O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na sexta-feira (06/02/2026) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou “o dedo na ferida” ao priorizar o debate sobre tributação justa, tema que, segundo ele, será decisivo para o futuro do Partido dos Trabalhadores e para a disputa política nacional. Em discurso a militantes durante as celebrações dos 46 anos do PT, em Salvador, Haddad também atacou o legado fiscal do governo anterior e disse que o país recebeu uma dívida de R$ 160 bilhões ao final da gestão de Jair Bolsonaro.
Segundo o ministro, a narrativa de que o governo Lula herdou superávit primário não corresponde aos fatos. Haddad classificou o cenário fiscal deixado pela administração anterior como um “estupro das contas públicas” e afirmou que o PT precisa se preparar para rebater esse discurso durante a campanha eleitoral.
Herança fiscal e disputa de narrativas
Haddad dedicou parte de sua fala a explicar aos militantes o que chamou de “antes e depois” da situação fiscal, com o objetivo de fornecer argumentos para o embate político. De acordo com o ministro, o governo Bolsonaro teria desmontado programas sociais e mantido políticas de arrocho salarial, ao mesmo tempo em que vendia ativos estatais e distribuía dividendos para compor a imagem de contas públicas equilibradas.
Entre os pontos citados, ele mencionou:
- Sete anos sem reajuste do salário do funcionalismo;
- Falta de correção na tabela do Imposto de Renda;
- Redução do poder de compra do salário mínimo;
- Enfraquecimento de programas como Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular;
- Venda de ativos da Eletrobras e subsidiárias da Petrobras.
Segundo Haddad, essas medidas teriam criado uma aparência de equilíbrio fiscal que não refletia a situação estrutural das contas públicas.
“Pobre no orçamento, rico no Imposto de Renda”
O ministro afirmou que a orientação do governo Lula foi reorganizar as contas públicas para permitir políticas sociais sem penalizar os mais pobres. Segundo ele, o orçamento federal continha cerca de 6% do PIB em gastos tributários cuja destinação era pouco transparente.
Haddad declarou que a equipe econômica se propôs a revisar subsídios, benefícios e renúncias fiscais “um por um”, com o objetivo de cortar privilégios e preservar a base da pirâmide social.
Ele também citou indicadores econômicos que, segundo o governo, demonstrariam melhora no cenário nacional, como:
- Menor inflação acumulada em quatro anos;
- Redução da taxa de desemprego;
- Aumento da massa salarial;
- Crescimento da renda média do trabalhador;
- Melhora do índice de Gini;
- Ampliação do investimento em infraestrutura.
Com base nesses dados, o ministro afirmou que a oposição deveria temer o debate econômico.
Campanha de taxação e agenda eleitoral
Haddad destacou a campanha chamada Taxação BBB — Bilionários, Bancos e Bets, que, segundo ele, colocou o tema da tributação progressiva no centro do debate público. O ministro afirmou que a discussão sobre justiça tributária pode ser “definitiva” para o futuro político do PT.
Segundo o chefe da Fazenda, o partido precisa entrar na disputa eleitoral preparado para defender a estratégia de colocar os mais pobres no orçamento e aumentar a carga tributária sobre os mais ricos.
Debate sobre supersalários e verbas indenizatórias
Questionado por jornalistas sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que suspendeu penduricalhos considerados ilegais nos Três Poderes, Haddad afirmou que defende há anos um debate transparente sobre as verbas indenizatórias.
O ministro destacou que existem mais de 30 tipos de auxílios e defendeu a criação de regras claras e de um teto para essas indenizações, afirmando que o conceito original de ressarcimento funcional foi distorcido ao longo do tempo.
Segundo ele, a solução definitiva deve vir do Congresso, por meio da reforma administrativa. Haddad afirmou que, nesse ponto, a decisão de Dino foi correta.
PT adota discurso “antissistema” e aposta na tributação como eixo para 2026
Durante os debates do aniversário do partido, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido deve assumir um discurso “antissistema” e explorar o sentimento de frustração com a democracia representativa.
Segundo ele, a crise global iniciada em 2008 teria levado a um cenário de baixo crescimento e aumento de desigualdades, abrindo espaço para nacionalismos autoritários. Nesse contexto, o PT pretende disputar o sentimento de insatisfação social, defendendo reformas como:
- Isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil;
- Cobrança de tributos sobre altas rendas;
- Fim da jornada de trabalho 6×1;
- Tarifa zero no transporte público.
Edinho afirmou que a reeleição de Lula em 2026 representaria, segundo o partido, a derrota da extrema direita no país.
Projeto de país e base social do partido
O ex-ministro José Dirceu afirmou que o PT representa a classe trabalhadora e que o partido precisa apresentar um projeto nacional baseado na redução da desigualdade e em um novo ciclo de industrialização.
Dirceu defendeu que o programa partidário, a ser apresentado no congresso nacional do PT, inclua temas como:
- Reforma tributária;
- Combate à pobreza e à fome;
- Mudanças nas relações de trabalho.











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