O Cortejo Afro e o Bloco Alvorada transformaram, nesta sexta-feira (13/02/2026), a avenida em um espaço de memória, identidade e resistência cultural durante o Carnaval da Bahia 2026. As duas atrações, com trajetórias distintas, mas ligadas pela valorização das raízes afro-brasileiras, levaram à festa ritmos, narrativas históricas e manifestações que reafirmam o caráter cultural da folia.
De um lado, o Bloco Alvorada, considerado o mais antigo bloco de samba do Carnaval baiano, levou à avenida a força de uma tradição construída ao longo de mais de cinco décadas. Do outro, o Cortejo Afro apresentou sua batida percussiva marcada pela fusão entre elementos tradicionais e linguagens contemporâneas, consolidando sua identidade artística.
A presença das duas agremiações na mesma noite reforçou a diversidade estética e cultural do Carnaval de Salvador, demonstrando como diferentes expressões da cultura afro-brasileira coexistem e dialogam dentro da festa.
Para a antropóloga Analva Brasão, a experiência vai além do entretenimento e se transforma em um encontro com a ancestralidade. Segundo ela, a motivação para retornar todos os anos ao Carnaval de Salvador está ligada à dimensão cultural da festa.
“Sou de Natal, moro em Recife, adoro o Carnaval de Recife e de Olinda, mas venho todo ano para o Carnaval de Salvador para me alimentar da cultura afro”, afirmou.
Cortejo Afro e a conexão com a ancestralidade
O cantor Aloísio Menezes, integrante do Cortejo Afro, destacou a origem do grupo e sua ligação direta com a religiosidade afro-brasileira. Segundo ele, o projeto nasceu no Terreiro Ilê Axé Oyá, o que influencia a identidade musical e estética da banda.
De acordo com o artista, o desfile representa a emoção da ancestralidade e a possibilidade de contar a história do povo negro por meio da música, da percussão e da performance visual, elementos que caracterizam o grupo desde sua criação.
A proposta estética do Cortejo Afro combina figurinos, cenografia, coreografias e arranjos percussivos, criando um espetáculo que une tradição cultural e inovação artística.
Bloco Alvorada celebra centenário e tradição do samba
O Bloco Alvorada chegou ao Carnaval de 2026 celebrando o centenário de Nengua Guanguacese, referência histórica ligada à preservação das tradições afro-baianas. O desfile promoveu um encontro de gerações, reunindo antigos e novos integrantes em torno do samba.
Para Ailton José Nascimento, conhecido como Roxinho do Samba, o principal objetivo do bloco é manter viva a alegria e a cultura da Bahia. Segundo ele, o samba representa parte fundamental da identidade cultural local e do legado afro-brasileiro.
O desfile contou com apoio do Governo da Bahia, por meio da Bahiagás e do Programa Ouro Negro, iniciativa voltada ao financiamento de entidades culturais de matriz africana.
Programa Ouro Negro amplia investimentos
Em 2026, o Programa Ouro Negro registrou investimento de R$ 17 milhões, considerado recorde, para o apoio a 95 projetos culturais ligados a blocos afro, afoxés e outras entidades de matriz africana.
O financiamento permitiu a realização de desfiles e atividades culturais, reforçando a presença das tradições afro-brasileiras na programação oficial do Carnaval.
Segundo os organizadores, o apoio institucional é fundamental para a continuidade das agremiações, muitas delas responsáveis pela preservação de manifestações culturais transmitidas ao longo de gerações.










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