Durante agenda institucional realizada nesta Segunda-feira (23/02/2026)em Feira de Santana, o senador Jaques Wagner (PT) afirmou que a chapa governista para as eleições de 2026 na Bahia está praticamente definida, com o governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição e duas vagas ao Senado ocupadas por Wagner e pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. A declaração ocorreu paralelamente a uma programação administrativa voltada à autorização de obras e ampliação de equipamentos públicos nas áreas de educação, saúde, infraestrutura urbana e prevenção à violência, que inclui a implantação do Centro Comunitário pela Vida (Convive). Na entrevista, Wagner também abordou temas políticos, como a saída do senador Ângelo Coronel do grupo governista, a relação com o prefeito José Ronaldo de Carvalho, e respondeu a questionamentos sobre o caso Banco Master.
Agenda institucional reúne autoridades em Feira de Santana
A agenda desta segunda-feira mobilizou representantes dos três níveis de governo. Participaram da programação o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governador em exercício Geraldo Júnior, o prefeito José Ronaldo de Carvalho, o senador Jaques Wagner, além de representantes do Ministério da Justiça e da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia.
Entre os principais atos está a assinatura da ordem de serviço para implantação do Centro Comunitário pela Vida (Convive), equipamento voltado à promoção de políticas públicas de prevenção social da violência e ao fortalecimento de vínculos comunitários.
O Convive integra uma estratégia de políticas públicas voltadas à prevenção, articulando ações sociais e institucionais em territórios considerados estratégicos para redução da violência.
Wagner afirma que chapa governista para 2026 está praticamente definida
Durante entrevista concedida no evento, Wagner afirmou que o cenário político interno do grupo governista já está praticamente consolidado.
Segundo ele, a definição ocorreu após a decisão do senador Ângelo Coronel de disputar o Senado por outro grupo político.
“Na medida em que o senador Ângelo Coronel tomou a decisão de concorrer ao Senado em outro grupo político, a dificuldade que a gente tinha deixa de existir. Portanto, no Senado está batido o martelo.”
De acordo com Wagner, o grupo já trabalha com três nomes principais para a disputa majoritária.
- Jerônimo Rodrigues — candidato à reeleição ao governo da Bahia
- Geraldo Junior — candidato à reeleição no cargo de vice-governador da Bahia
- Jaques Wagner — candidato à reeleição ao Senado
- Rui Costa — candidato ao Senado
O senador acrescentou que, em sua avaliação pessoal, o vice-governador Geraldo Júnior deveria permanecer na chapa.
“Na minha opinião, time que está ganhando não se mexe.”
Ele destacou, no entanto, que a decisão formal ainda depende de reunião do conselho político do grupo.
“Jerônimo prometeu que até março vai reunir o conselho político e aí sim conheceremos a formatação final.”
Saída de Ângelo Coronel e tentativa de manter a base unida
Wagner também comentou a ruptura política com o senador Ângelo Coronel, afirmando que houve tentativa de negociação para preservar a unidade do grupo.
Segundo ele, chegou a propor um modelo de alternância nas candidaturas ao Senado.
“Eu fiz todo esforço possível para manter o grupo unido, porque aprendi com o presidente Lula que a gente cresce na política juntando e não espalhando.”
Wagner afirmou que a divergência ocorreu após Coronel insistir em disputar novamente o Senado.
Apesar da ruptura, o senador evitou caracterizar o episódio como ingratidão.
“Eu não vou falar de ingratidão. Cada momento é um momento. Ele tomou o caminho dele e eu desejo boa sorte.”
Relação com prefeito José Ronaldo permanece institucional
Questionado sobre a possibilidade de aproximação política do prefeito José Ronaldo de Carvalho com o grupo governista, Wagner afirmou que não pretende exercer pressão.
Segundo ele, a decisão cabe exclusivamente ao prefeito.
“José Ronaldo é um político maduro, prefeito da segunda maior cidade do estado. Não cabe pressão.”
O senador afirmou que mantém diálogo institucional com o gestor municipal.
“Se ele vier para o nosso grupo será muito bem recebido, mas prefiro que ele tome a decisão no tempo dele.”
Wagner responde a questionamentos sobre Banco Master e privatização da Cesta do Povo
Durante a entrevista, Wagner também comentou questionamentos sobre investigações relacionadas ao Banco Master e ao programa CrediSexta, que voltaram ao debate público após liquidação de instituições financeiras ligadas ao caso.
O senador afirmou que os fatos investigados ocorreram anos depois da privatização da rede Cesta do Povo, realizada durante o período em que integrou o governo estadual.
Segundo ele, a rede estatal acumulava prejuízos anuais elevados.
“Era um supermercado estatal que dava prejuízo de 60 a 80 milhões por ano.”
Wagner defendeu a decisão de vender a estrutura.
“Não tem sentido ter uma rede estadual estatal de supermercado. Isso é fora de qualquer sistema.”
Ele também afirmou que o Banco Master não existia no momento da privatização.
“O Banco Master nem existia quando fizemos a venda da Cesta do Povo.”
De acordo com o senador, eventuais problemas envolvendo o banco dizem respeito aos responsáveis pelas operações posteriores.
“O que aconteceu depois é problema deles. Cada um responde pelo que faz.”
Convive e políticas de prevenção à violência
Wagner também comentou a implantação do Centro Comunitário pela Vida (Convive), associando a iniciativa a políticas de segurança pública iniciadas ainda durante sua gestão como governador.
Segundo ele, programas de prevenção dependem de cooperação institucional e participação social.
“Nós só vamos superar a questão da segurança quando criarmos um sistema que envolva todos os poderes e a sociedade civil.”
O senador citou o programa Bahia pela Paz, que busca integrar ações entre Executivo, Judiciário, Ministério Público, Defensoria e forças policiais.
Ele também destacou a necessidade de continuidade nas políticas de segurança.
“Ninguém resolve a segurança pública da noite para o dia. É um investimento pesado e permanente.”
Wagner mencionou ainda que indicadores recentes apontam queda de 13% nos índices de violência, embora tenha reconhecido que o desafio permanece significativo.
“Ainda é pouco, mas mostra que estamos no caminho correto.”
*Áudio da entrevista coletiva cedido ao Jornal Grande Bahia pelo radialista Edvaldo Peixoto Filho (Edvaldinho).








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