Saif al-Islam Kadhafi é morto em ataque armado na Líbia

O filho do ex-líder líbio Muammar Kadhafi, Saif al-Islam Kadhafi, foi morto após a invasão de sua residência por homens armados, segundo informações divulgadas por seu advogado e assessores próximos, em quarta-feira (04/02/2026). O ataque ocorreu na cidade de Zintan, onde ele vivia recluso desde sua libertação da prisão, em 2016.

De acordo com o advogado francês Marcel Ceccaldi, quatro homens armados invadiram a casa, localizada em uma área montanhosa e isolada, desativaram o sistema de vigilância e executaram Saif al-Islam. Até o momento, os autores do crime não foram identificados.

A residência contava apenas com dois funcionários, e o ex-candidato presidencial mantinha rotina discreta e contato restrito por razões de segurança, mesmo após alertas recentes sobre possíveis riscos.

Circunstâncias do ataque e investigações iniciais

Relatos de pessoas próximas indicam que preocupações com a segurança haviam sido comunicadas dias antes do assassinato. Um líder tribal teria oferecido reforço na proteção pessoal, proposta recusada por Saif al-Islam.

Segundo um de seus conselheiros, os invasores neutralizaram as câmeras de monitoramento antes de entrar na propriedade, o que sugere planejamento prévio. Não há confirmação oficial sobre a motivação ou possíveis vínculos políticos do grupo.

Até o anúncio da morte, o paradeiro de Saif era mantido em sigilo, com deslocamentos frequentes para evitar exposição pública.

Histórico judicial e acusações internacionais

Saif al-Islam era procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade, relacionados à repressão violenta de protestos durante a revolta de 2011, que resultou na queda do regime de seu pai.

Capturado no sul da Líbia naquele mesmo ano, ele permaneceu detido em Zintan por um longo período. Em 2015, foi condenado à morte após julgamento sumário, decisão posteriormente revertida por uma anistia concedida por autoridades locais.

Apesar do histórico judicial, ele voltou ao debate político em 2021 ao registrar candidatura à eleição presidencial, processo que acabou suspenso devido à instabilidade institucional no país.

Trajetória política e imagem internacional

Antes da queda do regime, Saif al-Islam era apontado como possível sucessor de Muammar Kadhafi e atuava como interlocutor diplomático em negociações externas. Educado no exterior, participou de diálogos sobre abandono de armas de destruição em massa e abertura institucional da Líbia.

Durante os anos 2000, envolveu-se em iniciativas voltadas à libertação de presos políticos e propostas de reformas constitucionais, buscando projetar uma agenda de transição política. Parte dessas medidas encontrou resistência interna dentro do próprio governo.

No início da revolta de 2011, no entanto, declarações defendendo repressão violenta aos manifestantes alteraram sua posição pública, resultando em desgaste político e acusações internacionais.

Impacto político e cenário atual da Líbia

Analistas avaliam que a morte de Saif al-Islam pode reconfigurar o cenário eleitoral e tribal, especialmente entre grupos que defendiam o retorno de figuras ligadas ao antigo regime. Para parte da população, ele mantinha capital político associado à estabilidade do período anterior à guerra civil.

Aliados classificaram o assassinato como crime de motivação política, enquanto opositores afirmam que o episódio pode agravar divisões internas. Não há confirmação oficial sobre investigações conduzidas por autoridades locais.

A Líbia permanece dividida entre dois centros de poder: o governo reconhecido internacionalmente sediado em Trípoli e uma administração paralela no leste do país, apoiada por forças militares regionais. A fragmentação institucional dificulta avanços no processo eleitoral e na consolidação da segurança.

*Com informações da RFI.


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