O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou que a eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026 dependerá diretamente do engajamento político de três figuras centrais do campo conservador: Michelle Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Em entrevista concedida neste sábado (31/01/2026) à revista Veja, o dirigente partidário avaliou que, sem o apoio ativo desse trio, a candidatura de Flávio se tornaria inviável do ponto de vista eleitoral, especialmente diante do peso simbólico, eleitoral e regional que cada um representa no atual cenário político nacional.
Valdemar Costa Neto foi categórico ao afirmar que Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira precisam estar “na linha de frente” de uma eventual campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, os três possuem capital eleitoral próprio e capacidade de mobilização que extrapola as estruturas tradicionais do partido.
Ao detalhar sua avaliação, Valdemar destacou que Michelle Bolsonaro tem forte penetração junto ao eleitorado feminino, segmento considerado estratégico em disputas nacionais. Já Tarcísio de Freitas, governador do maior colégio eleitoral do país, foi apontado como peça-chave para consolidar votos em São Paulo, enquanto Nikolas Ferreira, um dos deputados mais votados do Brasil, aparece como vetor de mobilização da militância conservadora, especialmente entre eleitores mais jovens.
Na avaliação do presidente do PL, nenhuma candidatura presidencial do campo bolsonarista se sustenta sem o engajamento efetivo dessas lideranças. Para Valdemar, o desempenho eleitoral recente e a visibilidade nacional do trio os tornam indispensáveis para qualquer projeto competitivo em 2026.
Relação com Tarcísio e confiança política
Questionado sobre o que classificou como “baixo empenho” inicial de Tarcísio de Freitas em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, Valdemar minimizou o tema e afirmou não ter qualquer preocupação quanto à lealdade do governador paulista ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, embora Tarcísio não tenha trajetória tradicional na política partidária, sua formação técnica e seu perfil pessoal o credenciam como alguém confiável no campo político. Valdemar afirmou acreditar que o governador não se afastará do grupo bolsonarista nem adotará postura que possa ser interpretada como ruptura ou traição política.
O dirigente partidário ressaltou que Tarcísio tende a se posicionar de forma mais clara no momento adequado do calendário eleitoral, descartando qualquer risco de neutralidade prolongada ou distanciamento estratégico.
Michelle Bolsonaro e sinais de distanciamento
Apesar de destacar a importância de Michelle Bolsonaro para a campanha, Valdemar não comentou diretamente o que tem sido interpretado por aliados como um engajamento discreto da ex-primeira-dama na construção da candidatura de Flávio Bolsonaro. Observadores do cenário político apontam que Michelle ainda não assumiu papel ativo na articulação nacional do projeto eleitoral do enteado.
Recentemente, Michelle protagonizou um episódio de tensão interna ao discordar de uma articulação política no Ceará envolvendo o ex-governador Ciro Gomes, movimento que evidenciou divergências estratégicas dentro do próprio núcleo familiar e político ligado a Jair Bolsonaro. O episódio foi interpretado por aliados como sinal de cautela em relação às alianças regionais e ao desenho da campanha nacional.
Nikolas Ferreira e a consolidação como liderança nacional
Entre os nomes citados por Valdemar, Nikolas Ferreira aparece como a liderança em ascensão mais acelerada. O deputado federal ganhou ainda mais projeção após liderar, na semana anterior, uma caminhada-protesto em Brasília que reuniu cerca de 18 mil pessoas em defesa de Jair Bolsonaro.
A mobilização consolidou Nikolas como um dos principais articuladores da base bolsonarista fora do eixo institucional tradicional, ampliando sua influência política e sua capacidade de engajamento direto com o eleitorado. Para o comando do PL, esse perfil o torna peça-chave tanto na mobilização de rua quanto na comunicação digital da campanha.
Estratégia eleitoral e aproximação com o centro
Valdemar Costa Neto também antecipou que, após o Carnaval, Flávio Bolsonaro deverá iniciar uma fase mais propositiva de sua pré-campanha, com a apresentação de propostas concretas para o país. Segundo ele, a orientação estratégica é evitar pautas excessivamente polarizadoras ou restritas à militância ideológica, como a defesa da anistia a investigados, tema que tem dividido o debate público.
A diretriz, de acordo com Valdemar, é ampliar o diálogo com partidos do centro, especialmente o Progressistas (PP) e o União Brasil, legendas vistas como fundamentais para a formação de uma chapa competitiva. O senador Flávio Bolsonaro espera, nesse movimento, atrair um nome dessas siglas para compor a vice-presidência, ampliando a base de apoio e reduzindo resistências fora do núcleo bolsonarista.
Os limites e desafios da estratégia do PL
A declaração de Valdemar Costa Neto explicita a dependência estrutural da eventual candidatura de Flávio Bolsonaro em relação a lideranças que possuem capital político próprio e, em alguns casos, agendas autônomas. O reconhecimento público dessa dependência evidencia tanto a força quanto a fragilidade do projeto: força, pela existência de lideranças populares; fragilidade, pela ausência de protagonismo consolidado do próprio candidato.
Além disso, a postura cautelosa de Michelle Bolsonaro e o posicionamento ainda ambíguo de Tarcísio de Freitas indicam que a unidade do campo bolsonarista não é automática e dependerá de negociações políticas complexas. O esforço de aproximação com partidos de centro reforça a percepção de que o PL busca ampliar seu espectro eleitoral, mas também revela tensões entre pragmatismo eleitoral e fidelidade ideológica.
Por fim, a aposta em um discurso menos conflituoso sinaliza uma leitura realista do cansaço do eleitorado com embates permanentes, mas coloca em teste a capacidade do bolsonarismo de se reinventar sem perder sua base mais fiel.











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