O José María Balcázar Zelada foi eleito presidente do Congresso do Peru na quarta-feira (18/01/2026), após o plenário aprovar a destituição do então presidente interino José Jerí. A votação registrou 75 votos favoráveis e 24 contrários, consolidando a mudança na chefia do Legislativo e, consequentemente, na condução institucional do país.
Integrante do Perú Libre, Balcázar superou a ex-presidente do Parlamento María del Carmen Alva, do Acción Popular, em disputa interna realizada após a vacância do cargo. A sessão ocorreu em meio a um cenário de instabilidade política e proximidade do calendário eleitoral.
A troca de comando foi formalizada depois que o Congresso considerou procedente o afastamento de Jerí, acusado de manter reuniões reservadas com empresários estrangeiros com vínculos comerciais com o Estado, o que motivou suspeitas de irregularidades administrativas.
Votação e acusações
A destituição foi aprovada em sessão extraordinária na terça-feira (17/02/2026). O placar confirmou maioria suficiente para encerrar o mandato interino de Jerí, que ocupava o posto desde outubro, conforme a linha sucessória prevista na Constituição peruana.
As acusações envolvem possíveis atos de corrupção relacionados a encontros com empresários chineses. Parlamentares defenderam que a conduta comprometeu a transparência institucional e justificou a abertura do processo político de afastamento.
Com a decisão, Jerí tornou-se o oitavo presidente destituído no Peru em uma década, sequência que evidencia a recorrência de crises no Executivo e no Legislativo do país.
Contexto de instabilidade política
Jerí havia assumido o cargo em 10 de outubro, substituindo Dina Boluarte, que governou entre 2022 e 2025 e também foi afastada em meio a controvérsias administrativas. O período recente tem sido marcado por sucessivas trocas de liderança.
Antes dela, o ex-presidente Pedro Castillo foi destituído após crise institucional envolvendo o Congresso. A sucessão de impeachments alterou o equilíbrio político e elevou a fragmentação partidária.
Analistas legislativos apontam que as substituições frequentes impactam a governabilidade, atrasam votações estratégicas e dificultam a implementação de políticas públicas de longo prazo.
Próximos passos e eleições
O Peru terá eleição presidencial marcada para abril de 2026, processo que deverá ocorrer sob regras de transição institucional e forte fiscalização parlamentar. A proximidade do pleito intensifica o debate sobre estabilidade democrática.
Com a presidência do Congresso, Balcázar passa a desempenhar papel central na articulação política, condução das sessões e coordenação da agenda legislativa. O posto também é estratégico na linha de sucessão constitucional.
A expectativa é que o novo comando priorize medidas administrativas e organize o calendário eleitoral, enquanto o país acompanha os desdobramentos das investigações relacionadas ao ex-presidente interino.
*Com informações da Sputnik News.








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