A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, Espanha, alcançou nesta sexta-feira (20/02/2026) um dos marcos mais relevantes de sua história recente com a instalação do braço superior da cruz na Torre de Jesus Cristo, completando o exterior da estrutura central do templo projetado por Antoni Gaudí. A peça finaliza o conjunto das seis torres centrais e consolida a torre como o ponto mais alto do monumento, a 172,5 metros do solo. As intervenções internas prosseguirão até 2028.
A colocação do braço superior da cruz representa a conclusão das obras externas da Torre de Jesus Cristo, elemento central do complexo arquitetônico. A peça instalada mede 4,5 metros por 4,5 metros por 4,9 metros e integra a cruz tridimensional de quatro braços que coroa a torre.
Com 172,5 metros de altura total, a torre consolida-se como a mais elevada da basílica. A estrutura é composta por 12 faces e foi erguida por meio de 12 camadas de painéis, cuja instalação teve início em 16 de outubro de 2018, a partir de 85 metros do solo.
O último nível estrutural foi concluído em 4 de dezembro de 2024, quando a torre atingiu 142,5 metros. Posteriormente, avançaram as etapas relativas ao pináculo e à cruz, culminando na instalação definitiva do braço superior nesta sexta-feira.
Arquitetura e sistema construtivo
Os painéis da torre utilizam um sistema de pedra tensionada, que combina pedra e aço. Essa técnica permitiu a pré-fabricação das peças fora do canteiro de obras, com transporte posterior até o templo e instalação por níveis, conforme a evolução da estrutura.
Na base do pináculo, inscrições em louvor a Jesus Cristo – “Tu solus Sanctus, tu solus Dominus, tu solus Altissimus” – foram executadas em cerâmica esmaltada branca e tijolo, circundadas por palmeiras ornamentais. Esse segmento possui 29 metros de altura e começou a ser construído em maio de 2025.
A cruz tridimensional que coroa a torre tem 17 metros de altura e 13,5 metros de largura. Revestida em vidro e cerâmica esmaltada branca, sua primeira peça, o braço inferior, foi instalada em 27 de outubro de 2025, elevando a torre a 162,91 metros.
Montagem internacional e execução técnica
A cruz foi construída na Alemanha em 2025 e posteriormente transportada em módulos para Barcelona. A maior parte da montagem ocorreu na própria basílica. Os azulejos de cerâmica esmaltada branca, o interior de pedra e o vidro foram produzidos em fábricas e oficinas localizadas na Catalunha.
As peças chegaram em diferentes módulos e foram pré-montadas em uma plataforma instalada a 54 metros acima da nave central. A elevação e instalação ocorreram em sete etapas: braço inferior, núcleo central, quatro braços laterais e, por fim, o braço superior, fixado em 20 de fevereiro de 2026.
No interior do braço superior será instalada uma escultura do Agnus Dei, criada pelo artista italiano Andrea Mastrovito. O chamado “Cordeiro Gaudí”, idealizado para o centro da cruz, será posicionado sobre o braço superior, visível do interior da estrutura.
Integração simbólica das torres centrais
A Torre de Jesus Cristo ocupa posição central no conjunto arquitetônico da Sagrada Família. Ela é circundada pelas quatro Torres dos Evangelistas, interligadas por pontes, e pela Torre da Virgem Maria, conectada internamente à estrutura principal.
O projeto retoma descrição publicada no quarto álbum do Templo Expiatório da Sagrada Família (1927-1929), que previa uma grande lanterna erguida sobre quatro colunas do cruzeiro, coroada por uma cruz de quatro braços ondulados a 176 metros do solo, com o Cordeiro de Deus no centro.
Embora a altura final tenha sido definida em 172,5 metros, o conceito simbólico original foi mantido, preservando a centralidade teológica e arquitetônica concebida por Gaudí.
Centenário de Gaudí e programação comemorativa
A conclusão do exterior da Torre de Jesus Cristo coincide com o centenário da morte de Antoni Gaudí, ocorrida em 1926. O marco será celebrado ao longo de 2026 com eventos comemorativos organizados pela fundação responsável pelo templo.
Segundo o arquiteto-chefe Jordi Faulí, a instalação da cruz representa “o resultado de anos de trabalho e estudo do legado que Antoni Gaudí nos deixou”, além de reafirmar o compromisso com a conclusão integral da basílica.









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