O ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor foi liberado nesta quinta-feira após permanecer aproximadamente 11 horas sob custódia policial por suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A informação foi confirmada pela polícia de Thames Valley, que declarou que o investigado foi solto “sob investigação”, enquanto as apurações seguem em andamento.
Andrew, que completa 66 anos nesta data, foi fotografado deixando uma delegacia por volta das 19h (horário local), reclinado no banco traseiro de um veículo. As autoridades informaram que as buscas realizadas em endereços nas regiões de Berkshire e Norfolk foram concluídas.
Em comunicado oficial divulgado pela manhã, a polícia havia informado que “um homem de sessenta e poucos anos de Norfolk” estava sob custódia, sem mencionar o nome. Imagens mostraram viaturas chegando à propriedade onde Andrew residia em Sandringham, no condado de Norfolk, por volta das 8h.
Investigação envolve suposto compartilhamento de material confidencial
A prisão ocorreu após a polícia informar que avaliava uma denúncia relacionada ao suposto compartilhamento de material confidencial pelo ex-príncipe com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
As autoridades não detalharam quais alegações específicas estão sendo apuradas nem o fato concreto que motivou a prisão. Também não foi divulgado se Andrew prestou depoimento formal durante o período em que esteve sob custódia.
Andrew tem negado de forma reiterada qualquer irregularidade. Em nota oficial, o rei Charles III afirmou ter recebido a notícia “com profunda preocupação” e declarou que “a lei deve seguir seu curso”, acrescentando que as autoridades contam com total cooperação.
Relação com Epstein permanece sob escrutínio
Os vínculos entre Andrew e Epstein vêm sendo examinados há anos. A amizade entre ambos levou o então Duque de York a se afastar das funções reais em 2019, meses após a morte de Epstein. Em outubro de 2025, Andrew foi formalmente destituído de seus títulos reais.
Em janeiro deste ano, o governo dos Estados Unidos divulgou mais de três milhões de arquivos relacionados ao caso Epstein. Entre os documentos estavam imagens e trocas de e-mails que sugerem contatos entre Epstein e uma conta identificada como “O Duque”, atribuída a Andrew.
Em mensagens datadas de agosto e setembro de 2010, Epstein menciona a possibilidade de organizar encontros e jantares, incluindo referência a um jantar no Palácio de Buckingham, descrito como local de “muita privacidade”. As mensagens divulgadas não indicam, por si, irregularidade.
Outro documento tornado público, datado de 2020, registra pedido formal das autoridades americanas para entrevistar Andrew. O texto afirmava que ele poderia ter sido testemunha ou participante de eventos relevantes à investigação e mencionava indícios de conhecimento sobre atividades ilícitas conduzidas por associados de Epstein.
Andrew sempre negou ter conhecimento de qualquer comportamento criminoso de Epstein ou de sua associada Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual de menores.
Processo civil e acordo extrajudicial
Em 2022, Andrew firmou acordo com a americana Virginia Giuffre para encerrar processo civil movido nos Estados Unidos. Giuffre alegava ter sido abusada sexualmente pelo ex-príncipe em três ocasiões, quando tinha 17 anos.
Andrew negou as acusações. O acordo não implicou reconhecimento de culpa, mas encerrou a disputa judicial.
Documentos divulgados recentemente também incluem e-mails atribuídos à ex-mulher de Andrew, Sarah Ferguson, nos quais ela se comunica com Epstein em 2009 para tratar de assuntos pessoais e empresariais. As mensagens não indicam irregularidades, e Ferguson não comentou publicamente os documentos.
Pontos ainda não esclarecidos
Apesar da liberação, permanecem indefinidas:
- Quais alegações específicas motivaram a prisão;
- Se houve interrogatório formal durante a custódia;
- Qual o estágio atual da investigação conduzida pela polícia de Thames Valley.
A autoridade policial afirmou apenas que o investigado segue “sob investigação”, sem detalhar prazos ou possíveis desdobramentos processuais.
*Com informações da BBC e The Independent.








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