam a Primeira Fase em um capítulo histórico de projeção internacional.
Os números reforçam a relevância do mando de campo nas fases preliminares, especialmente em contextos geográficos e culturais específicos, como a altitude boliviana e o histórico uruguaio diante de equatorianos. Ao mesmo tempo, os dados recentes mostram que retrospectos não são determinantes absolutos, abrindo espaço para leituras estratégicas e surpresas competitivas.
Por fim, a Primeira Fase expõe um desafio estrutural recorrente: a dificuldade de clubes de mercados menores em manter regularidade internacional, contrastando com a necessidade de renovação competitiva para além dos tradicionais protagonistas do continente.








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