O prefeito José Ronaldo apresentou nesta quarta-feira (11/02/2026) um panorama da gestão municipal, das principais dificuldades orçamentárias e dos desafios estruturais enfrentados por Feira de Santana, segundo maior município da Bahia, durante entrevista concedida a uma emissora de rádio. O gestor também abordou temas como reforma tributária, subsídios ao transporte público, investimentos viários, custos de festas populares e o cenário político estadual.
Ao longo da conversa, o prefeito destacou a trajetória política iniciada há cinco décadas, mencionou os cinco mandatos à frente da prefeitura e analisou as pressões financeiras sobre os municípios brasileiros, especialmente nas áreas de saúde, educação e mobilidade urbana.
Municípios concentram serviços e enfrentam restrições orçamentárias
José Ronaldo afirmou que as prefeituras continuam sendo o ente federativo mais pressionado em termos de responsabilidades e menor participação na arrecadação nacional.
Segundo o gestor, a rede municipal de saúde consome entre 33% e 34% da arrecadação local, índice superior ao mínimo constitucional. Ele também ressaltou o aumento da participação do município na educação.
“Hoje o município tem cerca de 70% mais escolas e alunos do que a rede estadual dentro de Feira de Santana”, afirmou.
O prefeito também mencionou o custeio de equipamentos de assistência social, como CRAS e CREAS, dos quais cerca de 60% dos gastos são mantidos pela prefeitura.
Reforma tributária gera preocupação com perda de autonomia municipal
Durante a entrevista, o prefeito demonstrou preocupação com os impactos da reforma tributária em andamento, principalmente em relação ao Imposto Sobre Serviços (ISS), historicamente administrado pelos municípios.
Segundo ele, as mudanças no modelo de arrecadação podem reduzir a autonomia municipal.
“O ISS sempre foi um imposto administrado pelo município. Com as mudanças, ele não será mais totalmente gerido localmente, e isso nos preocupa”, declarou.
José Ronaldo também destacou a concentração histórica de receitas na União, o que, segundo ele, limita a capacidade de investimento dos municípios.
Transporte público exige subsídio anual de R$ 50 milhões
Outro ponto central da entrevista foi o custo crescente do transporte coletivo urbano.
O prefeito informou que a prefeitura de Feira de Santana gasta cerca de R$ 50 milhões por ano em subsídios para manter o valor da tarifa.
Segundo ele, a redução da demanda após a pandemia e o aumento do uso de aplicativos de transporte e motocicletas impactaram o sistema.
- Antes da pandemia: até 3 milhões de passageiros por mês
- Situação atual: cerca de 1,5 milhão de passageiros mensais
- Frota registrada: 150 mil motocicletas na cidade
“Hoje praticamente não há transporte público no Brasil sem subsídio municipal”, afirmou.
O gestor defendeu a criação de um marco regulatório nacional do transporte coletivo, tema que, segundo ele, é debatido há anos por entidades municipalistas, mas ainda sem avanço no Congresso Nacional.
Prefeituras definem teto para cachês em festas populares
José Ronaldo também comentou a repercussão da decisão de não contratar o cantor Bell Marques para a abertura da Micareta de Feira de Santana, após o artista solicitar cachê superior ao praticado anteriormente.
Segundo o prefeito, uma reunião da União dos Municípios da Bahia (UPB), com participação do Ministério Público, definiu regras para controle de cachês artísticos:
- Teto de R$ 700 mil para grandes atrações
- Reajuste limitado à inflação anual para artistas contratados em edições anteriores
O objetivo, segundo o gestor, é preservar o equilíbrio das contas públicas sem interromper as festas tradicionais.
“O povo precisa das festas, mas respeitando o dinheiro público”, afirmou.
Obras viárias e duplicação do anel de contorno
O prefeito também destacou investimentos em infraestrutura viária, especialmente a duplicação do anel de contorno de Feira de Santana.
Segundo ele:
- 75% do anel já está duplicado
- 25% restantes concentram o maior fluxo de veículos
- Obra autorizada prevê três ou quatro novos viadutos
José Ronaldo afirmou que 90% dos viadutos existentes foram construídos em suas gestões, por meio de financiamento internacional, e considerou a intervenção decisiva para evitar o colapso do trânsito urbano.
Prefeito mantém indefinição sobre alianças para 2026
No campo político, o prefeito evitou antecipar apoio a candidaturas para o governo da Bahia nas eleições de 2026.
Segundo ele, a decisão será tomada coletivamente, dentro de seu grupo político, até o final de março.
“Não tomarei decisão individual nem sozinho. Será dentro do grupo ao qual pertenço”, afirmou.
Durante a entrevista, José Ronaldo também relatou ter mantido relação institucional tanto com o governador Jerônimo Rodrigues quanto com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, ambos cotados para a disputa estadual.
As principais frases ditas pelo governante
A seguir, as principais frases e declarações do prefeito José Ronaldo ao longo da entrevista.
Sobre gestão pública e responsabilidades municipais
- “Nunca se consegue atender a tudo que se precisa, mas é importante fazer com seriedade, honestidade e fazer o dinheiro público render.”
- “Tudo recai no município. Muita coisa que não é responsabilidade nossa, a gente paga.”
- “A rede de saúde consome de 33% a 34% do que a prefeitura arrecada.”
- “Hoje o município tem cerca de 70% mais escolas e alunos do que o Estado em Feira de Santana.”
Sobre a reforma tributária
- “Tenho muita preocupação com essa reforma tributária.”
- “O ISS sempre foi administrado 100% pelo município. Com as mudanças, isso não será mais assim, e isso nos preocupa.”
- “A União sempre foi o grande leão das receitas, os municípios ficam com bem menos.”
Sobre o transporte público
- “Hoje praticamente não há transporte público no Brasil sem subsídio municipal.”
- “Gastamos cerca de R$ 50 milhões por ano para manter o preço da passagem.”
- “Antes da pandemia, eram até três milhões de passageiros por mês; hoje é um milhão e meio.”
- “Feira de Santana tem 150 mil motos registradas. Esse número é extraordinário.”
Sobre o marco regulatório do transporte
- “Esse debate no Congresso Nacional está muito atrasado.”
- “O governo federal não pode mais retardar essa discussão. Ela é fundamental.”
Sobre cachês e festas populares
- “O povo precisa da festa, mas respeitando o dinheiro público.”
- “O maior cachê para grandes atrações será de R$ 700 mil, conforme decisão dos prefeitos com o Ministério Público.”
Sobre obras viárias
- “Se não tivéssemos construído os viadutos, a cidade estaria totalmente travada.”
- “90% dos viadutos de Feira de Santana foram construídos na minha gestão.”
Sobre política e eleições de 2026
- “2025 foi o ano da gestão; a partir de abril, vamos cuidar da política.”
- “Não tomarei decisão individual nem sozinho. Será dentro do grupo ao qual pertenço.”
Sobre episódios políticos passados
- “Fiquei chateado, mas traído é uma palavra muito forte.”
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“Vivo o presente e penso no futuro. Não tenho mágoa de ninguém.”










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