O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) inaugurou, nesta segunda-feira (02/02/2026), um novo escritório em Salvador, reforçando sua presença institucional no Brasil e consolidando a Bahia como eixo estratégico das ações de desenvolvimento rural no Nordeste. A decisão reflete o peso da carteira brasileira do Fundo — a quinta maior do mundo — e a concentração de 40% dos recursos do FIDA na América Latina e Caribe na região, com US$ 1,1 bilhão investidos e cerca de 1 milhão de famílias beneficiadas.
Presença institucional e parceria histórica
A abertura do escritório em Salvador simboliza mais de três décadas de cooperação contínua entre o FIDA, o Governo Federal e os governos estaduais do Nordeste, com destaque para a Bahia. Segundo a diretora regional do Fundo para a América Latina e o Caribe, Rocío Medina Bolívar, a magnitude da carteira brasileira e a complexidade dos projetos justificam o fortalecimento da presença nacional. O Brasil passa a ser o único país com dois escritórios do FIDA, mantendo a unidade em Brasília e inaugurando a base regional no Nordeste.
A nova estrutura contará com equipe multidisciplinar dedicada à execução, monitoramento e ampliação de programas voltados à redução da pobreza rural, à segurança alimentar e à resiliência climática, com atuação articulada junto a governos, bancos de desenvolvimento e organismos internacionais.
Carteira robusta e foco no Nordeste
O diretor do FIDA para o Brasil, Arnoud Hameleers, destacou que o Fundo mantém US$ 1,1 bilhão em investimentos no Nordeste, com iniciativas que promovem prosperidade e inclusão produtiva em comunidades rurais. A Bahia concentra parcela expressiva desse esforço, com aproximadamente US$ 250 milhões em projetos cofinanciados, voltados à sustentabilidade ambiental, à adaptação às mudanças climáticas e ao fortalecimento da agricultura familiar.
O evento de inauguração contou com a presença do secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia, Osni Cardoso, além de representantes técnicos do Fundo e de programas em execução no estado.
Programas estruturantes em execução na Bahia
Atualmente, quatro grandes frentes de atuação do FIDA estão em curso no território baiano. O Projeto Parceiros da Mata, voltado ao desenvolvimento sustentável da Mata Atlântica, é executado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Já o Projeto Sertão Vivo (PCRP), realizado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prioriza a resiliência climática e a convivência sustentável com o Semiárido.
Integra ainda a carteira o projeto CompensAção, dedicado à promoção do pagamento por serviços ambientais em cadeias produtivas livres de desmatamento, desenvolvido em cooperação com o Alemanha. Em âmbito federal, a Bahia participa do Projeto Dom Hélder Câmara III (PDHC III), voltado à segurança alimentar e à adaptação climática no Semiárido nordestino, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
Agroecologia, sementes e inovação produtiva
Mais recentemente, o FIDA iniciou no estado o Projeto Raízes Agroecológicas, financiado pela União Europeia e pela Bélgica, no âmbito do Programa Global para Produtores de Agroecologia de Pequena Escala (GP-SAEP). A iniciativa busca fortalecer a melhoria genética participativa e ampliar a diversidade de sementes adaptadas às condições locais, contribuindo para sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes.
Cooperação Sul-Sul e intercâmbio internacional
A atuação do FIDA na Bahia também tem impulsionado a agenda de Cooperação Sul-Sul, promovendo intercâmbio técnico e institucional com países africanos de língua portuguesa. Delegações de Angola e Moçambique realizaram visitas recentes ao estado para conhecer experiências em políticas públicas rurais, acesso à terra, mercados, equidade de gênero, juventude e segurança hídrica, tomando a realidade baiana como referência.
Efeito catalisador dos investimentos
Durante a cerimônia, o vice-presidente adjunto de Operações do FIDA, Donal Brown, ressaltou que o aporte do Fundo representa, em média, 15% do financiamento total dos projetos apoiados no Brasil. Esse investimento inicial funciona como capital catalisador, mobilizando recursos adicionais de instituições como o Fundo Verde para o Clima, o BID, a AECID, governos europeus e o BNDES, ampliando escala, alcance e impacto das iniciativas.











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