O cenário político da Bahia para as eleições de 2026 ganhou novos contornos nesta sexta-feira (20/02/2026) após o pré-candidato ao Senado Marcelo Nilo (Republicanos) admitir a possibilidade de disputar uma vaga de forma independente, caso não seja contemplado na chapa da oposição liderada por ACM Neto (União Brasil). No mesmo dia, o senador Jaques Wagner (PT) confirmou a manutenção da chapa governista com Jerônimo Rodrigues (PT) candidato à reeleição e Geraldo Jr. (MDB) como vice, encerrando meses de especulação sobre a composição majoritária.
As declarações consolidam movimentos distintos no tabuleiro eleitoral: enquanto a base governista sinaliza unidade e continuidade, a oposição enfrenta discussões internas sobre o espaço dos partidos aliados e a definição de nomes estratégicos para vice-governador e Senado.
Marcelo Nilo condiciona apoio à escolha do vice na oposição
O ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Marcelo Nilo, afirmou que aguardará a definição do nome a vice-governador na chapa de ACM Neto antes de tomar decisão definitiva. Segundo ele, caso o escolhido seja “politicamente mais fraco” do que sua própria candidatura, poderá disputar o Senado Federal de forma independente.
Nilo declarou que, em princípio, abriria mão da candidatura apenas se o nome escolhido para compor a chapa fosse Márcio Marinho (Republicanos). Caso contrário, sinalizou que poderá concorrer por fora da composição majoritária, preferencialmente pelo Republicanos.
Apesar da possibilidade de candidatura avulsa, o ex-deputado afirmou que manterá apoio político a ACM Neto, ainda que não participe de atos conjuntos caso determinadas lideranças estejam presentes no palanque.
Critério de “força política”
Ao justificar sua posição, Nilo destacou que a avaliação sobre a “força” do eventual vice será baseada na capacidade eleitoral do nome indicado. Ele informou que pretende realizar pesquisa de opinião após a definição da chapa para medir o apelo do candidato junto ao eleitorado baiano.
Entre os nomes ventilados nos bastidores para compor a chapa oposicionista estão prefeitos do interior, como Zé Cocá e Quinho Tigre, embora Nilo tenha evitado comentar especulações e reforçado que a decisão final cabe a ACM Neto.
O ex-deputado também afirmou que o Republicanos não pretende repetir a estratégia adotada em 2022, quando, segundo ele, o partido teria sido “barriga de aluguel” na composição eleitoral.
Jaques Wagner confirma manutenção da chapa governista
Em paralelo às movimentações na oposição, o senador Jaques Wagner (PT) confirmou, em entrevista concedida em Irecê, que a base governista manterá a mesma composição majoritária que venceu as eleições de 2022.
Segundo Wagner, a chapa para 2026 será formada por:
- Jerônimo Rodrigues (PT) — candidato à reeleição ao governo;
- Geraldo Jr. (MDB) — candidato a vice-governador;
- Rui Costa (PT) — candidato ao Senado;
- Jaques Wagner (PT) — candidato ao Senado.
A declaração encerra especulações sobre eventual mudança na vice-governadoria e consolida o MDB na aliança majoritária. Wagner afirmou que o grupo pretende preservar a unidade partidária que garantiu a vitória no pleito anterior.
Estratégia eleitoral consolidada
A confirmação da chapa ocorre em meio ao avanço das articulações para 2026. Com a definição majoritária, o grupo governista deve concentrar esforços na organização das chapas proporcionais e na estratégia de mobilização regional.
Nos bastidores, havia debate sobre a possibilidade de composições alternativas ou de uma chapa exclusivamente petista, hipótese que não se confirmou. A manutenção da aliança com o MDB sinaliza estabilidade na base governista.
Disputa pelo Senado amplia tensão entre alianças
O Senado Federal tende a ser um dos principais focos de disputa na eleição baiana de 2026, diante da possibilidade de candidaturas competitivas tanto na base governista quanto na oposição.
Na oposição, a indefinição sobre o vice-governador pode impactar a estratégia para o Senado. Já no campo governista, a confirmação de Rui Costa e Jaques Wagner como candidatos indica que o grupo pretende ocupar as duas vagas disponíveis.
A configuração atual antecipa um cenário de polarização entre dois blocos bem estruturados, com articulações ainda em curso e margem para reacomodações partidárias.








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