Salvador, quarta-feira (11/02/2026) — O MicroTrio de Ivan Huol chega ao Carnaval de Salvador de 2026 celebrando 30 anos de criação como uma das iniciativas mais singulares da festa baiana. Lançado em 1996, o projeto propõe uma experiência musical de proximidade entre artistas e foliões, com apresentações em um carro de passeio, sem cordas e no mesmo nível do público. Ao longo de três décadas, a proposta consolidou-se como símbolo do carnaval alternativo, valorizando a rua como espaço de convivência, criatividade e liberdade artística.
Três dias de apresentações em circuitos simbólicos
Em 2026, o MicroTrio participará do chamado carnaval pipoca durante três dias, ocupando circuitos com significados históricos e culturais distintos da folia baiana:
- Sábado (14/02) — Circuito Dodô (Barra/Ondina), com saída do Farol da Barra, no início da tarde, em parceria com o bloco Bolinho de Estudante, sem cordas.
- Domingo (15/02) — Carnaval do Pelô, no Largo Terreiro de Jesus, às 17h.
- Segunda-feira (16/02) — Mudança do Garcia, com saída pela manhã do final de linha do bairro em direção ao Campo Grande.
As apresentações contam com patrocínio da Bahiagás e do Governo do Estado da Bahia no sábado e na segunda-feira, além de apoio do Edital Carnaval do Pelô, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado, para a apresentação de domingo.
Origem de uma proposta de proximidade entre música e público
O MicroTrio foi idealizado por Ivan Huol em um período em que o Carnaval de Salvador ampliava a escala dos trios elétricos e dos grandes blocos. A proposta consistia em reduzir o tamanho da estrutura, mantendo a potência musical e criando um ambiente de contato direto entre artistas e foliões.
A ideia central era simples: colocar músicos e público no mesmo nível da rua, dentro de um carro de passeio, sem cordas e sem a separação típica dos grandes blocos. A iniciativa ganhou adesão do público e, ao longo dos anos, o termo “microtrio” passou a designar uma categoria oficial de atrações no carnaval baiano.
Segundo o diretor artístico Ivan Huol, o projeto resulta de um trabalho contínuo, desenvolvido em parceria com empresas, poder público e um público fiel que reconhece no microtrio uma forma alternativa de viver a festa.
“MicroTrio 3.0”: três décadas de guitarra baiana
Para marcar os 30 anos de trajetória, o projeto apresenta o tema “MicroTrio 3.0 – Três décadas de alegria em movimento”, que revisita a história do grupo e reafirma o papel do projeto na preservação da identidade musical do carnaval.
A proposta destaca a guitarra baiana como elemento central dos arranjos, reforçando o instrumento como patrimônio simbólico da música local. O repertório reúne diferentes gêneros, como:
- Axé
- Ijexá
- Samba
- Frevo
- Forró
- MPB
- Músicas internacionais em releituras
A formação da banda inclui Cinho Damatta (voz e violão), Ivan Bastos (baixo e vocal), Ivan Huol (bateria e voz) e Fred Neto (guitarra baiana). O grupo apresenta repertório plural, com arranjos adaptados à dinâmica de rua, característica central do projeto.
Símbolo do carnaval alternativo e da ocupação da rua
Ao longo de três décadas, o MicroTrio consolidou-se como uma das referências do carnaval alternativo de Salvador, priorizando a experiência coletiva e a ocupação do espaço público como elementos centrais da festa.
A proposta mantém características associadas aos antigos bloquinhos de rua, combinando proximidade entre músicos e público com a energia elétrica da guitarra baiana. O formato, mais compacto e sem cordas, reforça a ideia de carnaval aberto, com circulação livre e participação espontânea.
Com as apresentações programadas para 2026, o projeto busca reafirmar sua trajetória como iniciativa cultural de continuidade, baseada em encontros diretos entre artistas e foliões e na valorização de uma estética musical ligada às tradições da festa.










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