Michelle Bachelet registra candidatura à Secretaria-Geral da ONU com apoio de Brasil e México e entra na disputa para suceder António Guterres em 2026

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet teve sua candidatura oficialmente registrada ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com apoio formal do Brasil e do México, conforme anúncio feito pelo presidente chileno Gabriel Boric nesta segunda-feira (02/02/2026), em Santiago. A disputa ocorre em razão do término do segundo mandato de António Guterres, previsto para 31 de dezembro de 2026.

O registro foi encaminhado pelo governo chileno junto às Nações Unidas e será apresentado em articulação conjunta com os dois países latino-americanos, segundo declaração do chefe de Estado chileno em coletiva no palácio presidencial.

Bachelet afirmou que aceita a indicação como uma responsabilidade institucional e agradeceu o respaldo regional, destacando o caráter multilateral da candidatura.

Trajetória política e atuação internacional

Michelle Bachelet, 74 anos, médica pediatra, é a única mulher a ter exercido a Presidência do Chile, com dois mandatos, entre 2006 e 2010 e 2014 e 2018.

Após deixar o cargo, assumiu funções no sistema das Nações Unidas, atuando como diretora executiva da ONU Mulheres (2010-2013) e posteriormente como alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (2018-2022).

A experiência administrativa e diplomática é apontada pelo governo chileno como base para a indicação ao principal posto executivo da organização internacional.

Apoio regional e articulação diplomática

Segundo Gabriel Boric, a candidatura foi registrada formalmente na ONU e será defendida em conjunto com Brasil e México, em estratégia coordenada entre os três países.

A articulação busca consolidar apoio político dentro da América Latina e ampliar o diálogo com outros blocos regionais durante o processo de escolha.

O secretário-geral é selecionado pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança, após negociações diplomáticas entre os Estados-membros.

Rotatividade e representação feminina

Embora não exista norma formal, há uma prática de alternância regional na ocupação do cargo, o que, neste ciclo, favorece candidaturas da América Latina.

Em 80 anos de história da ONU, nenhuma mulher ocupou a Secretaria-Geral, dado que tem impulsionado debates sobre representatividade de gênero na liderança da organização.

Até o momento, o único latino-americano a chefiar a ONU foi o diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar, que exerceu dois mandatos entre 1982 e 1991.

Outros candidatos

Além de Bachelet, concorrem ao posto Rebeca Grynspan, da Costa Rica, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento; Alicia Bárcena, secretária do Meio Ambiente do México; Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados; e Rafael Grossi, argentino e diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica.

Os nomes devem participar de consultas diplomáticas e sabatinas informais ao longo de 2026, até a definição do sucessor de Guterres.

O processo envolve negociações multilaterais e busca consenso entre os países com assento permanente no Conselho de Segurança.

*Com informações da RFI.


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