Paquistão declara “guerra aberta” ao Afeganistão após bombardeios em Cabul e Kandahar; Confrontos na fronteira elevam tensão regional

O governo do Paquistão declarou “guerra aberta” contra as autoridades do Afeganistão na sexta-feira (27/02/2026), após realizar bombardeios em cidades afegãs, incluindo a capital Cabul. A ofensiva ocorre após meses de tensões e confrontos na faixa de fronteira entre os dois países.

Segundo o ministro da Informação paquistanês Attaullah Tarar, os ataques miraram posições consideradas estratégicas da defesa talibã em Cabul, Kandahar e na província de Paktia.

As ações marcam uma escalada militar direta entre forças estatais e o governo talibã, ampliando o risco de confrontos prolongados na região.

Troca de acusações e ofensivas na fronteira

As hostilidades aumentaram na quinta-feira (26/02/2026), quando forças afegãs teriam atacado tropas paquistanesas na fronteira. O governo talibã afirmou que a operação foi uma resposta a bombardeios anteriores do Paquistão que teriam provocado mortes.

O porta-voz talibã Zabihullah Mujahid declarou que dezenas de soldados paquistaneses morreram, outros ficaram feridos e alguns teriam sido capturados. As informações foram negadas por Islamabad, que afirma não ter perdido postos militares.

Autoridades paquistanesas classificaram as ações recentes como represália a ataques considerados letais, mantendo operações aéreas e de artilharia ao longo da fronteira.

Relações bilaterais e histórico recente

As relações entre os dois países se deterioraram desde o retorno do Talibã ao poder, em 2021. Islamabad acusa Cabul de permitir que militantes utilizem território afegão para organizar ataques contra alvos paquistaneses.

O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou em rede social que “a paciência chegou ao limite”, indicando mudança de postura para enfrentamento direto. Relatos de jornalistas internacionais apontaram explosões e movimentação de aeronaves em Cabul e Kandahar.

Já o ministro do Interior, Mohsin Naqvi, declarou que os ataques representam resposta proporcional às ações afegãs. O governo talibã, por sua vez, anunciou retomada de operações aéreas “em grande escala”.

Operações militares e impactos humanitários

O Exército afegão informou ter tomado mais de 15 postos avançados paquistaneses em poucas horas, versão contestada por Islamabad, que afirma ter imposto perdas às forças rivais.

Bombardeios realizados no fim de semana anterior atingiram as províncias de Nangarhar e Paktika, motivados, segundo o Paquistão, por atentados suicidas recentes em seu território.

A Organização das Nações Unidas relatou que ao menos 13 civis morreram nesses ataques, enquanto autoridades afegãs apontam número superior. Passagens terrestres permanecem fechadas após confrontos que resultaram em mais de 70 mortes desde outubro.

Mediação internacional e pedidos de cessar-fogo

Tentativas de cessar-fogo foram mediadas por Catar e Turquia, mas as negociações não resultaram em acordo duradouro. A Arábia Saudita intermediou a libertação de militares capturados em episódios anteriores.

A China, que mantém relações estratégicas com ambos, declarou preocupação com a escalada e solicitou cessar-fogo imediato, afirmando disposição para atuar como mediadora.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também ofereceu apoio diplomático para facilitar diálogo entre as partes.

*Com informações da RFI.


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