Domingo (15/02/2026) – Uma tecnologia social voltada ao enfrentamento simultâneo da escassez hídrica e da falta de saneamento rural vem sendo implantada em comunidades do Semiárido brasileiro. O Sistema SARA (Saneamento Ambiental e Reúso de Água) realiza a coleta e o tratamento de esgoto domiciliar para reutilização na irrigação agrícola. Desenvolvida pela Secretaria Nacional de Segurança Hídrica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI), a solução já atende famílias e escolas em oito estados, com impacto direto na produção de alimentos e na qualidade de vida das populações rurais.
Tecnologia alia saneamento rural e segurança hídrica
O principal objetivo do Sistema SARA é garantir saneamento básico em áreas rurais ao mesmo tempo em que amplia a segurança hídrica e alimentar. A tecnologia transforma águas residuárias domésticas em um recurso produtivo, permitindo a irrigação de hortas, pomares e pequenas áreas agrícolas voltadas à agricultura familiar e à alimentação escolar.
Com a implantação do sistema, comunidades deixam de conviver com esgoto a céu aberto, reduzindo riscos sanitários e ambientais. O tratamento adequado dos efluentes contribui para a diminuição de doenças de veiculação hídrica, melhora as condições ambientais e assegura água para irrigação mesmo em períodos de estiagem prolongada.
Além do aspecto sanitário, o reúso da água tratada reduz custos de produção. Os nutrientes presentes no efluente funcionam como fertilizante natural, o que diminui gastos com insumos químicos e aumenta a produtividade das lavouras familiares.
Funcionamento e custos da tecnologia
O Sistema SARA adota um modelo de tratamento descentralizado do esgoto doméstico, com etapas de coleta, depuração e destinação final para uso agrícola. Após o tratamento, a água é utilizada na irrigação de forma controlada, seguindo parâmetros técnicos e sanitários.
Entre as principais características do sistema estão:
- Custo médio de R$ 13,4 mil por família atendida
- Vida útil estimada em 20 anos
- Implantação com mão de obra local
- Baixa complexidade de manutenção
Segundo estudos do MIDR, o investimento tende a ser recuperado nos primeiros anos, devido à economia com água e fertilizantes e ao aumento da produção agrícola.
Expansão em oito estados do Semiárido
Entre 2020 e 2024, foram implantadas 25 unidades do Sistema SARA nos estados de:
- Alagoas
- Bahia
- Ceará
- Minas Gerais
- Paraíba
- Pernambuco
- Piauí
- Sergipe
As unidades beneficiaram 153 famílias agricultoras e 586 alunos de escolas rurais, que passaram a contar com saneamento adequado e produção local de alimentos.
Atualmente, outras 32 unidades estão em fase de implantação, com projetos previstos até 2027. O investimento total do MIDR na iniciativa chega a R$ 3,5 milhões.
Modalidades de aplicação do sistema
A tecnologia pode ser adaptada a diferentes realidades, com três formatos principais:
Unidade familiar
Voltada ao atendimento de uma residência rural, com tratamento do esgoto doméstico e uso da água na produção agrícola.
Unidade escolar
Instalada em escolas rurais para irrigação de hortas e apoio à merenda escolar.
Unidade comunitária
Atende coletivamente diversas residências, ampliando o alcance do saneamento em comunidades rurais.
A flexibilidade do sistema permite sua integração com outras políticas públicas, como o Programa Água Doce, também coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Hídrica.
Impactos sociais, econômicos e ambientais
Relatos de agricultores beneficiados indicam aumento da produtividade, redução da necessidade de venda de animais durante períodos de seca e geração de renda complementar. O sistema também fortalece a resiliência das famílias rurais diante das mudanças climáticas e da irregularidade das chuvas no Semiárido.
Com foco em sustentabilidade, inclusão social e segurança hídrica, o Sistema SARA vem sendo consolidado como uma solução estratégica de saneamento rural e produção agrícola, com potencial de replicação em diferentes territórios do Semiárido brasileiro.










Deixe um comentário