O deputado estadual Marcelino Galo afirmou nesta segunda-feira (23/02/2026) que a proposta do ex-prefeito ACM Neto de “reorganizar as contas do Estado da Bahia”, caso venha a disputar o governo estadual, estaria associada à elevação de tributos e à concentração de contratos públicos entre aliados políticos. A declaração foi feita em meio ao debate político sobre a sucessão estadual e as avaliações sobre os resultados administrativos da capital baiana durante o período em que Neto esteve à frente da prefeitura.
Segundo o parlamentar petista, a experiência da gestão municipal de Salvador serve como referência para compreender a proposta apresentada pelo ex-prefeito. Galo argumenta que, durante aquele período, houve aumento expressivo de tributos municipais, citando especificamente o IPTU e a Taxa de Lixo, o que, segundo ele, elevou a carga tributária sobre os moradores da capital.
O deputado sustenta que os reajustes tributários adotados na administração municipal tiveram impacto direto no custo de vida da população. Na avaliação dele, Salvador passou a registrar um dos níveis mais elevados de cobrança desses tributos entre as capitais brasileiras, o que teria gerado críticas de diferentes segmentos da sociedade.
Críticas à política tributária da gestão municipal
De acordo com Marcelino Galo, a política fiscal implementada durante a gestão municipal de ACM Neto foi marcada por aumento de arrecadação associado à ampliação de contratos com empresas prestadoras de serviços vinculadas a grupos políticos aliados. O parlamentar afirma que esse modelo de gestão teria priorizado a expansão da receita municipal sem a correspondente melhoria de indicadores sociais.
Para sustentar essa avaliação, o deputado menciona reportagem publicada em 2019 pela Folha de S.Paulo, intitulada “Em Salvador, empresas ligadas a aliados de ACM Neto faturam R$ 715 milhões”. A matéria apontava a existência de contratos firmados pela prefeitura com empresas ligadas a aliados políticos, envolvendo serviços de manutenção urbana, jardinagem, obras e arborização.
Segundo Galo, os contratos mencionados na reportagem seriam exemplo de um modelo administrativo que, na sua visão, beneficiaria grupos próximos ao poder municipal. Para o deputado, a eventual transferência desse modelo para a administração estadual representaria a expansão de práticas patrimonialistas para o governo da Bahia.
Debate político sobre gestão e indicadores sociais
O parlamentar também avaliou os resultados econômicos e sociais da capital baiana ao longo da última década. Na visão dele, Salvador teria perdido protagonismo econômico no Nordeste e apresentado indicadores sociais desfavoráveis em áreas como educação e saúde, quando comparada a outras capitais da região.
Marcelino Galo afirma que esses resultados seriam reflexo de uma política administrativa orientada, segundo ele, por interesses políticos restritos. O deputado argumenta que o modelo adotado durante a gestão municipal teria contribuído para limitar o dinamismo econômico da capital, com impactos no nível de renda da população.
Para o parlamentar, o contraste com a situação atual das finanças estaduais seria evidente. Ele afirma que, sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues, a Bahia teria alcançado destaque nacional em volume de investimentos públicos, o que, segundo ele, demonstraria estabilidade fiscal e capacidade de planejamento orçamentário.
Disputa política e cenário eleitoral na Bahia
As declarações do deputado ocorrem em um momento de intensificação do debate político no estado, com articulações e movimentações de lideranças visando a próxima disputa pelo governo da Bahia. ACM Neto permanece como uma das principais lideranças da oposição estadual e frequentemente defende a necessidade de reorganização das contas públicas e revisão de políticas fiscais.
Já setores ligados ao governo estadual sustentam que a situação financeira do estado apresenta equilíbrio e que a política de investimentos adotada pela atual administração tem contribuído para ampliar obras de infraestrutura, programas sociais e iniciativas de desenvolvimento regional.
Nesse contexto, o embate discursivo entre governo e oposição tende a ganhar intensidade à medida que se aproximam os ciclos eleitorais, com avaliações divergentes sobre gestão fiscal, modelo administrativo e resultados socioeconômicos.








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