Netflix desiste de comprar Warner Bros Discovery, e Paramount Skydance fica perto de vencer disputa bilionária em Hollywood

A Netflix anunciou que não elevará sua proposta para adquirir a Warner Bros Discovery (WBD), encerrando sua participação em uma disputa que se arrastava há meses e deixando a Paramount Skydance próxima de assumir o controle de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. A decisão foi divulgada na quinta-feira (26/02/2026), após a Warner reconhecer que a proposta rival apresentada pela Paramount era financeiramente superior.

Segundo comunicado assinado pelos co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, a companhia decidiu não igualar a oferta de US$ 31 por ação, superior à proposta anterior de US$ 27,75 por ação apresentada pela empresa de streaming. Para os executivos, o valor necessário para competir com a nova oferta tornaria a operação financeiramente pouco atrativa.

A desistência altera o equilíbrio da negociação e coloca a Paramount Skydance como favorita para adquirir o controle da Warner Bros Discovery, conglomerado que reúne ativos estratégicos como HBO, CNN e diversos canais de televisão e produção cinematográfica.

Disputa corporativa redefine o tabuleiro do streaming

A tentativa de aquisição da Warner Bros Discovery tornou-se uma das maiores disputas corporativas da história recente da indústria audiovisual. O acordo inicialmente firmado pela Netflix, em dezembro de 2025, avaliava a empresa em aproximadamente US$ 83 bilhões, considerando o preço por ação proposto na ocasião.

A entrada da Paramount Skydance na negociação elevou significativamente o valor potencial da transação e trouxe novas garantias financeiras destinadas a tornar a proposta mais atraente para acionistas e conselheiros da Warner.

A proposta revisada apresentada pela Paramount inclui:

  • US$ 31 por ação, superando a oferta da Netflix
  • Pagamento adicional de US$ 0,25 por ação por trimestre caso a conclusão da operação seja adiada após setembro
  • Garantia de multa rescisória de US$ 7 bilhões caso o acordo seja bloqueado por autoridades regulatórias
  • Cobertura da taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões prevista no acordo anterior firmado com a Netflix

O pacote financeiro foi considerado mais robusto pelo conselho da Warner Bros Discovery, contribuindo para deslocar o centro da negociação em favor da Paramount.

Estratégias distintas para o futuro da Warner

Além do preço mais elevado, a proposta da Paramount apresenta diferenças estruturais importantes em relação ao plano defendido pela Netflix.

A empresa de streaming planejava concentrar a operação nos ativos de estúdio e streaming, com possibilidade de reorganização dos canais tradicionais de televisão da Warner. Já a Paramount Skydance pretende adquirir integralmente o conglomerado, incluindo suas redes de TV e operações lineares.

Esse modelo preservaria sob um mesmo grupo marcas como HBO, CNN e canais tradicionais de entretenimento, além do vasto catálogo cinematográfico e televisivo da Warner.

A diferença de abordagem também influencia a avaliação de reguladores e investidores, uma vez que o impacto competitivo pode variar conforme a estrutura final da operação.

Reação imediata do mercado financeiro

A retirada da Netflix da disputa teve reflexos quase imediatos no mercado financeiro internacional.

Após o anúncio, as ações da Netflix subiram até 13% nas negociações após o fechamento do mercado, indicando aprovação dos investidores à decisão de evitar uma escalada de preços em uma operação considerada de alto risco regulatório e financeiro.

os papéis da Warner Bros Discovery registraram queda, refletindo o fim das expectativas de uma guerra de ofertas entre grandes grupos de mídia.

As ações da Paramount permaneceram relativamente estáveis, enquanto analistas passaram a concentrar atenção nos próximos passos da negociação e nas possíveis exigências regulatórias.

Apoio financeiro bilionário fortalece proposta da Paramount

Um dos elementos decisivos para a credibilidade da proposta da Paramount Skydance foi o respaldo financeiro de Larry Ellison, empresário norte-americano e presidente da Oracle Corporation.

Ellison, que é pai de David Ellison, CEO da Skydance Media, ofereceu garantias pessoais superiores a US$ 40 bilhões em capital para sustentar a operação. A presença de um dos empresários mais ricos do mundo no financiamento da transação aumentou a confiança de investidores e executivos da Warner na viabilidade do negócio.

Esse suporte financeiro permitiu à Paramount reforçar sua oferta após sucessivas rejeições iniciais, elevando o valor total da proposta e ampliando as garantias de conclusão da operação.

Reguladores podem determinar o destino do acordo

Mesmo com a Netflix fora da disputa, a aquisição ainda dependerá de aprovação de autoridades regulatórias nos Estados Unidos e possivelmente na Europa.

Durante as negociações, a Paramount argumentou que uma fusão entre Netflix e Warner poderia gerar concentração excessiva no mercado global de streaming, tornando a aprovação regulatória mais difícil.

A Netflix contestou essa interpretação, acusando a rival de distorcer o debate regulatório. Ainda assim, o risco de escrutínio antitruste foi um dos fatores considerados pela empresa ao decidir abandonar a disputa.

Nos Estados Unidos, operações desse porte costumam ser analisadas pelo Departamento de Justiça (DOJ) e por outras autoridades responsáveis por avaliar impactos sobre concorrência, acesso a conteúdo e diversidade de mercado.

Transformação estrutural do setor de entretenimento

A disputa pela Warner Bros Discovery ilustra a profunda transformação pela qual passa a indústria audiovisual global.

A Netflix consolidou-se como pioneira no modelo de streaming por assinatura, acumulando mais de 325 milhões de assinantes em todo o mundo e redefinindo padrões de produção e distribuição de conteúdo.

Ao mesmo tempo, conglomerados tradicionais como Warner e Paramount enfrentam o declínio gradual da televisão linear, com queda de audiência e redução das receitas publicitárias.

Nesse ambiente, fusões e aquisições tornaram-se estratégias centrais para ganhar escala, ampliar catálogos e competir globalmente na produção e distribuição de conteúdo audiovisual.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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