Neste sábado (28/02/2026), o Ministério das Relações Exteriores divulgou um alerta consular recomendando que brasileiros evitem viagens a 11 países do Oriente Médio, diante da escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A orientação foi emitida após ataques militares contra o território iraniano e retaliações na região, elevando o risco de novos confrontos e aumentando a preocupação internacional com a estabilidade regional e com a segurança de cidadãos estrangeiros.
O comunicado do Itamaraty destaca que a medida foi adotada “à luz da recente escalada das tensões no Oriente Médio”, em um cenário marcado por ataques, ameaças de retaliação e crescente mobilização militar na região. Além do alerta de viagem, o governo brasileiro divulgou orientações de segurança para brasileiros que já se encontram nos países afetados, além de contatos de emergência das representações diplomáticas.
A crise ocorre após uma ofensiva militar anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada com participação de Israel contra alvos no Irã. O governo iraniano classificou a ação como violação de sua soberania e iniciou respostas militares na região, ampliando o risco de conflito regional.
Itamaraty recomenda evitar viagens a 11 países
O alerta consular orienta cidadãos brasileiros a evitarem deslocamentos para países considerados potencialmente afetados pela escalada militar.
A recomendação inclui os seguintes destinos:
- Irã
- Israel
- Catar
- Kuwait
- Emirados Árabes Unidos
- Bahrein
- Jordânia
- Iraque
- Líbano
- Palestina
- Síria
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a orientação preventiva busca reduzir riscos para brasileiros diante da possibilidade de novos ataques, retaliações ou instabilidade política e militar.
O Itamaraty também destacou que o cenário regional permanece volátil e imprevisível, o que exige acompanhamento constante das autoridades diplomáticas brasileiras.
Orientações de segurança para brasileiros na região
Para cidadãos brasileiros que já se encontram nos países mencionados, o Itamaraty recomenda atenção redobrada e cumprimento rigoroso das orientações das autoridades locais.
Entre as principais recomendações de segurança estão:
- Buscar imediatamente abrigo em caso de bombardeios ou ataques aéreos
- Evitar áreas abertas e permanecer em locais protegidos
- Procurar estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos se estiver na rua
- Em residências, permanecer em cômodos internos com pelo menos duas paredes entre a pessoa e o exterior
O ministério orienta ainda que portas e janelas sejam mantidas fechadas e que as pessoas evitem permanecer na linha de visão direta do céu, reduzindo riscos em caso de ataques aéreos.
Outra recomendação é priorizar a busca por abrigo antes de utilizar telefones ou aplicativos de mensagens, além de manter reserva de água em recipientes ou banheiras.
Recomendações adicionais para brasileiros
Além das orientações de segurança imediata, o Itamaraty divulgou medidas preventivas gerais para brasileiros na região.
Entre elas:
- Evitar multidões e manifestações
- Acompanhar canais oficiais das embaixadas brasileiras
- Monitorar informações da imprensa local
- Verificar se documentos de viagem têm validade mínima de seis meses
Caso voos sejam cancelados, o ministério orienta que os passageiros entrem em contato diretamente com as companhias aéreas para remarcação ou reorganização da viagem.
O governo brasileiro também reforçou que emergência consular é caracterizada por situações que envolvem risco imediato à vida, à segurança ou à dignidade de cidadãos brasileiros no exterior.
Contatos de emergência das embaixadas brasileiras
O Itamaraty divulgou uma lista de telefones para atendimento emergencial nas representações diplomáticas brasileiras na região.
Contatos consulares:
- Embaixada em Teerã: +98 (0) 912-148-5200
- Embaixada em Tel Aviv: +972 54 803 5858
- Embaixada em Doha: +974 6612 6585
- Embaixada no Kuwait: +965 6684 0540
- Embaixada em Abu Dhabi: +971 50 668 3258
- Embaixada em Manama: +973 3364 6483
- Embaixada em Amã: +962 7 7558 4460
- Embaixada em Bagdá: +964 780 929 1396
- Embaixada em Beirute: +961 70 108 374
- Escritório em Ramala: +972 59 205 5510
- Embaixada em Damasco: +963 933 213 438
O ministério orienta que cidadãos brasileiros procurem essas representações em situações de risco ou dificuldade consular.
Ataque militar pode elevar preço do petróleo
Especialistas avaliam que os ataques contra o Irã podem gerar impactos econômicos globais relevantes, sobretudo no mercado internacional de energia.
O pesquisador Leonardo Paz Neves, do Núcleo de Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que o principal ponto de preocupação é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passa pela região.
Caso o Irã decida fechar ou restringir a navegação no estreito, o resultado poderia ser um gargalo no abastecimento global de energia, com impacto direto nos preços internacionais do petróleo.
O professor Williams Gonçalves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avalia que um bloqueio da rota marítima teria potencial de desorganizar o mercado global de energia e provocar rápida elevação de preços.
Negociações nucleares ficam comprometidas
Outro efeito imediato da ofensiva militar é o enfraquecimento das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo Leonardo Paz Neves, o ataque ocorreu em meio a negociações ainda em andamento, o que reduz a confiança entre as partes.
A última rodada de conversas havia ocorrido na quinta-feira (26), mediada pelo chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que havia indicado avanços no processo diplomático.
Para especialistas, a ofensiva militar pode comprometer o ambiente de negociação e reduzir incentivos para o Irã continuar no diálogo.
O professor Feliciano de Sá Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP), avalia que as exigências dos Estados Unidos eram consideradas muito elevadas pelo governo iraniano, o que já dificultava um acordo.
ONU pede cessar-fogo imediato
Diante da escalada militar, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo público pela cessação imediata das hostilidades.
Em comunicado divulgado neste sábado (28), Guterres alertou que o uso da força e as retaliações subsequentes podem desencadear um conflito regional mais amplo.
Segundo ele, todos os Estados devem respeitar as obrigações previstas no direito internacional e na Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de outros países.
O chefe da ONU afirmou ainda que não há alternativa viável à solução pacífica das controvérsias internacionais e defendeu o retorno imediato das negociações diplomáticas.
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