Pré-campanha de ACM Neto enfrenta críticas de bolsonaristas após aproximação com ex-aliados do PT e contratação de ex-marqueteiro de Lula investigado na Lava Jato

A pré-campanha do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia passou a enfrentar, neste sábado (28/02/2026),  críticas entre setores bolsonaristas da direita baiana após movimentos considerados contraditórios por aliados e analistas políticos. A negociação para contratar o marqueteiro João Santana, responsável por campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, somada à aproximação com lideranças políticas historicamente associadas ao PT no estado, levantou questionamentos sobre a coerência estratégica da candidatura. O cenário também coloca sob observação o posicionamento do ex-ministro João Roma (PL), apontado como provável candidato ao Senado na chapa.

Estratégia eleitoral e a contratação de João Santana

A articulação de ACM Neto para contratar João Santana tornou-se um dos temas centrais da pré-campanha na Bahia. O publicitário é considerado um dos mais experientes estrategistas eleitorais do país e ganhou notoriedade ao comandar campanhas presidenciais vitoriosas do PT.

Santana foi responsável pela campanha de Lula em 2006 e pelas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, além de ter atuado posteriormente na candidatura de Ciro Gomes em 2022. Ao longo de quase duas décadas, seu trabalho esteve fortemente associado à comunicação política do campo petista.

A eventual contratação do marqueteiro ocorre no momento em que ACM Neto tenta consolidar sua posição como principal adversário do grupo político liderado pelo PT na Bahia, atualmente no comando do governo estadual.

Entre segmentos da direita baiana, o movimento passou a ser interpretado como um exemplo de pragmatismo eleitoral que relativiza diferenças ideológicas, ao recorrer a um profissional cuja trajetória política esteve diretamente ligada às campanhas nacionais do PT.

Histórico judicial do marqueteiro reacende debate político

O passado judicial de João Santana também voltou ao centro do debate político.

Em 2016, o marqueteiro foi preso no âmbito da Operação Lava Jato e posteriormente condenado pelo então juiz Sergio Moro a oito anos e quatro meses de prisão por lavagem de dinheiro. Em acordo de colaboração premiada, Santana admitiu manter conta não declarada na Suíça, utilizada para receber pagamentos relacionados a campanhas eleitorais por meio de caixa dois.

Após cumprir prisão domiciliar até outubro de 2020, o publicitário retornou gradualmente ao mercado de marketing político e voltou a atuar em campanhas eleitorais.

Embora sua experiência profissional seja frequentemente destacada no meio político, o histórico judicial continua sendo lembrado por críticos como um elemento sensível em disputas eleitorais.

Aproximação com ex-aliados do PT amplia desconforto na direita

Paralelamente à estratégia de marketing, ACM Neto tem buscado ampliar seu arco de alianças políticas na Bahia, aproximando-se de lideranças que em diferentes momentos estiveram vinculadas ao grupo político governista.

Entre os nomes citados nas articulações aparecem:

  • Ângelo Coronel, senador pela Bahia
  • Marcelo Nilo, ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia
  • João Leão, ex-vice-governador da Bahia
  • Isaac Carvalho, ex-prefeito de Juazeiro

A presença de Isaac Carvalho, figura historicamente associada ao campo político petista no interior do estado, tornou-se um dos pontos mais citados nas críticas feitas por setores conservadores.

Para críticos da articulação, a aproximação com lideranças que tiveram trajetória vinculada ao PT pode indicar uma tentativa de reorganização pragmática do campo político estadual, mas também gera dúvidas sobre a identidade política da candidatura.

Dentro do eleitorado bolsonarista, a estratégia passou a ser interpretada por alguns grupos como uma diluição do discurso oposicionista, ao reunir no mesmo campo eleitoral figuras oriundas de projetos políticos historicamente rivais.

João Roma no centro do dilema político

Nesse contexto, ganha relevância a posição do ex-ministro João Roma (PL), indicado como provável candidato ao Senado na chapa de ACM Neto.

Roma integrou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e tornou-se uma das principais referências do bolsonarismo na Bahia. Sua eventual presença na coligação busca garantir a presença do eleitorado conservador na aliança eleitoral.

O próprio ex-ministro já declarou publicamente a intenção de integrar a chapa.

Estarei na chapa de ACM Neto para disputar o Senado. O PL está autorizado a se coligar com União Brasil, PP, Republicanos e PSDB na Bahia”, afirmou.

A eventual composição amplia o contraste entre a base bolsonarista representada por Roma e a estratégia mais ampla adotada pela campanha de ACM Neto, que tem buscado diálogo com lideranças de diferentes origens políticas.


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