O professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e secretário municipal de Planejamento, Carlos Brito, defendeu na terça-feira (10/02/2026) a preservação do patrimônio artístico e cultural como eixo estruturante da identidade urbana durante palestra no Rotary Club de Feira de Santana. O encontro reuniu lideranças rotarianas, empresários e representantes da sociedade civil para discutir memória histórica, desenvolvimento urbano e o papel das instituições na proteção dos bens culturais do município.
Segundo o secretário, a preservação do patrimônio não é um tema periférico, mas um compromisso estratégico com o futuro da cidade. Ele ressaltou que a memória coletiva é elemento constitutivo da cidadania e fundamento para políticas públicas responsáveis e duradouras.
A palestra integrou a programação regular do clube e foi marcada por reflexões conceituais, exemplos práticos de preservação e proposta concreta de ação institucional.
Patrimônio como identidade e continuidade histórica
Ao longo da exposição, Carlos Brito afirmou que patrimônio cultural não pode ser reduzido à ideia de passado distante. Para ele, trata-se de presença viva que orienta o presente e fundamenta o futuro.
“Patrimônio não é passado morto. É identidade em movimento”, afirmou.
O secretário destacou que uma cidade que perde suas referências históricas corre o risco de perder também sua identidade. Feira de Santana, segundo ele, foi construída a partir do encontro de culturas, caminhos e atividades econômicas diversas, o que confere singularidade à sua formação social.
Ele observou que identidade urbana é fruto de gerações sucessivas, formadas pelo trabalho, pela fé e pelas lutas de seus habitantes.
“Quando preservamos a memória, estamos preservando o sentido de pertencimento”, pontuou.
Bens materiais e manifestações culturais
No campo do patrimônio material, Brito mencionou edificações históricas como o Paço Municipal, o Casarão Fróes da Motta, a antiga Estação Ferroviária, a Santa Casa e igrejas tradicionais, classificando esses imóveis como marcos estruturais da história urbana feirense.
Segundo ele, cada prédio histórico representa um capítulo da narrativa da cidade. A descaracterização ou demolição desses bens implica perda irreversível para a memória coletiva, pois rompe a continuidade simbólica entre passado e presente.
O secretário também enfatizou o patrimônio imaterial, destacando a Feira Livre, as filarmônicas, músicos, artistas plásticos, escritores e cronistas como expressões legítimas da cultura local.
“A cultura cotidiana é tão importante quanto os monumentos. Ela é o elo que mantém viva a memória”, afirmou.
Fundação Senhor dos Passos e ações estruturadas de preservação
Como exemplo de atuação concreta, Carlos Brito apresentou o trabalho da Fundação Senhor dos Passos, criada em 16 de maio de 1996 com o propósito de preservar e difundir a memória histórica de Feira de Santana.
Entre as iniciativas destacadas estão a aquisição e restauração do Casarão Fróes da Motta, transformado em espaço cultural e educativo, além da publicação de mais de 30 obras voltadas à história local. O secretário afirmou que a produção editorial contribui para descentralizar a narrativa histórica e ampliar o acesso ao conhecimento.
A fundação também mantém acervo audiovisual e fotográfico com mais de 80 mil registros históricos e centenas de vídeos, desenvolve projetos educativos, promove parcerias internacionais e atua na recuperação de bens culturais e partituras de filarmônicas tradicionais. Para Brito, trata-se de modelo integrado de preservação material e imaterial.
Proposta de tombamento do Relógio do Rotary
Na parte final da palestra, o secretário associou a preservação cultural aos valores históricos do Rotary, ressaltando que servir à comunidade também significa proteger sua memória.
Como proposta concreta, apresentou o tombamento do Relógio do Rotary como patrimônio cultural material de Feira de Santana, informando que preparou a documentação necessária para encaminhamento ao prefeito municipal e início do processo formal.
Segundo ele, o gesto teria caráter simbólico e institucional, consolidando o papel do Rotary na história da cidade e fortalecendo a cultura de preservação entre entidades civis.
“Preservar é um ato de responsabilidade com as próximas gerações”, afirmou, ao defender que o desenvolvimento urbano deve caminhar em equilíbrio com a proteção da memória histórica.
Homenagem ao palestrante
Ao final do encontro, Carlos Brito foi homenageado pelas lideranças rotarianas, em reconhecimento à contribuição acadêmica e institucional ao debate sobre patrimônio cultural e planejamento urbano.
O palestrante recebeu certificado das mãos de José Raimundo de Azevêdo, ex-prefeito e ex-secretário municipal, e de Dázio Brasileiro Filho, em ato simbólico que marcou o encerramento da programação.
A homenagem reforçou o reconhecimento institucional ao tema apresentado e destacou a importância do diálogo entre poder público, academia e sociedade civil na construção de políticas voltadas à memória urbana.








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