O Papa Leão XIV afirmou na quarta-feira (18/02/2026) que a Igreja deve atuar como sinal efetivo de unidade e reconciliação entre os povos em uma humanidade marcada pela fragmentação. A declaração foi feita durante a Audiência Geral na Praça São Pedro, no Vaticano, ao prosseguir o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, com foco na Constituição Dogmática Lumen Gentium, aprovada em 1964.
O pontífice destacou que o texto conciliar ajuda a compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus Cristo e a identidade da Igreja, apresentando-a como expressão histórica do plano divino de reunir a humanidade. Segundo ele, o conceito de “mistério”, presente nas cartas de São Paulo, não indica algo obscuro, mas uma realidade antes oculta e agora revelada.
O plano divino de unificação
De acordo com Leão XIV, o projeto de Deus consiste em unificar todas as criaturas por meio da ação reconciliadora de Cristo, consumada na cruz. Essa realidade, segundo o Papa, torna-se visível especialmente nas assembleias litúrgicas, onde as diferenças sociais e culturais são relativizadas pela experiência comum da fé.
O pontífice recordou que, para São Paulo, o “mistério” se manifesta gradualmente, partindo das experiências locais e expandindo-se até alcançar toda a humanidade e o próprio cosmos. Nesse sentido, a Igreja surge como expressão concreta desse desígnio de unidade.
Ele ressaltou que a condição humana é marcada por divisões que os próprios seres humanos não conseguem superar, apesar do anseio universal pela unidade. Para o Papa, é nesse contexto que a obra de Cristo, pelo Espírito Santo, atua para vencer as forças da separação.
O significado de “ekklesia” e o chamado à comunhão
Durante a catequese, Leão XIV explicou o significado do termo grego ekklesia, que designa a Igreja como uma assembleia de pessoas chamadas por Deus. Segundo ele, reunir-se para rezar após o anúncio do Evangelho é responder a uma atração exercida pela cruz de Cristo, expressão suprema do amor divino.
Nesse sentido, o pontífice afirmou que a Igreja torna perceptível o mistério da ação de Deus na história, sendo o lugar onde o chamado divino se concretiza na vida das pessoas.
O Papa observou ainda que esse chamado não pode se limitar a um grupo restrito, pois se destina a toda a humanidade, conforme afirma a Lumen Gentium ao definir a Igreja como “sacramento, ou sinal, e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”.
A Igreja como sacramento e instrumento de salvação
Leão XIV explicou que o termo “sacramento” indica que a Igreja é expressão histórica do plano de Deus, permitindo vislumbrar, em certa medida, o mistério divino. Já a expressão “instrumento” demonstra o caráter ativo da Igreja na realização desse projeto.
Segundo o Papa, Deus age na história envolvendo as pessoas na sua própria ação, e é por meio da Igreja que se concretiza o objetivo de unir os seres humanos entre si e com o próprio Deus.
Ele destacou que a união com Deus reflete-se na união entre as pessoas, caracterizando a experiência da salvação. O pontífice recordou ainda que a Lumen Gentium descreve a Igreja como “sacramento de salvação” no capítulo dedicado à sua dimensão escatológica.
Sinal de reconciliação em um mundo dividido
Ao concluir a catequese, Leão XIV afirmou que o documento conciliar permite compreender a ligação entre a Páscoa de Cristo e a identidade da Igreja. Segundo ele, a comunidade cristã é chamada a viver como presença santificadora no meio de uma humanidade fragmentada, tornando-se sinal concreto de unidade e reconciliação entre os povos.
O Papa ressaltou que essa visão reforça a gratidão dos fiéis por pertencerem à Igreja, descrita como corpo de Cristo ressuscitado e povo de Deus em peregrinação pela história.








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